sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

TROCAS EM PASTAS SENSÍVEIS EXPÕEM FRAGILIDADE POLÍTICA E FALTA DE RESULTADOS EM BOM CONSELHO

A recente reforma promovida pelo prefeito de Bom Conselho, Dr. Edézio Ferreira, está longe de ser interpretada apenas como um “ajuste natural de gestão”. As mudanças nas secretarias de Saúde e Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Trabalho e Cidadania acenderam o alerta nos bastidores políticos e reforçaram a percepção de que a administração municipal ainda não encontrou rumo, ritmo e base política sólida para governar com estabilidade.

A saída do médico Dr. Zenício dos Santos da Secretaria de Saúde e a nomeação da fisioterapeuta Ana Nery Rabêlo ocorrem em um momento em que a população segue cobrando melhorias concretas no atendimento, redução de filas e melhor estrutura nas unidades. A troca, em vez de transmitir segurança, gera questionamentos: se a pasta estivesse alcançando resultados satisfatórios, por que a mudança agora?

Na mesma linha, a substituição de Elanially Correia por Jamylle Caroline Mendonça no Desenvolvimento Social também levanta dúvidas. A área, que deveria ser prioridade diante das demandas das famílias em situação de vulnerabilidade, não apresentou até agora ações de grande impacto ou ampliação visível de políticas públicas estruturantes. A sensação é de que mudam os nomes, mas os problemas permanecem.

MOVIMENTO POLÍTICO PROVOCA DESCONFORTO NA BASE

Além das questões administrativas, um fator político deu ainda mais peso às mudanças. Comentários que circulam nos bastidores apontam que a nova configuração do governo teria aberto espaço para um nome ligado a um grupo político adversário ao do ex-prefeito Dannilo Godoy, enquanto aliados históricos da base de sustentação de Dr. Edézio teriam ficado sem o mesmo reconhecimento.

A leitura entre integrantes insatisfeitos do próprio grupo governista é de que faltou prestígio para quem caminhou junto no projeto político, enquanto houve espaço para rearranjos considerados inesperados. O episódio ampliou ruídos internos e reforçou a impressão de que a gestão enfrenta dificuldades até mesmo para manter a coesão do seu núcleo de apoio.

PREFEITO ISOLADO E SEM MAIORIA CONSOLIDADA

No campo legislativo, a situação também não é confortável. O prefeito não construiu uma maioria estável na Câmara Municipal, enfrenta resistência frequente e vê a oposição ganhar espaço no debate público. Sem base firme, a gestão encontra obstáculos para aprovar projetos e consolidar ações de médio e longo prazo.

Esse cenário alimenta a avaliação de que o governo está politicamente isolado, dependendo mais de articulações pontuais do que de uma sustentação sólida e duradoura.

ENTRE VÍDEOS E A REALIDADE

Enquanto isso, nas redes sociais, o prefeito mantém forte presença em vídeos curtos, com discursos otimistas e tom de autoconfiança. A estratégia digital, porém, não tem sido suficiente para afastar as críticas de quem aponta que a imagem virtual não acompanha a realidade vivida pela população em áreas essenciais como saúde, assistência social e infraestrutura.

Para analistas locais, a comunicação tenta transmitir a ideia de uma gestão em pleno funcionamento, mas os indicadores e a percepção popular ainda não confirmam essa narrativa.

GESTÃO AINDA NÃO DEIXOU SUA MARCA

Passada boa parte do mandato, a administração de Dr. Edézio ainda não conseguiu apresentar uma marca forte, seja em grandes obras, programas estruturantes ou avanços significativos nos serviços básicos. As recentes trocas no primeiro escalão, em vez de simbolizarem renovação, soam como tentativas de corrigir uma engrenagem que não encaixou como o esperado.

Com desgaste interno, base política instável e cobranças crescentes da população, a gestão entra em um momento decisivo. Mais do que mudanças de nomes, Bom Conselho espera resultados concretos, presença efetiva do poder público e respostas reais para os problemas do dia a dia.

O tempo político corre — e a paciência da população também.

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