Desde então, o processo segue na esfera judicial. Mas na esfera política, o que se vê é um silêncio que incomoda, revolta e levanta questionamentos legítimos.
Cristiano da Van não é um filiado qualquer. É um parlamentar eleito, que disputou votos, utilizou a estrutura partidária e carregou a bandeira de uma legenda que se apresenta historicamente como defensora de princípios democráticos e responsabilidade social. Quando um vereador confessa participação em um homicídio, o impacto não é individual — é institucional.
Até agora, não houve manifestação pública de peso por parte da direção estadual ou nacional do partido esclarecendo quais providências internas foram tomadas. Não se sabe se há processo disciplinar instaurado, se houve suspensão de filiação ou qualquer outro encaminhamento formal. O vácuo de informação se tornou combustível para críticas e desconfianças.
A cobrança, que já ecoa nas ruas de Petrolândia, agora ganha endereço certo: com a palavra, o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes. Cabe a ele esclarecer qual a posição oficial da legenda em Pernambuco diante de um fato dessa magnitude. O partido abrirá procedimento interno? Haverá expulsão? Ou a estratégia será aguardar que o caso esfrie?
Da mesma forma, cresce a expectativa sobre uma posição do presidente nacional da sigla, João Campos. Como principal liderança nacional do PSB e uma das vozes mais influentes do partido no país, sua manifestação teria peso político e simbólico. O silêncio, nesse nível, deixa de ser apenas regional e passa a ter dimensão nacional.
Não se trata de interferir no trabalho da Justiça, que deve seguir seu curso com respeito ao devido processo legal. Trata-se de responsabilidade política. Partidos não podem se limitar ao período eleitoral para falar em ética e compromisso público. Precisam demonstrar coerência quando um de seus representantes ultrapassa todos os limites.
A ausência de posicionamento oficial passa uma mensagem perigosa: a de que, quando a crise envolve um quadro partidário, a cautela institucional pode se transformar em omissão estratégica. E omissão, nesse caso, é interpretada como complacência.
O caso continua a provocar indignação e exige respostas claras. Pernambuco não cobra espetáculo, cobra transparência. A sociedade quer saber qual é, afinal, a linha que o PSB traça entre responsabilidade individual e responsabilidade partidária.
Enquanto isso, a pergunta permanece aberta e ecoando além das fronteiras de Petrolândia: o que o PSB fará diante de um vereador que confessou participação em um assassinato? E por que, até agora, o silêncio parece falar mais alto do que qualquer nota oficial?
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