Com o volume acima do normal, o Velho Chico entrou em um estágio conhecido pelos moradores como o momento em que o rio começa a “vazar”. O fenômeno é natural em períodos de cheia e ocorre quando as águas ultrapassam o leito principal, espalhando-se por áreas laterais e alimentando lagoas marginais. Em Bom Jesus da Lapa, a Lagoa da Lapa — situada nas proximidades do centro urbano — já começou a receber água do rio, alterando a paisagem e reacendendo memórias de grandes cheias do passado.
Para pescadores e famílias que vivem próximas às margens, a cena traz um misto de esperança e cautela. A chegada da água às lagoas costuma favorecer a reprodução de peixes e renovar ecossistemas locais, mas também serve como sinal de alerta para possíveis transtornos, caso o nível continue subindo. A movimentação do rio é acompanhada de perto por quem depende diretamente dele para sustento e sobrevivência.
Outro ponto simbólico que já sente os efeitos da elevação é a Barrinha, um dos principais cartões-postais e áreas de lazer da cidade. No local, a água começou a invadir parte de um dos quiosques, evidenciando que o avanço do rio é gradual, porém constante. A cena, que chama a atenção de moradores e visitantes, também reforça a necessidade de monitoramento contínuo por parte das autoridades municipais e da Defesa Civil.
A cheia é reflexo direto do grande volume de água que desce do Norte de Minas Gerais, resultado das chuvas intensas registradas nas últimas semanas. O aumento do fluxo dos principais afluentes da bacia do São Francisco tem impulsionado a subida do nível ao longo do curso do rio, gerando impactos sucessivos em cidades ribeirinhas.
Embora o fenômeno seja esperado nesta época do ano, cada centímetro a mais no nível do rio representa uma nova variável no cotidiano da população local. Em Bom Jesus da Lapa, o Velho Chico volta a ocupar espaços que, por meses, permaneceram secos, redesenhando o cenário natural, mexendo com a rotina da cidade e lembrando a força cíclica de um dos rios mais importantes do Brasil.
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