Em um desdobramento que levanta questões sobre a transparência na administração pública, o escritório da presidente da OAB-PE, Ingrid Zanella, adquiriu um contrato de cinco anos com a Administração do Porto do Recife, avaliado em R$ 14,5 mil mensais, totalizando R$ 870 mil, além de possíveis valores adicionais. O contrato, que foi confirmado por fontes oficiais e publicado no Diário Oficial, foi firmado sem licitação, gerando críticas e questionamentos.
Zanella, uma renomada especialista em Direito Marítimo, viu seu escritório, que tem apenas um ano e sete meses de existência, tornar-se peça chave em um momento estratégico para o Porto do Recife, que se aproxima da renovação de sua concessão com o governo federal. Este processo envolve negociações diretas com a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e, segundo informações, sua contratação se deve também ao forte apoio político que recebeu durante a sua campanha.
O prefeito João Campos (PSB), um aliado de destaque na política local, foi um dos apoiadores mais visíveis de Zanella durante sua campanha para a presidência da OAB-PE, participando ativamente de eventos e reuniões para garantir sua vitória. Essa ligação política é analisada por alguns especialistas como um "acerto de contas" dentro dos corredores do poder.
Críticos apontam que a contratação, realizada por meio de dispensa de licitação, não só se desvia do processo usual adotado para este tipo de serviço, mas também representa um "exagero", segundo fontes que preferiram não se identificar. Tradicionalmente, contratos desse tipo são pontuais, focando apenas em serviços específicos e não em períodos prolongados como o atual.
Curiosamente, a governadora Raquel Lyra não confirmou se tinha conhecimento ou se autorizou a contratação. Enquanto isso, a cena política continua a se desdobrar, com rumores de que Zanella havia dado apoio em troca de garantir uma cadeira para Maurício da Fonte, pai do deputado Eduardo da Fonte, no conselho federal da OAB.
Diante de um cenário repleto de incertezas e possíveis conflitos de interesse, a sociedade aguarda respostas sobre a verdadeira motivação por trás dessa contratação e as implicações que ela pode ter para a administração pública e para a relação entre política e advocacia em Pernambuco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário