Durante o Carnaval, a governadora Raquel Lyra, que tentará a reeleição, e o prefeito do Recife João Campos, nome apontado como principal adversário em 2026, transformaram a Folia de Momo em um grande palco político. Ambos circularam intensamente por polos carnavalescos, marcaram presença em eventos estratégicos e fizeram questão de aparecer cercados por aliados, prefeitos, deputados e lideranças regionais — sinais claros de que o Carnaval foi muito mais do que festa: foi termômetro de força e articulação.
Raquel Lyra buscou reforçar a imagem institucional, apostando em agendas que misturaram celebração cultural e discurso de gestão. Ao lado de secretários e aliados do PSD e de partidos da base, a governadora fez questão de ressaltar investimentos, obras e ações do Governo do Estado, tentando passar a mensagem de estabilidade administrativa e continuidade. Nos bastidores, cada aparição pública foi lida como um ensaio de campanha, ainda que o discurso oficial tenha sido de valorização da cultura e do povo pernambucano.
Do outro lado, João Campos adotou um tom mais político, explorando sua forte popularidade no Recife e ampliando gestos para além da capital. O prefeito, que comanda uma das maiores máquinas municipais do Nordeste, aproveitou a visibilidade do Carnaval para se posicionar como liderança estadual, cercado por nomes do PSB e de legendas aliadas. A leitura entre analistas é clara: João quer mostrar que não é apenas um gestor bem avaliado, mas um candidato viável para governar todo o Estado.
Com o fim do Carnaval, o jogo tende a ficar ainda mais intenso. O próximo marco decisivo é a desincompatibilização dos cargos, prazo legal que se encerra em 4 de abril, seis meses antes das eleições marcadas para 4 de outubro. Até lá, os movimentos de Raquel e João devem se intensificar, com agendas estratégicas, costuras partidárias e sinais cada vez mais explícitos de pré-campanha.
A disputa que se desenha promete ser uma das mais emblemáticas da história recente de Pernambuco. De um lado, uma governadora que tentará convencer o eleitor de que merece continuar no comando do Palácio do Campo das Princesas. Do outro, um prefeito jovem, carismático e herdeiro de uma tradição política forte, disposto a romper a lógica da reeleição.
Se no Brasil o ano começa depois do Carnaval, em Pernambuco ele começou antes — e já deixou claro que 2026 será marcado por uma disputa dura, simbólica e acompanhada de perto por todo o Estado.
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