quinta-feira, 27 de agosto de 2026

JOÃO CAMPOS ACIONA JUSTIÇA CONTRA RAQUEL LYRA E DENUNCIA SUPOSTO USO DA MÁQUINA PÚBLICA NA CAMPANHA

O candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos, decidiu endurecer o tom contra a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). A equipe jurídica do socialista prepara uma Ação Judicial de Investigação Eleitoral (Aije) com uma série de acusações que envolvem, segundo o PSB, supostos abusos de poder político e econômico, uso de recursos públicos e uma estrutura digital montada para atacar adversários.

As denúncias foram apresentadas nesta quinta-feira (27) pelo advogado do PSB, Rafael Carneiro, durante entrevista coletiva. Segundo ele, a ação será dividida em cinco frentes e também deverá ser levada a outros órgãos de controle e investigação.

Entre os pontos citados estão o suposto uso de ônibus escolares para transportar militantes durante a convenção do PSD, o alegado monitoramento de integrantes da Prefeitura do Recife por agentes da segurança pública, a utilização de uma aeronave do Governo de Pernambuco em agendas político-partidárias, gastos considerados excessivos com publicidade e a manutenção de marcas e slogans do governo em obras públicas durante o período vedado pela legislação eleitoral.

O advogado classificou os fatos como graves e afirmou que o PSB vê a existência de uma estrutura organizada para atingir João Campos politicamente.

“Esses graves fatos revelam uma engrenagem criminosa por parte do Governo do Estado de Pernambuco”, afirmou Rafael Carneiro, que também acusou a existência de uma espécie de “gabinete do ódio” financiado com recursos públicos para atacar adversários.

Cinco frentes de denúncia

De acordo com o advogado, ônibus escolares teriam sido identificados transportando pessoas durante a convenção que oficializou a candidatura de Raquel Lyra. O PSB pretende apresentar os registros como parte da investigação eleitoral.

Outro ponto levantado envolve a suposta utilização de agentes da segurança pública para monitorar clandestinamente o secretário da Prefeitura do Recife, Guilherme Monteiro. A acusação, caso formalizada, poderá provocar novas investigações sobre a atuação de servidores públicos durante o período eleitoral.

A terceira frente está relacionada ao avião adquirido pelo Governo de Pernambuco por aproximadamente R$ 60 milhões. Segundo Rafael Carneiro, a aeronave teria sido utilizada em compromissos de natureza política. O governo, por outro lado, sustenta que o equipamento também pode ser empregado em agendas administrativas.

O quarto eixo envolve publicidade oficial. O PSB acusa o Governo de Pernambuco de ter gasto cerca de R$ 5 milhões acima do limite que, na interpretação apresentada pelo partido, seria permitido pela legislação eleitoral no primeiro semestre deste ano. A equipe jurídica também questiona a presença de marcas e slogans governamentais em obras públicas nos três meses que antecedem a eleição.

Acusação mais pesada mira estrutura digital

O quinto ponto é considerado pelo PSB o mais grave: a existência de uma suposta estrutura digital destinada a atacar João Campos.

Rafael Carneiro afirmou que teria sido montada uma rede coordenada, supostamente custeada com dinheiro público, para desgastar a imagem do candidato socialista nas redes sociais.

O advogado citou uma gravação atribuída a Amisadai Andrade da Silva, servidor da Caixa Econômica Federal, na qual ele teria relatado que foi chamado pela governadora Raquel Lyra e recebido pagamentos para utilizar mais de 300 perfis nas redes sociais contra João Campos.

A acusação coloca a campanha eleitoral pernambucana em um novo patamar de tensão e promete provocar uma disputa jurídica paralela à corrida pelo Palácio do Campo das Princesas.

Caso será levado a vários órgãos

Segundo o PSB, os documentos e provas serão encaminhados à Polícia Federal, Justiça Eleitoral, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ministério Público e Controladoria-Geral da União (CGU).

A inclusão da CGU ocorre, segundo Rafael Carneiro, porque Amisadai Andrade da Silva é servidor da Caixa Econômica Federal, instituição vinculada ao Governo Federal.

As acusações ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes e, até o momento, representam a versão apresentada pela equipe jurídica de João Campos. A eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e da análise das provas pelos órgãos responsáveis.

A ofensiva judicial do PSB acrescenta mais um capítulo à disputa entre João Campos e Raquel Lyra, que vem ganhando intensidade à medida que a campanha avança em Pernambuco.

Nenhum comentário: