quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

NOMEAÇÕES NA PROCURADORIA DO RECIFE ACENDEM ALERTA E COLOCAM JOÃO CAMPOS E RAQUEL LYRA SOB PRESSÃO PRÉ-ELEITORAL

A repercussão em torno da nomeação de dois candidatos com deficiência para a Procuradoria-Geral do Recife ultrapassou os limites de um debate meramente administrativo e ganhou contornos claramente políticos. O episódio deixa um recado direto aos principais nomes que despontam como possíveis postulantes ao Governo de Pernambuco em 2026: nenhum gesto, decisão ou ato de gestão passará despercebido pelos adversários. No centro desse turbilhão estão o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD), ambos sob vigilância constante e sem margem para erros ou hesitações.

O caso tem origem em um concurso público realizado em 2022 e homologado em 2023. À época, o primeiro colocado na lista destinada às pessoas com deficiência (PCD) acabou sendo o filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas. O ponto sensível, no entanto, vai além do parentesco. O candidato só passou a figurar no topo da lista após apresentar um diagnóstico de autismo emitido três anos depois da realização do certame, o que provocou questionamentos imediatos sobre a lisura do processo.

A situação se agravou quando outro candidato, que havia se declarado PCD desde o ato de inscrição no concurso, recorreu à Justiça para garantir o direito à nomeação prioritária. A reação foi rápida: diante da pressão jurídica e da repercussão pública, a Procuradoria do Recife decidiu recuar da decisão inicial, tentando estancar um desgaste que já se espalhava pelos bastidores políticos.

Embora os instrumentos legais utilizados por ambos os candidatos estejam, em tese, amparados pela legislação, o episódio expôs uma zona cinzenta que tem custo político elevado. A dificuldade de justificar o imbróglio, somada à suspeita de favorecimento, gerou desconforto e abriu espaço para narrativas que podem ser exploradas eleitoralmente no futuro próximo.

João Campos tratou de minimizar os impactos e afirmou estar “absolutamente tranquilo”, sustentando que a questão administrativa está resolvida e que, a partir de agora, cabe exclusivamente à Justiça dar a palavra final. Ainda assim, aliados e adversários reconhecem que o assunto dificilmente será esquecido. Pelo contrário: tende a ser resgatado com força quando a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas ganhar contornos oficiais.

Por enquanto, o capital político do prefeito segue preservado. No primeiro dia do ano, após a missa no Santuário do Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife, João Campos permaneceu cerca de nove minutos atendendo apoiadores, tirando fotos e distribuindo sorrisos, em mais uma demonstração de carisma que o mantém bem posicionado junto ao eleitorado. Mas, no xadrez político que se desenha para 2026, a lição é clara: popularidade ajuda, mas não imuniza. Em um ambiente cada vez mais polarizado e atento, até questões administrativas podem se transformar em munição eleitoral.

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