A mudança de posicionamento dos parlamentares representa mais do que uma simples troca de lado. Nos corredores da política local, a leitura é de que o gesto sinaliza insatisfação com os rumos da gestão e abre espaço para uma reconfiguração das forças na Câmara. Rogério Zuada e Bilu de Tatu eram considerados aliados importantes do prefeito, especialmente em votações estratégicas, e a saída deles pode dificultar a construção de consensos em projetos de interesse do Executivo.
César Arrepiado, apontado como articulador da virada, tem adotado um discurso de renovação e fortalecimento da oposição. Nos últimos meses, ele intensificou diálogos com lideranças comunitárias, vereadores e grupos políticos que não se sentem contemplados pela atual administração. A aproximação com Zuada e Bilu de Tatu foi tratada como um passo decisivo dentro dessa estratégia de ampliar o bloco oposicionista e preparar terreno para disputas futuras.
Além do reposicionamento local, o novo grupo já sinaliza alinhamentos para as eleições proporcionais. Os vereadores passarão a apoiar a deputada estadual Simone Santana e o deputado federal André Ferreira, reforçando uma articulação que conecta o cenário municipal às lideranças com atuação em Pernambuco e em Brasília. A estratégia busca não apenas fortalecer palanques, mas também abrir canais para futuras parcerias políticas e institucionais.
Ao comentar o novo momento, César Arrepiado adotou um tom de mobilização e esperança, afirmando que o grupo está unido em torno de um projeto que, segundo ele, busca melhorias concretas para a cidade. “Vamos juntos lutar por uma São Benedito melhor para todos”, declarou, em frase que resume o discurso que a oposição pretende levar às ruas: o de que a mudança política é necessária para promover avanços na gestão pública e na qualidade de vida da população.
Enquanto isso, o governo municipal tende a redobrar esforços para manter coesa a base que ainda permanece ao lado do prefeito. Nos bastidores, a expectativa é de que novas conversas e ajustes políticos aconteçam nas próximas semanas, já que a perda de apoio na Câmara pode impactar diretamente a governabilidade. Em um município onde as relações políticas são historicamente dinâmicas, o rompimento marca apenas o início de um novo capítulo — e indica que o clima eleitoral já começa a influenciar decisões e alianças muito antes do período oficial de campanha.
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