Nos bastidores da Câmara, o comentário é um só: acuado, Luciano resolveu partir para o ataque. A estratégia seria simples — espalhar ameaças de abertura de processos de cassação contra vereadores da oposição numa tentativa clara de criar medo, tensionar o ambiente e tentar recuperar uma autoridade que, politicamente, já parece derretida.
O problema para o presidente é que discurso agressivo não substitui apoio político. Hoje, o cenário dentro da Câmara seria devastador para Luciano Pacheco: dos 10 vereadores, apenas ele permanece em sua trincheira política. O isolamento é tamanho que parlamentares já falam abertamente em “fim de ciclo” na presidência da Casa.
As ameaças feitas por Luciano nos bastidores teriam aumentado ainda mais a revolta entre os colegas. Sem citar nomes, o presidente teria sinalizado que poderia abrir novas cassações já na próxima segunda-feira. A fala foi recebida como recado direto aos vereadores que articulam sua queda.
Mas juridicamente, a realidade é dura: presidente de Câmara não tem poder imperial. Não existe “canetada de cassação” feita por vontade individual. Qualquer processo exige denúncia formal, provas, comissão processante, direito de defesa e votação do plenário. Sem maioria, Luciano pode até ameaçar, mas não consegue sustentar sozinho medidas extremas dentro da Casa.
Entre vereadores, cresce a avaliação de que o presidente tenta usar o cargo como instrumento de pressão política num momento em que vê o chão escapar sob seus pés. A leitura nos corredores é que Luciano trocou o diálogo pela intimidação e a articulação pelo confronto aberto.
O efeito, porém, parece ter sido contrário. Em vez de frear a crise, o movimento aumentou ainda mais a disposição dos parlamentares de avançar contra ele. Há quem diga, inclusive, que as ameaças acabaram acelerando conversas sobre responsabilização política e quebra de decoro.
Arcoverde assiste hoje a uma Câmara mergulhada numa guerra interna sem precedentes recentes. De um lado, um presidente isolado tentando sobreviver politicamente. Do outro, uma ampla maioria decidida a mostrar que o poder dentro do Legislativo não pertence a um homem só.
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