quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

PSD VEM FORTE E REDESENHA O TABULEIRO POLÍTICO EM PERNAMBUCO SOB A LIDERANÇA DE RAQUEL LYRA

Ao mesmo tempo em que acelera as articulações para a formação da sua chapa majoritária ao Senado, a governadora Raquel Lyra tem atuado pessoalmente na construção de uma estratégia que pode reposicionar o PSD como uma das forças centrais da política pernambucana nas eleições de outubro. O movimento vai além das negociações de bastidores e alcança diretamente a montagem das chapas proporcionais, tanto para a Câmara Federal quanto para a Assembleia Legislativa, num esforço coordenado para ampliar a presença do partido no Congresso e no Parlamento estadual.

Atualmente, o único deputado federal filiado ao PSD em Pernambuco é Fernando Monteiro. No entanto, o cenário tende a mudar significativamente. Estão em fase avançada de definição os deputados federais Junior Uchoa e Mendonça Filho, dois nomes com densidade eleitoral e trajetória consolidada, que podem reforçar a legenda. Soma-se a esse grupo o secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho, que, pela expressiva votação obtida há quatro anos, é considerado nos bastidores uma aposta segura para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Caso essas articulações se confirmem, o PSD poderá disputar com competitividade e chegar a ocupar até quatro das 25 cadeiras federais que estarão em jogo no estado.

A movimentação não se limita aos atuais federais. Os deputados estaduais Socorro Pimentel e Izaías Régis também devem disputar vagas na Câmara Federal, ampliando o leque de candidaturas competitivas da sigla. O desenho que se forma é o de uma chapa robusta, com nomes de diferentes regiões do estado, o que fortalece a estratégia de capilaridade eleitoral.

Embora a governadora lidere um partido que, segundo a mais recente pesquisa Datafolha, registra 61% de aprovação em Pernambuco, o desafio é significativo. Em 2022, o PSD não conseguiu eleger representantes nem para a Assembleia Legislativa nem para a Câmara Federal. Naquele pleito, o principal nome da legenda, André de Paula — hoje ministro da Pesca e Aquicultura — optou por disputar o Senado na chapa encabeçada por Marília Arraes. André ainda não definiu se será candidato este ano, decisão que pode influenciar diretamente o desempenho eleitoral da sigla.

O avanço do PSD também passa pela forte presença municipal construída ao longo do último ano. Raquel Lyra conseguiu filiar ao partido quase metade dos prefeitos pernambucanos, ampliando sua base territorial. No entanto, muitos desses gestores já mantinham compromissos políticos firmados com deputados federais de outras legendas, que ao longo dos mandatos enviaram emendas e cultivaram relações próximas com as administrações municipais, inclusive apoiando campanhas nas eleições de 2024. Essa realidade impõe limites à migração automática de apoios, exigindo da governadora habilidade política para equilibrar interesses.

Nos bastidores, aliados relatam que Raquel tem adotado uma postura cautelosa ao respeitar os espaços de partidos que integram sua base, como PP, Podemos e Avante, evitando conflitos diretos na montagem das chapas proporcionais. O objetivo é fortalecer o campo governista como um todo, sem comprometer alianças estratégicas.

Na disputa pela Assembleia Legislativa, o PSD também trabalha para consolidar uma bancada expressiva. Já confirmaram filiação os deputados Débora Almeida e Joãozinho Tenório, enquanto o futuro político de Aglailson Victor, que deixa o PSB e se engajou na campanha da governadora, ainda está em aberto. Paralelamente, o tabuleiro estadual se movimenta com a possível ida de Dannilo Godoy, Franz Hacker e Romero Sales para o PP, que pode alcançar 11 deputados estaduais após a janela partidária. Outros aliados do governo, como Luciano Duque, Wanderson Florêncio e Gustavo Gouveia, devem se filiar ao Podemos.

Dentro do PSD, surgem ainda nomes considerados competitivos para a disputa estadual, como o ex-prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel, e a primeira-dama de Jaboatão dos Guararapes, Andrea Medeiros, ampliando o espectro de candidaturas com potencial de votos regionais.

Com uma governadora bem avaliada, uma base municipal em expansão e negociações intensas para atrair quadros experientes, o PSD entra na corrida eleitoral com a ambição de sair do desempenho discreto de 2022 para ocupar papel de protagonismo no cenário político pernambucano. A consolidação desse projeto dependerá da capacidade de manter a coesão da base e transformar articulações em votos nas urnas.

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