domingo, 1 de fevereiro de 2026

JUSTIÇA AUTORIZA GILSON MACHADO A DEIXAR O RECIFE APÓS MESES DE RESTRIÇÕES JUDICIAIS

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado voltou ao centro do noticiário político pernambucano neste fim de semana ao anunciar que a Justiça autorizou o fim das restrições que o impediam de sair do Recife. A decisão encerra um período de aproximadamente 230 dias em que ele permaneceu limitado à capital pernambucana por determinação judicial, após ter sido alvo de investigação da Polícia Federal.

Gilson foi detido sob suspeita de envolvimento em uma tentativa de emissão de passaporte no Consulado Português, no Recife, que teria como objetivo viabilizar a saída do país do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde o início, o ex-ministro negou qualquer irregularidade. Ele sustentou que seu único contato com o consulado português teria sido para tratar da renovação do passaporte de seu pai, que possui cidadania lusitana. Apesar da prisão ter sido breve, as medidas cautelares impostas pela Justiça o mantiveram por meses sob restrições de deslocamento e, por determinado período, também de uso das redes sociais.

A revogação da limitação geográfica foi comemorada publicamente. Em vídeo divulgado nas redes, Gilson demonstrou entusiasmo ao relatar que agora poderá retomar compromissos fora do Recife, inclusive relacionados às suas atividades empresariais. A notícia também surpreendeu aliados políticos. Um dos primeiros encontros após a liberação foi com o vereador Gilson Filho, ocorrido na propriedade do ex-ministro, momento em que ambos registraram a reação à decisão judicial.

O desfecho dessa etapa judicial ocorre em meio a um cenário de incertezas na trajetória política de Gilson Machado. Durante o período em que esteve sob restrições, ele tentou viabilizar seu nome como pré-candidato ao Senado Federal pelo PL em Pernambuco. No entanto, a articulação não avançou como esperado. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, demonstrou preferência pelo nome do dirigente estadual Anderson Ferreira para a disputa majoritária, o que enfraqueceu o espaço de Gilson dentro do partido.

Sem o respaldo necessário e diante de um ambiente político adverso — agravado pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma das principais referências de seu campo político — Gilson optou por se desfiliar do PL. A saída marcou uma reconfiguração importante em seu futuro eleitoral. Embora ainda não tenha oficializado novo destino partidário, interlocutores próximos indicam que as conversas com o Podemos estão em estágio avançado. A sigla avalia lançar o ex-ministro como candidato a deputado federal, apostando em sua visibilidade nacional e na base de apoiadores que mantém em Pernambuco.

A liberação para circular fora do Recife, portanto, não representa apenas um alívio pessoal, mas também um movimento com impacto direto em seus planos políticos. Com maior liberdade de agenda, Gilson Machado passa a ter condições de intensificar articulações, participar de eventos e reforçar sua presença em diferentes regiões do Estado, num momento em que o tabuleiro eleitoral começa a se desenhar com mais nitidez.

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