O dado que mais chama atenção é o salto na média histórica dos investimentos estruturantes. Pernambuco saiu de um patamar que não alcançava R$ 7 bilhões para uma média de R$ 12 bilhões nos últimos três anos e sete meses. Ao todo, aproximadamente R$ 26 bilhões em recursos já estão garantidos ou em execução em projetos espalhados pelo Estado.
Na prática, a estratégia é transformar planejamento em obra, obra em infraestrutura e infraestrutura em crescimento econômico.
E os números começam a dar musculatura política ao discurso de que Pernambuco precisava voltar a investir pesado depois de anos convivendo com limitações fiscais e dificuldades para tirar grandes projetos do papel.
R$ 41 bilhões privados e indústria crescendo quase 20%
A iniciativa privada também passou a ocupar espaço importante nessa equação. Pernambuco já contabiliza mais de R$ 41 bilhões em investimentos privados captados, enquanto medidas de simplificação para abertura de empresas procuram tornar o ambiente de negócios mais competitivo.
O reflexo aparece na atividade econômica. A produção industrial pernambucana cresceu 19,7% em abril de 2026, desempenho muito acima da média nacional. O Estado também acumula um saldo de 197 mil novos empregos com carteira assinada.
A expectativa é que o PIB pernambucano alcance R$ 340 bilhões até o fim do ano, com renda per capita estimada em R$ 35,5 mil.
É justamente nesse ponto que os números deixam de ser apenas estatísticas e passam a ter peso político: investimento público, atração de empresas, geração de empregos e crescimento econômico formam uma narrativa que a governadora pretende levar para o eleitorado.
Educação, saúde e água entram na conta
A estratégia não está concentrada apenas em grandes obras de infraestrutura.
Mais de R$ 2 bilhões foram aplicados na educação, enquanto os seis grandes hospitais estaduais passam por reformas. No Hospital da Restauração, uma das principais unidades de saúde pública do Nordeste, a intervenção chega a R$ 65 milhões.
No interior, o saneamento ganhou um reforço de R$ 500 milhões para obras de adutoras. É um tipo de investimento que tem forte impacto político porque mexe diretamente com uma das maiores demandas históricas dos municípios: água.
A lógica é simples. Grandes obras ajudam a movimentar a economia, enquanto investimentos em saúde, educação e abastecimento permitem ao governo mostrar presença direta na vida da população.
Suape volta a ocupar o centro da estratégia econômica
No tabuleiro econômico pernambucano, Suape aparece como uma das peças mais importantes.
O porto registrou crescimento de 20% na movimentação no primeiro semestre de 2026. A expansão ocorre em um momento estratégico, com a Refinaria Abreu e Lima projetando dobrar sua capacidade para 260 mil barris por dia até 2028.
A infraestrutura portuária também está sendo ampliada. O canal externo foi homologado com 20 metros de calado e o canal interno recebeu obras de aprofundamento com investimento de R$ 248 milhões.
E há um projeto de R$ 2 bilhões que promete mudar ainda mais o perfil do complexo: o novo terminal da APM Terminals, que deverá ser o primeiro 100% eletrificado da América Latina e ampliar em 55% a capacidade de contêineres da região.
É Suape sendo colocado novamente no centro do projeto de desenvolvimento de Pernambuco.
A nova aposta: economia verde
A estratégia econômica também mira um mercado que pode definir os próximos anos: a transição energética.
Pernambuco trabalha na criação de uma linha de transmissão de leste a oeste e no mapeamento do potencial logístico para combustíveis verdes, como etanol e metanol.
A intenção é aproveitar a posição estratégica de Suape e a infraestrutura existente para atrair novos investimentos ligados à descarbonização, hidrogênio verde e combustíveis de baixo carbono.
A Zona de Processamento de Exportação de Suape também entra nesse planejamento, com a estruturação de uma governança específica para viabilizar o projeto.
Rodovias são o outro braço da estratégia
Não existe crescimento econômico sem logística. E é justamente aí que entra o plano de recuperação de 3.600 quilômetros de rodovias até o fim do ano.
A recuperação da malha estadual tem impacto direto sobre produtores, transportadores, comerciantes e empresas que dependem das estradas para movimentar mercadorias.
Mas a grande aposta continua sendo o Arco Metropolitano.
Com orçamento de R$ 632 milhões, a obra foi projetada para ligar diretamente a BR-232 à BR-101, criando uma alternativa para o tráfego pesado e reduzindo a pressão sobre os corredores urbanos da Região Metropolitana do Recife.
Mais do que uma estrada, o projeto representa uma peça de logística. E logística, em política econômica, significa competitividade.
A conta que começa a aparecer
A equação montada pelo governo é ambiciosa: responsabilidade fiscal para abrir espaço aos investimentos, obras públicas para melhorar a infraestrutura, atração de capital privado para gerar atividade econômica e uma agenda de longo prazo voltada para indústria, logística e energia limpa.
Raquel Lyra chega, assim, a uma fase em que pode apresentar números concretos para sustentar sua narrativa de gestão.
São R$ 12 bilhões de média anual em investimentos estruturantes, R$ 26 bilhões em recursos garantidos ou em execução, mais de R$ 41 bilhões em investimentos privados, R$ 2 bilhões na educação, R$ 500 milhões em saneamento, R$ 248 milhões na infraestrutura de Suape, R$ 632 milhões no Arco Metropolitano e R$ 65 milhões no Hospital da Restauração.
No cenário político de 2026, a disputa não será apenas por discursos. Será também pela capacidade de cada grupo apresentar ao eleitor uma história convincente sobre quem conseguiu fazer Pernambuco avançar.
E, nesse terreno, a governadora começa a colocar os números sobre a mesa.
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