quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

PERNAMBUCO ENTRA EM MODO PRÉ-CAMPANHA E BASTIDORES PEGAM FOGO NA DISPUTA PELO PALÁCIO DO CAMPO DAS PRINCESAS

Passado o período momesco, tradicionalmente marcado por encontros informais, jantares discretos e conversas longe dos holofotes, o cenário político de Pernambuco começa a assumir contornos mais nítidos. O Carnaval, que para muitos simboliza apenas festa e descontração, funcionou este ano como pano de fundo para articulações decisivas visando a eleição estadual que se aproxima. Agora, encerrada a folia, o que era especulação ganha densidade política, e as chapas majoritárias começam a ser desenhadas com mais clareza.

No campo governista, a governadora Raquel Lyra, que buscará a reeleição pelo Partido Social Democrático (PSD), intensificou conversas estratégicas nos bastidores. Às vésperas do Carnaval, ganhou força a informação de uma reunião reservada com o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, uma das principais lideranças do União Brasil no estado.

Segundo relatos de interlocutores próximos às negociações, a governadora teria apresentado uma proposta considerada ousada: destinar as duas vagas ao Senado à federação formada por União Brasil e Progressistas (PP). A movimentação teria como objetivo consolidar uma aliança robusta no campo da centro-direita, ampliando o palanque da reeleição e garantindo musculatura política no interior e na Região Metropolitana.

Procurado, Miguel Coelho confirmou o encontro, mas adotou o tom cauteloso típico do período pré-eleitoral, evitando detalhar o conteúdo das conversas. O silêncio estratégico reforça a leitura de que o diálogo está em curso e que qualquer definição prematura pode alterar o delicado equilíbrio das negociações.

Outro nome que circula com força nesse tabuleiro é o do deputado federal Eduardo da Fonte, pré-candidato ao Senado pelo PP. Durante o Carnaval, Raquel esteve ao lado do parlamentar em um encontro da Assembleia de Deus, gesto interpretado por aliados como sinal claro de aproximação política em meio às discussões sobre a formação da chapa majoritária.

Apesar das especulações envolvendo possíveis mudanças na vice-governadoria — incluindo comentários sobre o senador Fernando Dueire, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) — fontes próximas ao Palácio indicam que a tendência é de manutenção da atual vice-governadora Priscila Krause. Internamente, a avaliação é de que a parceria permanece sólida e que, neste momento, não há decisão formal que aponte para alteração na composição.

Do outro lado do tabuleiro, o prefeito do Recife, João Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), também utilizou o período carnavalesco para avançar em articulações. Sua presença em compromissos públicos ao lado de Miguel Coelho foi observada com atenção por lideranças políticas, indicando que o prefeito trabalha para ampliar pontes inclusive com setores mais ao centro.

João também manteve agendas com o ministro e pré-candidato ao Senado Silvio Costa Filho, do Republicanos, reforçando o diálogo com diferentes forças políticas. Ao mesmo tempo, buscou consolidar relações no campo da esquerda, participando de encontros com o senador Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT), e com a pré-candidata ao Senado Marília Arraes, atualmente no Solidariedade.

A leitura entre aliados é de que João Campos trabalha para montar uma frente ampla, com capilaridade regional e sustentação partidária diversificada, capaz de polarizar com a governadora e apresentar uma alternativa competitiva ao eleitorado pernambucano.

Com o calendário eleitoral avançando, abril surge como marco informal para definição das principais chapas. A partir desse ponto, alianças precisarão estar mais consolidadas, discursos mais alinhados e estratégias mais claras. O tempo das conversas reservadas começa a dar lugar às decisões públicas.

O Carnaval foi apenas o aquecimento. Agora, Pernambuco entra oficialmente em modo pré-campanha. De um lado, uma governadora que busca consolidar apoios para garantir a reeleição. Do outro, um prefeito da capital que articula para liderar a oposição e ampliar seu arco de alianças.

No xadrez político que se desenha, cada movimento é calculado. E, como em toda disputa majoritária, não basta apenas dialogar — será preciso transformar bastidores em palanques e articulações em votos.

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