Com a saída temporária de Porto, caberá a Rodrigo Farias conduzir um dos momentos mais sensíveis do início de 2026: a análise, em plenário, da convocação extraordinária feita pela governadora Raquel Lyra. O chamado tem como objetivo destravar matérias consideradas urgentes pelo Palácio do Campo das Princesas, entre elas a apreciação dos vetos da governadora à Lei Orçamentária Anual (LOA), que ficaram pendentes após impasse no fim do ano legislativo.
Embora aliados afirmem que a viagem do presidente já estava programada antes mesmo do recesso parlamentar — inclusive com convites feitos a outros deputados —, o timing do afastamento chamou atenção nos bastidores. O pedido de licença foi formalizado exatamente no mesmo dia em que a governadora anunciou a convocação extraordinária, fato que aumentou as especulações sobre os impactos políticos da ausência de Álvaro Porto neste momento decisivo.
Não é a primeira vez que Rodrigo Farias assume a presidência em meio a turbulência. No início de 2025, durante outra ausência de Porto, a Alepe passou por mudanças significativas sob sua condução. À época, o PSB autorizou a filiação de três deputados estaduais a outras legendas, o que alterou a correlação de forças internas e permitiu à oposição conquistar maioria em comissões estratégicas como Justiça, Finanças e Administração. O episódio gerou desgaste prolongado para o governo estadual e se arrastou ao longo de todo o ano.
Apesar do histórico, parlamentares avaliam que o cenário agora é diferente. Um deputado da oposição ouvido pelo blog garantiu que não haverá movimentos fora do script. “Rodrigo não vai fazer nada que não esteja previamente combinado com o presidente”, afirmou. Ainda assim, há quem aposte que o vice-presidente, mesmo filiado ao PSB e sem histórico de confronto direto com o Executivo, possa adotar uma postura mais aberta ao diálogo institucional.
No plenário, a tendência é de que a convocação extraordinária seja aprovada sem maiores obstáculos. O governo conta com maioria entre os deputados, o que garante tanto a validação do chamamento quanto a posterior análise dos vetos. O plenário, afinal, é soberano para deliberar sobre o tema.
O principal foco de tensão envolve a decisão de Álvaro Porto de não pautar os vetos da governadora à LOA, sob a justificativa de inconstitucionalidade, sem submeter o assunto ao plenário. A medida provocou forte reação da base governista: 29 dos 49 deputados alinhados ao Executivo divulgaram uma nota pública dura, criticando a postura do presidente da Casa.
O episódio representou um abalo inédito na atual legislatura. Reeleito com ampla maioria, Álvaro Porto viu, pela primeira vez, uma decisão sua ser publicamente rechaçada pela maioria dos parlamentares, o que acabou enfraquecendo institucionalmente a presidência da Alepe e ampliando o desgaste entre Legislativo e Executivo.
Agora, com Rodrigo Farias no comando, a expectativa é de que a Alepe busque uma saída política para o impasse, evitando que o início do ano legislativo seja marcado por novos embates e aprofundamento da crise entre os Poderes.
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