sexta-feira, 9 de outubro de 2026

JAMELÃO MOSTRA QUE TEM VOTO, PEITA PRESSÕES E GARANTE ESPAÇO PRÓPRIO NO GRUPO DE JÚNIOR DE RIVALDO EM SALOÁ

O presidente da Câmara apoiou Jarbas Filho e Fernando Monteiro, conquistou votação para seus candidatos e deixou um recado nos bastidores: estar na base do prefeito não significa abrir mão da própria força política.

Em política, discurso é discurso. Na hora da urna, porém, é o voto que separa quem apenas ocupa espaço de quem realmente tem força para negociar. Em Saloá, o vereador José Francisco Curvelo, o popular Jamelão (MDB), presidente da Câmara Municipal, chega ao pós-eleição com números que merecem atenção e uma mensagem direta para o cenário político local: tem grupo, tem eleitor e não pretende ser apenas mais um na fotografia do governo.

Integrante da base do prefeito Júnior de Rivaldo (PP), Jamelão trabalhou pelas candidaturas de Jarbas Filho (PSD), para deputado estadual, e Fernando Monteiro (PSD), para deputado federal. O resultado foi de 692 votos para Jarbas Filho e 772 para Fernando Monteiro no município. Uma votação que, embora distante dos números dos candidatos majoritários do grupo governista, evidencia a capacidade do vereador de mobilizar uma parcela do eleitorado em torno de seus próprios compromissos políticos.

O detalhe que apimenta essa história está nos bastidores. No início da campanha, Jamelão foi a público, durante pronunciamento na Câmara, para deixar claro que não aceitaria interferências na sua atuação eleitoral. Disse que tinha “munição” para recorrer ao Ministério Público caso fosse impedido de trabalhar pelas candidaturas que havia escolhido. Não foi um recado delicado, desses que se perdem no vento. Foi uma demonstração pública de que pretendia preservar seu espaço.

Agora, com a eleição encerrada, os votos entram na conversa. Jamelão continua na base de Júnior de Rivaldo, mas mostrou que sua atuação política não se resume a seguir automaticamente todas as escolhas do grupo. Em uma cidade onde alianças, cargos e apoios pesam nas decisões, conseguir levar votos para candidatos próprios representa capital político e amplia o poder de diálogo do vereador.

É preciso, porém, separar força própria de hegemonia eleitoral. Os números de Jarbas Filho e Fernando Monteiro não colocam Jamelão acima da estrutura governista, mas mostram que ele conserva uma parcela do eleitorado e tem condições de reivindicar reconhecimento dentro da aliança. Política não se mede apenas pela quantidade de votos de um candidato, mas também pela capacidade de cada liderança de entregar resultados e sustentar seus compromissos.

Jamelão tem vários mandatos no Legislativo, preside a Câmara e mantém atuação em pautas ligadas à saúde, às associações e às demandas da zona rural. Agora, acrescenta à sua trajetória um argumento eleitoral que poderá pesar nas próximas conversas do grupo.

A pergunta que fica em Saloá é simples: até onde vai a autonomia de quem está no governo, mas deseja manter voz própria? Jamelão resolveu testar esse limite durante a campanha e, depois das urnas, tem números para colocar na mesa.

NA LUPA: Jamelão não derrubou o prefeito, não virou dono dos votos de Saloá e tampouco rompeu com o governo. Mas mostrou que não quer ser tratado como figurante. Em política, quem entrega votos espera ser ouvido. E ignorar uma liderança que demonstra força nas urnas pode custar caro quando chegar a hora de montar o próximo tabuleiro eleitoral.

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