segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

APÓS FALA DESASTROSA DE JOÃO CAMPOS, MIGUEL COELHO É COLOCADO NA ENCRUZILHADA E PRECISA BUSCAR NOVO DESTINO POLÍTICO

As declarações do prefeito do Recife, João Campos (PSB), concedidas em entrevista ao Blog Ponto de Vista, provocaram forte repercussão no meio político pernambucano e mudaram de forma abrupta o cenário das articulações para as eleições de 2026. Considerada por muitos como desastrosa do ponto de vista político, a fala expôs publicamente um rearranjo de forças que até então vinha sendo tratado com cautela nos bastidores. Ao afirmar de maneira incisiva que Miguel Coelho permanecerá em seu campo político, enquanto o deputado federal Eduardo da Fonte deverá caminhar com a governadora Raquel Lyra, João Campos antecipou movimentos e reduziu drasticamente a margem de manobra de Miguel.

O impacto foi imediato entre lideranças políticas e dirigentes partidários. A declaração foi interpretada como um verdadeiro enquadramento público, deixando claro que o espaço de Miguel Coelho no projeto liderado por João Campos está condicionado a limites impostos pelo atual arranjo partidário. Na prática, a fala do prefeito do Recife empurrou Miguel para uma encruzilhada: aceitar um papel secundário dentro da composição ou buscar, o quanto antes, um novo destino político que lhe assegure protagonismo e viabilidade eleitoral.

Diante desse cenário, a troca de legenda deixou de ser especulação para se tornar uma necessidade concreta. Nos bastidores, a avaliação é de que, permanecendo onde está, Miguel corre o risco de ficar isolado e sem garantias de espaço em uma futura chapa majoritária. A exposição pública da estratégia feita por João Campos também gerou desconforto em partidos aliados e acelerou decisões que, até então, eram tratadas com mais discrição.

Entre as alternativas que ganham força está o MDB, legenda pela qual Miguel já passou e que surge como um caminho natural. O fator familiar pesa nesse cálculo. Seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, teve participação ativa na recente disputa interna do partido, atuando ao lado de Raul Henry e reforçando pontes políticas importantes. Esse histórico mantém portas abertas e alimenta conversas sobre um possível retorno.

No entanto, o MDB também enfrenta um período de instabilidade, marcado por disputas judiciais e indefinições sobre o comando da legenda em Pernambuco. Esse vai e vem jurídico pode representar um obstáculo para quem busca segurança partidária e um projeto político sólido a médio e longo prazo, o que torna a decisão de Miguel ainda mais delicada.

O fato é que, após a fala de João Campos, o jogo político mudou de ritmo. O que antes era administrado nos bastidores ganhou contornos públicos, pressionando Miguel Coelho a agir com rapidez e precisão. No atual tabuleiro político pernambucano, permanecer imóvel não é opção. Para não ser engolido pelo novo desenho das alianças, Miguel terá que escolher seu destino com cálculo, timing e coragem política.

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