Segundo Sileno, a decisão política já estaria consolidada dentro do partido e amparada tanto pelo desejo da militância quanto por levantamentos de opinião. Para ele, João Campos reúne credenciais administrativas e políticas que justificam a aposta socialista. O dirigente destacou a “capacidade de entrega” do prefeito e o seu estilo de gestão como fatores que estariam impulsionando a aceitação do nome dele entre os eleitores pernambucanos.
Apesar da fala enfática, João Campos mantém, oficialmente, a postura de cautela. Desde o ano passado, ele é questionado com frequência sobre a possibilidade de disputar o Palácio do Campo das Princesas, mas tem evitado confirmações diretas. Nos bastidores, porém, o cenário evoluiu. Até pouco tempo, aliados avaliavam que uma eventual reação da governadora Raquel Lyra (PSD) nas pesquisas poderia transformar a disputa em um risco elevado, abrindo margem para uma desistência estratégica. Essa hipótese, entretanto, perdeu força nas últimas semanas. De acordo com análises políticas já publicadas na imprensa estadual, a leitura interna hoje é de que João Campos já decidiu concorrer, encerrando o período de especulações sobre recuo.
Para que a candidatura se concretize dentro das regras eleitorais, o prefeito terá que deixar o cargo até o início de abril, respeitando o prazo de desincompatibilização previsto na legislação. A eventual saída antecipada da Prefeitura do Recife também passa a movimentar o cenário municipal, já que abrirá espaço para rearranjos administrativos e políticos na capital.
Sileno Guedes também adiantou que o PSB trabalha na construção de uma chapa considerada competitiva e com representação de diferentes regiões do estado. Entre os nomes citados como possíveis integrantes da aliança para as vagas ao Senado estão o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), o senador Humberto Costa (PT), a ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil). A diversidade partidária dos nomes mencionados indica que o PSB pretende formar uma frente ampla, com alianças que ultrapassam as fronteiras tradicionais do campo socialista.
Em tom de contraste, o presidente estadual do PSB afirmou que a oposição enfrentaria mais dificuldades na montagem de sua chapa majoritária, sugerindo falta de nomes com densidade política. Embora não tenha citado diretamente a governadora Raquel Lyra, que deve disputar a reeleição, a declaração sinaliza que o PSB aposta em um cenário de vantagem na largada da corrida eleitoral.
Outro elemento considerado estratégico por Sileno é a presença do presidente Lula (PT) nas articulações. O deputado avaliou que o chefe do Planalto terá papel decisivo na construção das alianças e no desenho final da chapa, reforçando o peso da relação entre o PSB pernambucano e o governo federal. Para os socialistas, a proximidade com Lula pode ser um diferencial tanto na consolidação de apoios quanto na narrativa de continuidade de investimentos e parcerias para o estado.
Com o discurso de irreversibilidade lançado publicamente por uma das principais lideranças do PSB em Pernambuco, a pré-campanha de João Campos ganha novo patamar. Mesmo sem anúncio formal, o tabuleiro político já se reorganiza em torno de um nome que, ao que tudo indica, deixará a Prefeitura do Recife para protagonizar uma das disputas mais aguardadas da política estadual nos últimos anos.
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