quarta-feira, 1 de abril de 2026

MENDONÇA FILHO SE PREPARA PARA DEIXAR UNIÃO BRASIL APÓS QUATRO DÉCADAS E SE APROXIMA DO PL EM MOVIMENTO QUE RECONFIGURA O TABULEIRO POLÍTICO EM PERNAMBUCO

Após mais de quatro décadas de fidelidade partidária ao antigo PFL e às siglas que o sucederam ao longo dos anos, o deputado federal Mendonça Filho se prepara para anunciar, nesta quarta-feira, uma mudança histórica em sua trajetória política. A decisão marca não apenas uma inflexão pessoal, mas também um reposicionamento estratégico com potencial de impacto no cenário político de Pernambuco e nas articulações nacionais para as eleições de 2026.

Atualmente filiado ao União Brasil — legenda que surgiu da fusão entre Democratas e PSL — Mendonça construiu sua carreira sob a égide do campo político de centro-direita, mantendo ao longo dos anos uma linha de atuação marcada pela estabilidade partidária. Agora, diante de um novo contexto político, ele se vê diante da primeira troca de partido de sua longa carreira, após receber convites de diferentes legendas, entre elas o PSD, ligado à governadora Raquel Lyra, e o Partido Liberal.

Apesar das alternativas, o próprio deputado confidenciou a aliados mais próximos que a tendência majoritária — estimada por ele em cerca de 90% — é de que sua escolha recaia sobre o PL. A decisão, segundo relatos de bastidores, é resultado de uma combinação de fatores políticos e pessoais. De um lado, pesaram os convites diretos feitos pelos senadores Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, este último com quem mantém uma relação de proximidade política. De outro, a avaliação pragmática de que o novo partido oferece condições mais favoráveis para a renovação de seu mandato na Câmara dos Deputados.

Nos últimos dias, Mendonça intensificou conversas com aliados, correligionários e lideranças políticas para amadurecer sua decisão. Mesmo ainda filiado ao União Brasil, atuou nos bastidores para acelerar as articulações da Federação União Progressista — formada pelo PP e pelo próprio União Brasil — no sentido de garantir apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra. A missão foi considerada bem-sucedida, reforçando o papel do deputado como um articulador experiente e influente.

Ainda assim, a permanência na atual legenda já não se sustentava com o mesmo entusiasmo. Interlocutores próximos afirmam que Mendonça demonstrava desconforto com os rumos do partido, permanecendo mais por lealdade a lideranças como ACM Neto, vice-presidente da federação, e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado — este último, inclusive, atualmente projetado nacionalmente como possível presidenciável. A condução da legenda sob o comando de Antonio Rueda também não vinha alinhando plenamente com suas expectativas políticas.

O movimento do PL em direção a Mendonça não é recente. A legenda identificou no deputado um nome competitivo para disputar o Senado em Pernambuco e liderar, no estado, o palanque presidencial de Flávio Bolsonaro. Embora tenha recebido o convite com destaque e respaldo, Mendonça optou por manter o foco na Câmara Federal, onde acredita ter mais segurança eleitoral e maior espaço de atuação política. Dentro do PL, ele desponta como potencial um dos candidatos mais votados da sigla no estado.

As conversas com lideranças locais do partido já avançaram significativamente. Mendonça dialogou com o presidente estadual Anderson Ferreira, que deve disputar o Senado, além de manter alinhamento com nomes como André Ferreira e Coronel Meira, consolidando sua integração ao grupo político da legenda em Pernambuco.

Paralelamente às movimentações partidárias, o deputado também ganhou destaque nacional recente por sua atuação como relator da PEC da Segurança, tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto na comissão especial criada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. O relatório, fruto de intensas negociações com governadores, foi aprovado no plenário e consolidou Mendonça como uma das vozes relevantes no debate sobre segurança pública no país.

Mesmo com a iminente mudança de partido, o deputado faz questão de deixar claro que sua posição em relação ao governo estadual permanece inalterada. Ele seguirá apoiando a reeleição da governadora Raquel Lyra, destacando a amplitude da base política que ela vem construindo como fator que permite a convivência de diferentes correntes ideológicas em seu palanque. Ao mesmo tempo, sinaliza alinhamento com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e com a possível candidatura de Anderson Ferreira ao Senado, compondo um cenário político de alianças múltiplas e estratégicas.

A decisão final de Mendonça Filho, que será oficializada nas próximas horas, representa mais do que uma simples troca de partido: simboliza uma reconfiguração de forças, alianças e interesses em um momento decisivo da política pernambucana e nacional.

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