Uma investigação da Polícia Civil de Pernambuco revelou suspeitas graves de envolvimento entre uma delegada de polícia e uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, a policial teria recebido R$ 50 mil por meio de uma transferência via Pix para repassar informações sigilosas dos sistemas policiais ao criminoso.
O caso veio à tona com os desdobramentos da Operação Sinalagma, que resultou na prisão da delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, no Distrito Federal, e de Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como um dos chefes da facção criminosa, capturado no Recife.
De acordo com o delegado Ney Luiz Rodrigues, responsável pelas investigações, os dois mantinham uma relação considerada “promíscua” pelos investigadores há mais de um ano. A polícia também apura indícios de que existia um relacionamento amoroso entre eles.
PIX DE R$ 50 MIL E ACESSO A SISTEMAS POLICIAIS
Segundo a investigação, Maria Virgínia, que atuava na Divisão de Polícia Administrativa da Polícia Civil do Pará, teria utilizado sistemas policiais para consultar informações restritas e repassá-las a Renato Henrique. Em contrapartida, receberia pagamentos e ofereceria proteção institucional a integrantes da organização criminosa.
A suspeita de corrupção ganhou força após a identificação de uma transferência de R$ 50 mil realizada pelo investigado para a delegada.
As conversas encontradas pelos investigadores também indicariam que a policial prometia proteção ao suspeito caso ele retornasse ao Pará, reforçando as suspeitas sobre a natureza da relação entre os dois.
CASO SUSPEITO COMEÇOU EM 2024
As apurações apontam que a aproximação entre a delegada e Renato Henrique teria começado em 2024, quando ele foi preso no Pará utilizando um documento falso.
Segundo a versão apresentada pelo delegado Ney Luiz Rodrigues, há suspeitas de que a própria policial teria criado uma situação para provocar a abordagem do homem. O registro policial relatava que ele teria batido no carro da delegada e, após uma discussão, outra equipe foi acionada para conduzi-lo à delegacia.
Apesar da suspeita envolvendo o documento falso, Renato acabou sendo liberado na ocasião. A polícia agora investiga as circunstâncias desse episódio e a possível relação com os acontecimentos posteriores.
VIAGENS E POSSÍVEL FAVORECIMENTO
Outro ponto levantado pela investigação envolve viagens e convites feitos pelo chefe do PCC à delegada. Segundo os investigadores, Renato teria custeado passagens para que Maria Virgínia viajasse a Pernambuco, pedindo que ela fosse sozinha.
Para a polícia, as mensagens e movimentações financeiras são elementos importantes para esclarecer a extensão da relação e os possíveis benefícios concedidos ao integrante da facção.
**OPERAÇÃO COMEÇOU EM 2025**
A Operação Sinalagma teve início em janeiro de 2025, quando Renato Henrique foi preso em Muro Alto, no município de Ipojuca, no Grande Recife. Posteriormente, ele foi colocado em liberdade e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
A prisão realizada na quinta-feira (15), no Recife, foi a segunda de Renato em Pernambuco, segundo as informações divulgadas sobre o caso.
Agora, os investigadores buscam esclarecer se houve outros pagamentos, compartilhamento de dados restritos e favorecimento a integrantes da organização criminosa.
O caso chama a atenção pela gravidade das suspeitas: uma agente pública que deveria atuar no combate ao crime é investigada por supostamente utilizar o acesso privilegiado aos sistemas policiais para beneficiar uma facção criminosa. As acusações ainda dependem da apuração e da análise da Justiça.
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