A substituição ocorreu na última sexta-feira (20), quando o então presidente estadual, Cláudio Carraly, foi destituído do cargo. Não apenas ele, mas todos os integrantes da antiga executiva foram substituídos por nomes ligados ao novo comando. A troca encerra um período de indefinição interna e redesenha o posicionamento político da legenda em Pernambuco.
Nos bastidores, a mudança já era considerada esperada desde que o Congresso Nacional do Cidadania, realizado em 2022, foi anulado pela Justiça no ano passado, o que levou Roberto Freire a reassumir a presidência nacional da sigla. A partir daí, iniciou-se um processo de reorganização interna em vários estados, incluindo Pernambuco.
Em declaração ao Blog Dantas Barreto neste domingo (22), Roberto Freire afirmou que o foco da legenda agora é estruturar o partido para a disputa proporcional, com o objetivo de eleger deputados federais e superar a cláusula de barreira. Segundo ele, o tempo é curto. “Estamos trabalhando e correndo contra o tempo perdido”, afirmou, lembrando que a janela partidária e o prazo final de filiação se encerram em 4 de abril.
Em Pernambuco, no entanto, o gesto político mais relevante é o alinhamento com a governadora. Roberto Freire admitiu que a tendência é repetir o apoio dado em 2022. Naquele ano, a então candidata a vice-governadora Priscila Krause disputou a eleição pelo Cidadania, embora atualmente esteja filiada ao PSD. “Tenho impressão que vamos seguir novamente com Raquel, até porque fazemos parte do Governo”, declarou.
A nova configuração representa uma vitória estratégica para Raquel Lyra. Antes da mudança, o grupo comandado por Cláudio Carraly defendia apoio ao prefeito do Recife, João Campos, e articulava uma possível federação nacional entre o Cidadania e o PSB. Com a troca de comando, esses planos foram desfeitos e o partido passa a caminhar em direção oposta.
O fato de João Freire também estar à frente da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), órgão vinculado ao Governo do Estado, reforça a sintonia institucional e política com a atual gestão. O movimento sinaliza não apenas apoio, mas integração à base governista.
Na prática, a governadora amplia seu arco de alianças e reduz espaços para adversários na construção de palanques para 2026. Em um cenário onde cada partido pode ser decisivo na formação de chapas competitivas, a reorganização do Cidadania em Pernambuco consolida mais um apoio relevante ao projeto de continuidade administrativa de Raquel Lyra, transformando uma mudança interna partidária em ganho político direto para o governo estadual.
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