sábado, 28 de fevereiro de 2026

LULA COBRA ZEMA E DIZ QUE MINAS NÃO APRESENTOU PROJETOS PARA GARANTIR R$ 3,5 BILHÕES DO PAC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ao afirmar que o Estado deixou de apresentar projetos necessários para viabilizar a aplicação de R$ 3,5 bilhões disponibilizados pelo governo federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A declaração ocorreu nesta sexta-feira (27), durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades, realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília.

Em tom de cobrança pública, Lula questionou o que caberia ao governo mineiro fazer diante da liberação dos recursos federais. Segundo ele, a obrigação seria encaminhar projetos técnicos e a documentação exigida para que as obras pudessem ser contratadas e executadas. Ao seu lado, o ministro das Cidades, Jader Filho, reforçou que, até o momento, nenhum projeto teria sido formalmente apresentado pela gestão estadual dentro das exigências do PAC.

A crítica ocorre em meio a um cenário dramático enfrentado por Minas Gerais. Desde a madrugada da última segunda-feira (23), fortes temporais atingem cidades como Juiz de Fora e Ubá, provocando destruição, deixando mais de 60 mortos e ampliando a pressão sobre o poder público por ações emergenciais e estruturais de prevenção.

Dados do Portal da Transparência de Minas Gerais mostram que os investimentos estaduais em infraestrutura voltada ao enfrentamento de danos provocados por chuvas despencaram 96% entre 2023 e 2025. Os gastos passaram de R$ 134,8 milhões para apenas R$ 5,8 milhões no período. Os números reforçam o debate político sobre a prioridade dada à prevenção de desastres naturais em um estado historicamente vulnerável a enchentes e deslizamentos.

Durante o evento, Lula defendeu que o PAC foi reestruturado justamente para apoiar estados e municípios na execução de obras de drenagem, contenção de encostas, habitação e mobilidade urbana, sobretudo em regiões afetadas por eventos climáticos extremos. O presidente destacou que o governo federal tem buscado ampliar o diálogo federativo, mas reiterou que a execução dos recursos depende da apresentação de propostas técnicas consistentes.

O embate entre Planalto e governo mineiro adiciona tensão ao cenário político nacional, especialmente em um momento de comoção social diante das perdas humanas e materiais registradas em Minas. Enquanto a população cobra respostas rápidas, o debate sobre responsabilidade administrativa e planejamento de longo prazo ganha centralidade na arena pública.

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