quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

PERNAMBUCO NO CENTRO DA REFORMA MINISTERIAL: ELEIÇÕES DE 2026 PRESSIONAM ESPLANADA E PODEM REDESENHAR GOVERNO LULA

A proximidade do calendário eleitoral de 2026 começa a produzir efeitos concretos na Esplanada dos Ministérios e Pernambuco desponta como um dos estados com maior potencial de influência na reconfiguração do primeiro escalão do governo Lula. Com mais de 20 ministros em todo o país se preparando para a desincompatibilização exigida pela legislação eleitoral, os movimentos de auxiliares diretos do presidente que têm base política no estado passam a ser observados com lupa, tanto em Brasília quanto nos bastidores da política pernambucana.

Entre os nomes já com decisão tomada está o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Com projeto majoritário consolidado, ele confirmou que deixará o comando da pasta até abril para se dedicar integralmente à disputa por uma vaga no Senado Federal. A saída de Silvio, além de abrir espaço para uma nova acomodação política no ministério, reforça o peso de Pernambuco no tabuleiro nacional, uma vez que sua candidatura é tratada como estratégica dentro do campo governista.

Em sentido oposto, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, deve permanecer no cargo. Considerado um dos quadros mais experientes e respeitados da atual equipe ministerial, José Múcio chegou a manifestar, no ano passado, o desejo de deixar a função, mas foi convencido a permanecer após apelo direto do presidente Lula. Seu perfil conciliador, o histórico de diálogo com as Forças Armadas e a capacidade de articulação política são vistos como fundamentais para a estabilidade institucional, sobretudo após a condução firme e discreta da pasta em episódios sensíveis, como os desdobramentos das manifestações antidemocráticas de 8 de janeiro.

Outro ministro pernambucano que ainda avalia os próximos passos é Wolney Queiroz, à frente do Ministério da Previdência Social. Sem anunciar decisão definitiva, ele aguarda uma conversa com o presidente da República para definir se permanecerá no cargo ou se entrará na disputa eleitoral. O próprio ministro tem ressaltado, em declarações reservadas, que decisões dessa natureza precisam levar em conta não apenas projetos pessoais, mas o impacto político para o governo e para o grupo aliado.

Situação semelhante vive a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. A dirigente do PCdoB ainda não bateu o martelo sobre uma eventual candidatura e deve utilizar todo o prazo legal, até abril, para amadurecer a decisão. Sua permanência ou saída do ministério também é acompanhada de perto por setores que veem na pasta um espaço estratégico para a agenda de desenvolvimento, inovação e soberania tecnológica do país.

Fechando o grupo de pernambucanos na Esplanada, o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, do PSD, tende a deixar o cargo para tentar retornar à Câmara dos Deputados. O movimento, se confirmado, reforçará a necessidade de ajustes adicionais no ministério e ampliará o efeito dominó provocado pelas eleições no desenho do governo federal.

Com esse conjunto de possíveis saídas e permanências, Pernambuco assume protagonismo na discussão sobre a reforma ministerial que se avizinha. Mais do que simples trocas administrativas, as decisões que serão tomadas até abril devem refletir acordos políticos, estratégias eleitorais e a tentativa do Palácio do Planalto de equilibrar governabilidade, estabilidade institucional e força política para a disputa de 2026.

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