A eleição para o Governo de Pernambuco entra oficialmente na reta final em clima de disputa acirrada. A nova pesquisa do Paraná Pesquisas, encomendada pelo Diario de Pernambuco e divulgada nesta quarta-feira (30), mostra João Campos (PSB) com 49,1% dos votos válidos contra 48,6% de Raquel Lyra (PSD).
A diferença é de apenas 0,5 ponto percentual. Na prática, o levantamento retrata uma corrida eleitoral comprimida, na qual os dois principais candidatos aparecem numericamente separados por uma distância menor que a margem de erro estimada da pesquisa, de 2,7 pontos percentuais.
O levantamento foi realizado entre os dias 27 e 29 de setembro, portanto, já na última semana antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Foram entrevistados 1.352 eleitores em 57 municípios pernambucanos, por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-01835/2026.
O dado mais importante do levantamento talvez esteja justamente na fotografia de proximidade entre os dois candidatos. João aparece numericamente à frente nos votos válidos, mas a diferença é mínima e está dentro do intervalo de variação esperado pela margem de erro.
NA ESPONTÂNEA, O ELEITORADO TAMBÉM APARECE DIVIDIDO
Quando os pesquisadores não apresentam os nomes dos candidatos e deixam o eleitor declarar espontaneamente sua preferência, a distância fica ainda menor.
João Campos registra 36,7%, enquanto Raquel Lyra aparece com 36,5%. São apenas 0,2 ponto percentual separando os dois.
Esse recorte ganha importância porque mede o grau de identificação espontânea do eleitor com os candidatos. Mesmo sem a apresentação dos nomes, os dois aparecem praticamente empatados.
O levantamento mostra ainda um contingente expressivo de eleitores que não souberam ou não quiseram responder: 20,6%. Outros 5,2% declararam voto branco, nulo ou em nenhum dos nomes.
Somados, esses grupos representam 25,8% dos entrevistados na pergunta espontânea, mostrando que, mesmo na reta final, existe parcela relevante do eleitorado que ainda não manifesta uma escolha nominal nessa modalidade de pergunta.
NO CENÁRIO ESTIMULADO, A DIFERENÇA TAMBÉM É DE MEIO PONTO
Quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, João Campos aparece com 45,3%, enquanto Raquel Lyra soma 44,8%.
Mais uma vez, a distância é de apenas 0,5 ponto percentual.
Ivan Moraes (PSOL) aparece com 1,0%. Professora Camila (UP) e Renan Hallais (Missão) registram 0,4% cada. Victor Assis (PCO) tem 0,2%, enquanto Guilherme Fonseca (PSTU) aparece com 0,1%.
Nesse cenário, 4,4% dos entrevistados afirmaram que votariam branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados. Outros 3,5% não souberam ou não quiseram responder.
É justamente a transformação desses números que leva ao resultado de 49,1% para João e 48,6% para Raquel entre os votos válidos.
SEGUNDO TURNO REPETE O CENÁRIO DE PROXIMIDADE
O Paraná Pesquisas também testou uma eventual segunda etapa entre João Campos e Raquel Lyra.
O resultado novamente mostra uma diferença pequena.
João aparece com 46,9% das intenções de voto, enquanto Raquel registra 46,0%. A diferença é de 0,9 ponto percentual.
Brancos, nulos ou nenhum dos dois somam 4,3%, enquanto 2,8% não souberam ou não quiseram responder.
Quando são considerados somente os votos válidos, João chega a 50,5% e Raquel a 49,5%.
Ou seja, mesmo na simulação de segundo turno, o levantamento apresenta uma fotografia de proximidade entre os dois principais nomes da disputa.
O ELEITORADO ESTÁ DIVIDIDO POR PERFIS
Outro aspecto relevante da pesquisa está nos recortes demográficos. O levantamento mostra que a disputa não se distribui de maneira uniforme entre os diferentes segmentos do eleitorado.
Entre as mulheres, João Campos aparece com 49%, contra 41,1% de Raquel Lyra. Entre os homens, ocorre a inversão: Raquel chega a 49,2%, enquanto João registra 40,9%.
É uma diferença bastante acentuada por gênero e ajuda a explicar por que o resultado geral permanece tão apertado mesmo diante de diferenças importantes em determinados grupos.
Na divisão por idade, João apresenta 48% entre eleitores de 16 a 24 anos, contra 42,9% de Raquel. Entre os eleitores de 45 a 59 anos, o socialista aparece com 47%, contra 43,2% da governadora. Entre aqueles com 60 anos ou mais, João registra 44,1%, enquanto Raquel tem 43,4%.
Já nas faixas de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, Raquel aparece numericamente à frente. Nos dois grupos, a governadora registra 47,2%, enquanto João aparece com 43,9%.
ESCOLARIDADE TAMBÉM MOSTRA UMA ELEIÇÃO FRAGMENTADA
O recorte por escolaridade apresenta outra divisão.
Entre os entrevistados com ensino fundamental, João Campos aparece com 50,4%, contra 38,4% de Raquel.
Entre aqueles com ensino médio, a vantagem numérica passa para Raquel: 49,4% contra 42% de João.
O cenário se repete entre os entrevistados com ensino superior. A governadora registra 48,8%, enquanto João chega a 41,2%.
Os números mostram, portanto, que a disputa estadual é formada por diferentes blocos de eleitorado, com comportamentos distintos conforme gênero, idade e escolaridade.
UMA ELEIÇÃO QUE CHEGA À ÚLTIMA SEMANA SEM DISTÂNCIA CONFORTÁVEL
A pesquisa do Paraná Pesquisas entra em uma sequência de levantamentos que vêm retratando uma disputa bastante próxima entre os dois principais candidatos.
O dado específico desta pesquisa, porém, chama atenção pela fotografia produzida na reta final: na espontânea, a diferença é de apenas 0,2 ponto; na estimulada, 0,5 ponto; nos votos válidos do primeiro turno, 0,5 ponto; e no segundo turno, 0,9 ponto no cenário total.
É uma eleição em que pequenas oscilações podem alterar a fotografia apresentada por cada levantamento, especialmente porque a margem de erro estimada é de 2,7 pontos percentuais.
Outro elemento importante é a data do trabalho de campo. As entrevistas foram realizadas entre 27 e 29 de setembro, a poucos dias da votação. Portanto, trata-se de uma fotografia produzida quando a campanha já havia entrado em sua fase decisiva, mas não corresponde ao resultado das urnas.
O QUE OS NÚMEROS DIZEM
O Paraná Pesquisas não apresenta uma distância estatística confortável entre João Campos e Raquel Lyra. O que aparece é uma disputa concentrada nos dois principais candidatos, com os demais nomes somando percentuais pequenos.
A pesquisa também evidencia que os dois candidatos possuem desempenhos diferentes conforme os segmentos analisados. João apresenta vantagem entre mulheres, jovens e eleitores com ensino fundamental, enquanto Raquel aparece numericamente à frente entre homens, eleitores de 25 a 44 anos e entrevistados com ensino médio ou superior.
Na reta final, portanto, a principal característica revelada pelo levantamento é a proximidade.
Pernambuco chega aos últimos dias de campanha com João Campos e Raquel Lyra separados por poucos décimos na fotografia do Paraná Pesquisas. O levantamento registra uma vantagem numérica de João nos votos válidos, mas a diferença está dentro da margem de erro estimada.
Agora, a próxima grande referência será a votação de domingo. Até lá, a disputa permanece aberta nos números e qualquer leitura definitiva precisará esperar a apuração das urnas.
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