sexta-feira, 24 de abril de 2026

AFAGO DE JOÃO CAMPOS A TADEU ALENCAR DESENCADEIA REAÇÃO DE GONZAGA E ELEVA TENSÃO NO PSB

Uma articulação que tinha como objetivo reorganizar internamente o PSB após desgastes recentes acabou produzindo efeito contrário e ampliando a tensão entre lideranças da legenda. A tentativa de acomodar o deputado federal Tadeu Alencar após a saída conturbada de um espaço ministerial abriu uma disputa inesperada em torno da suplência da bancada pernambucana na Câmara dos Deputados.

Nos bastidores, o movimento teria sido conduzido pelo prefeito do Recife, João Campos, que buscava uma solução política para minimizar o desgaste envolvendo o aliado. A proposta discutida era viabilizar o retorno de Tadeu à Câmara ainda nesta legislatura, como forma de recomposição interna e gesto de fortalecimento do grupo político.

A articulação, porém, encontrou um obstáculo logo na sua estrutura básica: Tadeu Alencar não é o primeiro suplente da legenda, mas o segundo. A posição é ocupada pelo ex-deputado federal Gonzaga Patriota, nome de forte tradição eleitoral e com histórico consolidado no partido.

A partir daí, o que seria uma acomodação interna passou a exigir uma engenharia política mais complexa. Para que o plano se concretizasse, seriam necessárias duas licenças simultâneas de deputados federais do PSB — condição considerada difícil no atual cenário político, especialmente com o calendário eleitoral em andamento.

A situação ganhou novos contornos quando Gonzaga Patriota reagiu às informações que circularam publicamente sobre a possibilidade de rearranjo da suplência. O ex-parlamentar afirmou ter interesse em reassumir o mandato caso haja vacância, reforçando sua posição na fila de suplência e deixando claro que não há disposição automática para abrir mão do espaço.

A manifestação de Gonzaga alterou o equilíbrio da discussão interna e colocou em xeque a alternativa que vinha sendo construída para atender Tadeu Alencar. Antes considerado um movimento de ajuste político relativamente simples, o cenário passou a exigir negociação direta com dois suplentes e possível rearranjo mais amplo da bancada.

Nos bastidores do PSB, a avaliação é de que a exposição antecipada da articulação contribuiu para o desgaste. O que era tratado inicialmente como uma solução interna acabou se tornando público antes de uma definição, gerando reações imediatas e travando a construção de consenso.

Com isso, o partido entra em um momento de indefinição. De um lado, a tentativa de recompor politicamente Tadeu Alencar; de outro, a posição firme de Gonzaga Patriota, que reivindica seu direito de assumir caso surja a oportunidade.

A disputa, agora, deixa de ser apenas uma questão de suplência e passa a refletir a dificuldade de alinhamento interno em torno de decisões estratégicas dentro do PSB em Pernambuco.

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