Segundo a reportagem, a operação ocorreu durante a madrugada e envolveu ataques aéreos de precisão em pontos estratégicos da capital Caracas e de áreas próximas ao aeroporto internacional. Em meio à ação militar, civis acabaram sendo atingidos, o que elevou o número de vítimas e provocou destruição em bairros populares, aprofundando o drama humanitário no país.
Um dos casos que simboliza o impacto da ofensiva é o de Rosa González, uma mulher de 80 anos que morreu após seu apartamento ser atingido. Ela vivia em um edifício residencial localizado em uma região pobre próxima ao aeroporto de Caracas. O sobrinho da idosa, Wilman González, relatou ao New York Times que acordou com o barulho das explosões por volta das duas horas da manhã e correu para tentar se proteger. Quando o ataque cessou, encontrou o imóvel destruído e a família sem saber como recomeçar. “Não sei o que vamos fazer agora”, disse ele, em depoimento que evidencia o desamparo dos moradores afetados.
Vizinhos da família González afirmaram ter perdido todos os seus bens com a investida. Ainda de acordo com relatos de moradores do prédio, uma segunda mulher ficou ferida e precisou ser levada às pressas para um hospital da região. As cenas descritas apontam para um cenário de medo, incerteza e luto, enquanto autoridades locais tentam contabilizar os danos e o número total de vítimas.
Além das consequências humanas, a operação chamou atenção pelo grau de planejamento e sigilo. De acordo com informações das agências Reuters e CNN, a captura de Nicolás Maduro foi resultado de meses de preparação minuciosa por parte das forças de segurança e de inteligência dos Estados Unidos. Tropas de elite, incluindo a Força Delta do Exército norte-americano, teriam construído uma réplica exata do esconderijo do líder venezuelano para ensaiar cada etapa da invasão a uma residência descrita como fortemente fortificada.
A CIA, segundo as fontes, mantinha desde agosto uma pequena equipe em solo venezuelano, responsável por mapear a rotina e os deslocamentos de Maduro. Esse trabalho de inteligência foi complementado pela atuação de um “ativo” próximo ao ditador, que monitorava seus movimentos e ajudou a identificar sua localização exata no momento decisivo da operação.
Com todas as etapas prontas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a ação dias antes, mas aceitou a recomendação dos planejadores militares para aguardar condições climáticas mais favoráveis. O aval final foi dado às 22h46 da sexta-feira (2), no horário de Washington, dando início ao que passou a ser chamado de Operação Resolução Absoluta, conforme revelou o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general Dan Caine.
Trump acompanhou a ofensiva em tempo real a partir de Mar-a-Lago, na Flórida, cercado por assessores. Horas depois da conclusão da missão, classificou a ação como inédita. “Já fiz algumas operações muito boas, mas nunca vi nada parecido com isso”, afirmou em entrevista à Fox News.
Enquanto os Estados Unidos celebram a captura de Maduro como um marco estratégico, o saldo de mortos e a destruição deixada pelo ataque reacendem o debate internacional sobre os custos humanos de intervenções militares e os desdobramentos que esse episódio poderá trazer para a estabilidade da Venezuela e de toda a região.
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