terça-feira, 14 de julho de 2026

ANÁLISE - APROVAÇÃO EM ALTA MUDA O JOGO E CONSOLIDA RAQUEL COMO A CANDIDATA A SER BATIDA

A política costuma ensinar que nenhuma eleição é decidida com mais de dois meses de antecedência. Mas também ensina que existe um momento em que os números deixam de ser apenas estatísticas e passam a revelar tendências. É exatamente isso que a mais recente pesquisa do Paraná Pesquisas parece indicar em Pernambuco.

Ao atingir 65,7% de aprovação, Raquel Lyra chega a um patamar que poucos governadores conseguiram alcançar às vésperas de uma campanha de reeleição. Mais do que um índice elevado, trata-se de um percentual que demonstra uma percepção positiva consolidada sobre sua administração e que ajuda a explicar por que a governadora aparece, pela primeira vez em vários levantamentos recentes, à frente de João Campos na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.

Existe um detalhe que merece atenção. A pesquisa mostra que 48,6% classificam o governo como bom ou ótimo, enquanto apenas 19,7% o consideram ruim ou péssimo. Na prática, isso significa que a avaliação positiva supera a negativa em mais que o dobro, uma vantagem politicamente difícil de ser ignorada.

É claro que o cenário ainda é de empate técnico. A margem de erro impede qualquer leitura de eleição definida. João Campos continua sendo um adversário extremamente competitivo, possui forte recall eleitoral e lidera um grupo político experiente. Subestimar sua capacidade de reação seria um erro estratégico.

Mas também seria um erro minimizar o momento vivido por Raquel Lyra. O crescimento de sua aprovação não surgiu por acaso. Ele coincide com a intensificação das entregas do governo, grandes investimentos em infraestrutura, segurança pública, abastecimento de água, saúde e programas sociais. O eleitor parece começar a perceber essas ações, e isso se reflete diretamente nos números.

Outro aspecto relevante é o efeito psicológico que uma pesquisa produz no ambiente político. Prefeitos, vereadores, deputados e lideranças regionais costumam observar atentamente quem demonstra força eleitoral. Quando uma candidata aparece liderando e com alta aprovação, naturalmente cresce seu poder de atração sobre aliados que ainda permanecem indecisos.

A oposição, por sua vez, terá o desafio de reconstruir uma narrativa capaz de romper essa tendência. Até agora, a estratégia de apostar exclusivamente na popularidade de João Campos mostrou força durante boa parte do ciclo pré-eleitoral, mas encontra agora um governo em ascensão e uma governadora que chega à campanha com indicadores muito mais robustos do que muitos imaginavam no início do mandato.

Ainda há muito caminho até outubro. Debates, propaganda eleitoral, alianças e fatos políticos podem alterar o cenário. Entretanto, ignorar o significado desta pesquisa seria fechar os olhos para uma realidade evidente: Raquel Lyra entra na fase decisiva da disputa ocupando uma posição politicamente privilegiada.

Se a eleição fosse uma fotografia, ela mostraria uma governadora em crescimento, um governo amplamente aprovado e uma oposição obrigada a reorganizar sua estratégia. Agora resta saber se essa fotografia permanecerá a mesma quando as urnas forem abertas. Hoje, porém, uma conclusão parece inevitável: Raquel Lyra deixou de correr atrás e passou a ser a candidata que todos terão de tentar alcançar.

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