A pauta, em si, é relevante. João apresentou a proposta de zerar o IPVA para motoristas de aplicativo, buscando dialogar diretamente com uma categoria que ganhou peso nas grandes cidades. O problema não esteve necessariamente no tema da reunião, mas na fotografia política produzida pelo encontro.
Em uma eleição cada vez mais disputada pela imagem, pelo volume das ruas e pela demonstração de força dos grupos, uma agenda com público reduzido e sem a presença de lideranças políticas importantes da própria coligação acaba oferecendo material precioso para os adversários. E política, como se sabe, também é percepção.
A cena chama ainda mais atenção porque ocorre justamente depois de semanas em que setores ligados à campanha de João Campos passaram a questionar imagens das caminhadas de Raquel Lyra (PSD), tentando apresentar os eventos da governadora como menores do que seriam na realidade. Agora, uma fotografia de um encontro pequeno pode acabar sendo utilizada pelos adversários para construir uma narrativa semelhante em sentido contrário.
O problema para João Campos é que a campanha entrou oficialmente em uma fase decisiva. Restam aproximadamente quatro semanas até o encerramento da propaganda eleitoral e, até aqui, o candidato do PSB não conseguiu apresentar uma reação consistente nas pesquisas. Depois de aparecer durante meses na casa dos 40%, João passou a oscilar abaixo desse patamar em levantamentos recentes, enquanto Raquel Lyra vem sustentando vantagem em diferentes pesquisas.
É justamente nesse momento que cada movimento passa a ser observado com lupa.
A ausência de nomes da chapa majoritária, de candidatos proporcionais e de lideranças políticas no encontro também alimenta uma leitura inevitável nos bastidores: a de que a campanha precisa recuperar musculatura política e voltar a demonstrar força para além das redes sociais e das agendas mais controladas.
Não significa, evidentemente, que uma reunião pequena determine o resultado de uma eleição. Mas campanhas são construídas por símbolos, imagens e narrativas. E a fotografia desta sexta-feira certamente será explorada por quem está do outro lado.
João Campos ainda tem tempo para reagir. Quatro semanas, em uma eleição, podem representar uma eternidade. Mas também podem passar rápido demais para quem demora a perceber que precisa mudar a estratégia.
O desafio do socialista agora é transformar agenda, rua e articulação política em demonstração concreta de força. Caso contrário, uma candidatura que começou cercada de expectativas pode terminar a campanha enfrentando um problema muito maior do que os números das pesquisas: o de transmitir ao eleitorado a sensação de que perdeu o controle da disputa.
E em eleição majoritária, percepção de força também é voto.
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