segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

COLUNA POLÍTICA | O QUE SE TEME TANTO EM UMA INVESTIGAÇÃO? | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

O QUE HÁ DE MEDO EM JOÃO CAMPOS? UMA DEFESA A TODO CUSTO — OU BLINDAGEM POLÍTICA? UMA DEFESA QUE VIRA ACUSAÇÃO!

LINHA DO TEMPO DOS FATOS QUE MOSTRAM A ESTRATÉGIA

🔹 OUTUBRO DE 2024 – INÍCIO DA APURAÇÃO DO GAECO
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do Gaeco, passa a investigar supostas irregularidades em contratos milionários da Prefeitura do Recife — com indícios de fraude, conluio e movimentações atípicas envolvendo servidores e empresários, num esquema que começou sob a gestão de João Campos e somava mais de R$ 118 milhões. 

🔹 AGOSTO DE 2025 – OPERAÇÃO “BARRIGA DE ALUGUEL”
Com o procedimento mais robusto, operadores financeiros e servidores ligados à gestão municipal viram seus sigilos fiscal e bancário requisitados. Isso incluiu secretários e agentes políticos próximos ao prefeito. 

🔹 FINAL DE JANEIRO DE 2026 – DECISÃO NO STF
Em uma guinada política, o PSB — partido presidido nacionalmente por João Campos — recorre ao ministro Gilmar Mendes (STF) pedindo o trancamento da investigação. Mendes acolhe o pedido monocraticamente e corta o avanço das apurações estaduais, alegando “desvio de finalidade” e ausência de definição clara dos fatos investigados. 

🔹 30 JAN.–1º FEV. 2026 – EPISÓDIO DA ARAPONGAGEM
A decisão de Mendes vai além: ele determina que a Polícia Federal investigue um suposto monitoramento ilegal (espionagem) contra aliados de João Campos, incluindo seu secretário de Articulação Política e Social — acusação prontamente usada pelo prefeito para denunciar “perseguição política”.

O TRANCAMENTO: UM “MILAGRE” NO STF NO MOMENTO CERTO

O trancamento da investigação do Gaeco não veio por acaso num ano eleitoral. A decisão foi tomada Logo depois de a apuração ter sido validada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, que havia afastado teses de nulidade e determinado a continuidade das diligências. Dois dias depois, Mendes suspende tudo a pedido do PSB. 

Esse timing levanta a seguinte pergunta: seria isso uma manobra jurídica desesperada para salvaguardar o prefeito de provas que podem ser devastadoras politicamente? A aparência é essa — e a crítica pública já está acesa. Muitos opositores e grupos de fiscalização veem o recurso ao STF não como defesa técnica legítima, mas como uma técnica de neutralização de riscos eleitorais.

A “NARRATIVA DE PERSEGUIÇÃO” — ARMADILHA POLÍTICA

A gestão de João Campos adotou uma linha de ataque: transformar um procedimento técnico de investigação sobre uso de recursos públicos em uma história de “perseguição política”. A decisão do STF inclui, de fato, a instauração de investigação pela PF sobre suposto monitoramento sem autorização judicial. 

Porém, esse movimento político tem um efeito colateral questionável: desviar o foco de uma apuração administrativa séria para um espetáculo midiático de vítimas e perseguidores. Ao invés de responder às suspeitas de irregularidades com transparência, a gestão aposta no enfraquecimento da investigação e na transformação de um possível problema de gestão em um problema de ordem pública e eleitoral.

ESTRATÉGIA DE BLINDAGEM

Não é apenas jurisprudência técnica ou defesa de garantias constitucionais — trata-se de ação política calculada:

  • Blindagem jurídica em um momento crítico: ao pedir o trancamento, o PSB e João Campos conseguiram frear um procedimento que poderia gerar provas materiais de irregularidade em contratos públicos milionários, exatamente quando a narrativa eleitoral se acirra. 

  • Narrativa de vitimização: ao transformar o debate em algo sobre “espionagem” e “perseguição”, a gestão tenta deslocar o foco para um discurso de injustiça, em vez de enfrentar as questões administrativas levantadas pelo MPPE. 

  • Timing estratégico: operar uma intervenção no STF logo após uma decisão judicial local que reafirmou a investigação cria a sensação de que a tática foi pensada para neutralizar um problema político antes que ele cresça demais.

Essas ações não são neutras ou menores — elas moldam o quadro político em que João Campos tenta se projetar como candidato ao Governo de Pernambuco em 2026.

CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS E IMAGEM PÚBLICA

A crítica mais ácida não é simplesmente sobre “medo de investigação”. É sobre:

👉 Desespero para controlar o processo e as narrativas antes que possam causar estragos eleitorais.
👉 Uso de instâncias judiciais superiores como ferramenta política, não apenas como defesa técnica.
👉 Construção de um discurso de injustiça que pode ganhar tração mais pela emoção do que pelos fatos — enquanto o mérito da investigação original é engavetado.

Nesse sentido, o comportamento de João Campos revela mais do que apenas estratégia jurídica: é uma tentativa de controlar o ambiente político por via judicial, antes que a política — nas urnas — dite o veredito dos eleitores.

MEDO OU CÁLCULO?

A pergunta provocativa — o que há de medo em João Campos? — ganha uma resposta ainda mais crítica:

Não é apenas medo de investigação — é medo do impacto político de uma investigação que poderia expor falhas administrativas, reforçar críticas à gestão de recursos públicos e alimentar narrativas de oposição em um ano eleitoral.

Ao preferir o caminho tortuoso de soluções judiciais a enfrentar diretamente questões administrativas e de transparência, a gestão de João Campos escolhe uteis legalismos para evitar desconfortos políticos. Essa escolha, no entanto, pode custar caro em termos de confiança pública e de imagem diante de uma população que quer respostas, e não manobras.

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