quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

CARLOS BOLSONARO PRESSIONA PL EM SC, AMEAÇA ROMPER COM JORGINHO MELLO E ABRE CANAL COM PSD PARA GARANTIR VAGA AO SENADO

A pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina já nasce cercada de tensão, recados cruzados e articulações de bastidores que expõem a disputa interna pela hegemonia da direita no estado. Em um movimento que surpreendeu aliados e acendeu o alerta no PL, o ex-vereador do Rio de Janeiro ameaçou romper com o governador Jorginho Mello (PL) e sinalizou possível aliança com o PSD de Gilberto Kassab em território catarinense.

O gesto político ocorreu no sábado (7/2), logo após Carlos visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília. Ao deixar o encontro com o pai, o chamado “02” fez uma ligação estratégica ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que já se posiciona como pré-candidato ao governo de Santa Catarina em 2026, em confronto direto com Jorginho.

Segundo apuração da coluna do jornalista Igor Gadelha, Carlos iniciou a conversa pedindo desculpas por críticas feitas ao prefeito no passado e foi direto ao ponto: quis saber se Rodrigues o apoiaria como candidato ao Senado em sua eventual chapa majoritária. A resposta, de acordo com fontes do PSD, foi positiva. João Rodrigues teria afirmado que, em consideração a Jair Bolsonaro, aceitaria Carlos como candidato a senador em seu palanque.

O movimento não parou por aí. Carlos fez questão de relatar a conversa ao próprio governador Jorginho Mello. De acordo com fontes do PL, o ex-vereador deixou claro que, caso não fosse acolhido na chapa governista, poderia migrar para o projeto do PSD, reforçando o palanque adversário. O recado foi interpretado como uma tentativa de pressão direta para assegurar espaço na disputa.

Jorginho, por sua vez, respondeu afirmando que deseja compor a chapa ao Senado com Carlos Bolsonaro e a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC). O desenho, no entanto, enfrenta resistências internas. Caroline também encontra obstáculos dentro do partido, enquanto o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defende outro arranjo: a manutenção de uma das vagas para o senador Esperidião Amin (PP-SC), que tentará a reeleição e é aliado estratégico do grupo bolsonarista no estado.

O impasse revela um tabuleiro complexo. De um lado, Carlos busca consolidar sua entrada definitiva na política catarinense, apoiado no capital eleitoral do sobrenome Bolsonaro. De outro, Jorginho precisa equilibrar interesses regionais, alianças históricas e a pressão da direção nacional do partido. A possível presença de Amin na chapa adiciona mais um elemento à equação, comprimindo o espaço disponível.

Apesar do ruído, aliados do governador e de Valdemar minimizaram o episódio. A avaliação nos bastidores é de que Carlos agiu para se valorizar politicamente e reforçar sua posição nas negociações internas, demonstrando que possui alternativas fora do PL caso não seja contemplado.

O episódio escancara a disputa pelo protagonismo da direita em Santa Catarina, estado considerado estratégico para o bolsonarismo em 2026. Com o PSD avançando sobre lideranças conservadoras e João Rodrigues consolidando-se como adversário competitivo, o jogo sucessório promete ser marcado por alianças inesperadas, pressões públicas e rearranjos partidários.

No centro desse xadrez político, Carlos Bolsonaro tenta transformar seu sobrenome em trunfo eleitoral no Sul do país — e deixa claro que não pretende ser coadjuvante na definição das chapas majoritárias.

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