sexta-feira, 9 de outubro de 2026

HUMBERTO COSTA PRESSIONA RAQUEL LYRA POR APOIO A LULA E ADMITE: “PACIÊNCIA, VAMOS TRABALHAR PARA VENCER ASSIM MESMO”

A neutralidade da governadora Raquel Lyra (PSD) na disputa presidencial já começa a incomodar aliados do presidente Lula (PT). O senador Humberto Costa (PT) voltou a defender publicamente que a governadora pernambucana entre na campanha pela reeleição do petista, mas admitiu que o partido terá de seguir adiante mesmo se ela decidir não declarar apoio.

Em entrevista à Rádio CBN, nesta quinta-feira (8), Humberto afirmou que o alinhamento de Raquel com Lula seria importante para Pernambuco, principalmente pela continuidade de investimentos federais em obras de infraestrutura e programas sociais.

“E se a decisão não for a de marchar conosco, paciência, nós vamos trabalhar para vencer as eleições assim mesmo”, declarou o senador, numa sinalização de que o PT não pretende desistir da disputa caso a governadora mantenha sua posição.

A PRESSÃO PASSA PELOS INVESTIMENTOS

Humberto argumentou que Pernambuco recebeu recursos importantes do governo federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de transferências do Orçamento da União e de empréstimos destinados a obras rodoviárias e hídricas. Na avaliação do petista, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia comprometer a continuidade desses investimentos.

O senador também criticou propostas atribuídas ao candidato do PL para reduzir despesas do orçamento federal. Segundo Humberto, eventuais cortes poderiam atingir obras públicas e políticas sociais nas áreas de saúde e educação, com consequências para os estados.

RAQUEL MANTÉM A COERÊNCIA

Desde o fim do primeiro turno, Raquel Lyra tem sinalizado que pretende preservar a postura de neutralidade adotada durante a campanha. A governadora evita se vincular antecipadamente a Lula ou a Flávio Bolsonaro, mantendo espaço político para conduzir sua própria estratégia.

A cobrança de Humberto coloca em evidência o desafio enfrentado pela governadora: administrar a relação institucional com o governo federal sem necessariamente assumir compromisso eleitoral com o presidente.

O RECADO DO PT

Ao dizer que o partido seguirá trabalhando para vencer mesmo sem o apoio de Raquel, Humberto tenta demonstrar confiança na campanha de Lula, mas deixa claro que a governadora continua sendo alvo de pressão política.

Com a disputa presidencial entrando em uma nova fase, a decisão de Raquel ganha peso no tabuleiro pernambucano. Resta saber se ela manterá a neutralidade até o fim ou se as cobranças dos dois campos políticos vão produzir alguma mudança de posição.

Edney Souto | Blog do Edney

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