Embora as homenagens sejam prerrogativas legítimas do Poder Legislativo, chama atenção o momento político em que acontecem. A poucos meses das eleições, a cerimônia reúne, no mesmo palco, três dos principais nomes que estarão nas urnas em 2026, em um evento que inevitavelmente ganha contornos de demonstração de força política.
Na prática, a solenidade tende a funcionar como um grande encontro de aliados, reunindo militantes, lideranças partidárias e apoiadores em um ambiente institucional. O que deveria ter como foco exclusivo o reconhecimento de trajetórias públicas acaba sendo visto por muitos como um palanque político disfarçado de sessão de homenagens.
É evidente que João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes possuem carreiras que podem justificar as honrarias. No entanto, a coincidência das três homenagens no mesmo evento, em pleno período de intensa movimentação pré-eleitoral, levanta questionamentos sobre a conveniência da escolha da data e sobre a utilização de espaços públicos para fortalecer projetos eleitorais.
Na política, o simbolismo fala alto. E, em Olinda, a sessão solene desta quinta-feira tem todos os ingredientes para ultrapassar o caráter meramente institucional e assumir o protagonismo de mais um capítulo da pré-campanha eleitoral em Pernambuco. Afinal, quando as homenagens coincidem com a estratégia política, a linha que separa reconhecimento público de ato eleitoral torna-se cada vez mais tênue.
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