Um carnaval diferente

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

RACHAS, RUMORES E REARRANJOS: BASE DO PREFEITO DE SALOÁ DÁ SINAIS DE ESFARELAMENTO POLÍTICO ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES 2026

O cenário político de Saloá começa 2026 marcado por movimentos silenciosos, porém profundos, que expõem fissuras na base do governo municipal e indicam uma reorganização de forças com potencial de redesenhar o mapa eleitoral da cidade. Nos bastidores, lideranças tradicionais já não caminham no mesmo compasso do prefeito, enquanto vereadores articulam projetos próprios e ampliam seus espaços de influência dentro e fora da estrutura administrativa.

O epicentro dessa nova configuração é o presidente da Câmara Municipal, vereador Jamelão (MDB). Experiente e com forte capilaridade política, ele já definiu que terá palanques próprios para deputado estadual e federal, apoiando a reeleição de Jarbas Filho (MDB) e Fernando Monteiro (PSD). A decisão, tomada de forma independente, sinaliza um claro desalinhamento em relação à orientação política do prefeito, algo que, em anos anteriores, dificilmente ocorreria sem desgaste interno.

A situação ganha contornos ainda mais delicados porque Jamelão não é apenas um vereador influente: ele preside o MDB municipal e mantém aliados posicionados em setores estratégicos da administração. Esse fator tem provocado incômodo entre integrantes da base governista, que veem a manutenção desses espaços como um sinal de que o controle político do Executivo já não é tão firme quanto antes. Nos bastidores, o comentário recorrente é que há tratamento desigual entre lideranças — algumas com liberdade para montar seus próprios projetos eleitorais, outras ainda submetidas a rígida fidelidade política.

Paralelamente, o início do ano foi marcado por mudanças significativas no primeiro e segundo escalões da prefeitura, especialmente na área da Educação. Trocas em direções escolares e realocações administrativas alteraram o equilíbrio de forças dentro do governo. Dois nomes ligados a Jamelão, que ocupavam cargos desde 2024, perderam espaço, o que foi interpretado como uma tentativa de reduzir sua influência. No entanto, o efeito colateral dessas mudanças acabou fortalecendo outro ator político: o vereador Douglas França (PSD).

Douglas viu aliados assumirem posições estratégicas e ampliou sua presença em regiões onde antes tinha pouca inserção. Líder do governo na Câmara, ele passa a ser citado como possível futuro presidente da Casa Legislativa, consolidando-se como novo polo de influência. Sua proximidade com o prefeito é vista por observadores locais como parte de uma estratégia de reorganização da base, mas também evidencia que o centro de gravidade político do município começa a se deslocar.

O movimento de fragmentação, porém, vai além dessas duas lideranças. Os vereadores da base governista Zé Cabeleireiro e Valdir Lopes também passaram a adotar postura independente e já declararam apoio político a William Brígido, reforçando o cenário de dispersão dentro do grupo que sustenta o Executivo municipal. A sinalização pública de voto fora da linha política do prefeito amplia a percepção de perda de controle sobre a própria base.

Informações de bastidores indicam ainda que ao menos três vereadores e três suplentes mantêm conversas adiantadas com outros deputados, articulando apoios para 2026 fora da órbita direta do prefeito. Soma-se a isso a atuação de grupos políticos tradicionais do município, como os ligados a Wellington Freitas e Ricardo, além de novos núcleos que surgem a cada ciclo eleitoral, característica histórica de Saloá, onde as disputas costumam ser pulverizadas.

O conjunto desses fatores revela um enfraquecimento gradual da liderança central do Executivo municipal. A dificuldade de manter unidade na base, a perda de influência sobre aliados estratégicos e o surgimento de polos autônomos de articulação indicam que o prefeito enfrenta hoje um cenário mais complexo do que em momentos anteriores de sua gestão.

Mais do que disputas por cargos ou apoios pontuais, o que se desenha é uma mudança estrutural na correlação de forças políticas de Saloá. A antecipação das articulações para 2026 mostra que lideranças locais já se movimentam pensando em sobrevivência política e fortalecimento individual, mesmo que isso signifique romper alinhamentos históricos. Nesse tabuleiro em transformação, o poder já não parece concentrado em um único grupo — e o prefeito, antes eixo natural das decisões, passa a lidar com uma base que se dispersa, negocia por conta própria e dá sinais claros de esfarelamento político.


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