A nova posição foi externada pelo presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, ao afirmar que o partido quer estar alinhado não apenas com o cabeça de chapa, mas também com o candidato a vice-governador e com o segundo nome ao Senado que venha a dividir o palanque com o senador Humberto Costa, prioridade absoluta da sigla na corrida pela reeleição. Segundo Veras, não basta que o postulante ao governo declare apoio ao presidente Lula; é necessário que toda a composição da chapa esteja comprometida com o projeto nacional petista, tanto durante a campanha quanto em um eventual governo.
A fala reforça uma resistência que já circulava nos bastidores: o desconforto do PT com a possibilidade de o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho integrar a chapa majoritária ao lado de João Campos. Para setores do partido, a ligação histórica da família Coelho com o bolsonarismo pesa negativamente e dificulta a construção de um discurso unificado em defesa do governo Lula. A leitura interna é de que uma aliança desse tipo criaria ruídos na militância e enfraqueceria o palanque presidencial em Pernambuco, estado estratégico para o PT.
Esse movimento de restrição abriu espaço para que outros nomes buscassem se apresentar como mais alinhados ao Planalto. Foi nesse contexto que o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, passou a se posicionar de forma mais explícita como opção ao Senado dentro de uma futura chapa liderada por João Campos. Em entrevistas recentes, ele se autodefiniu como “senador de Lula”, enfatizando que sua candidatura estaria em sintonia direta com o presidente e que o prefeito do Recife tem ciência desse alinhamento. A sinalização foi interpretada nos meios políticos como uma tentativa de ocupar o espaço que o PT considera mais confortável ideologicamente dentro da composição.
A discussão sobre a vaga de vice também carrega um histórico de insatisfação. Ainda permanece viva entre lideranças petistas a lembrança da eleição municipal de 2024 no Recife, quando o partido apresentou ao prefeito o nome do médico Mozart Sales, ex-vereador da capital, para compor a chapa majoritária. A sugestão não foi acatada. João Campos optou por desincompatibilizar quatro secretários municipais, anunciou que escolheria o vice entre eles e acabou indicando Victor Marques, amigo de infância e de colégio, que se filiou ao PCdoB às vésperas da decisão. Para o PT, o episódio simbolizou a falta de protagonismo da legenda nas decisões estratégicas, mesmo sendo aliada histórica do PSB em nível nacional.
Agora, com a sucessão estadual no horizonte e o peso da reeleição de Lula no centro da estratégia petista, o partido tenta reposicionar sua influência e deixar claro que apoio não virá sem participação efetiva nas definições. A mensagem enviada a João Campos é de que a aliança é possível, mas condicionada a uma chapa que represente, do começo ao fim, o mesmo campo político do presidente da República, sem ambiguidades nem pontes com adversários do projeto petista.
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