De acordo com as investigações, a dupla agia de forma articulada: escolhia vítimas do sexo masculino, iniciava contato para encontros amorosos e, durante as reuniões, oferecia bebidas supostamente adulteradas com substâncias capazes de provocar sonolência intensa e reduzir a capacidade de reação. O objetivo, segundo a polícia, era facilitar o acesso a cartões bancários e aplicativos financeiros das vítimas.
O caso que levou à identificação das suspeitas ocorreu em novembro de 2025 e teve como vítima um homem de 53 anos. O encontro foi marcado em um motel localizado na QNM 15, em Ceilândia. Conforme a apuração, após ingerir a bebida oferecida pelas mulheres, ele perdeu a consciência e só despertou horas depois. Ao recuperar-se, constatou que haviam sido realizadas transferências bancárias via Pix e diversas compras no cartão de crédito, somando quase R$ 20 mil em prejuízo.
Parte do dinheiro foi direcionada para contas vinculadas às investigadas, além de transações feitas em maquininhas de cartão que, segundo a polícia, também estariam relacionadas a elas. A movimentação financeira ajudou os investigadores a rastrear o caminho do dinheiro e a consolidar as provas que embasaram os pedidos judiciais.
Outro ponto que chamou atenção durante a investigação foi a suposta estratégia de intimidação adotada após os crimes. Segundo a polícia, as suspeitas ameaçavam as vítimas com a possibilidade de falsa acusação de estupro, alegando a existência de material genético que poderia incriminá-las. A tática, ainda conforme os investigadores, gerava medo e constrangimento, o que pode ter contribuído para que outros casos não fossem formalmente denunciados.
Mandados judiciais foram autorizados e cumpridos no último dia 13 de fevereiro, em Águas Lindas de Goiás, onde as investigadas residem. No entanto, elas não foram encontradas na ocasião, pois haviam viajado à Bahia para o período de Carnaval, passando então à condição de procuradas até serem localizadas e presas.
As duas foram indiciadas por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas, crime cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão. Vitória Fernandes Soares também responderá por posse ilegal de munição de uso permitido, delito com pena prevista de um a três anos de detenção.
A Polícia Civil segue investigando a possibilidade de outras vítimas e orienta que qualquer pessoa que tenha passado por situação semelhante procure a delegacia para formalizar denúncia, reforçando a importância de cautela em encontros com desconhecidos e atenção redobrada ao consumo de bebidas em ambientes privados.
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