Em entrevista ao podcast Dose Dupla, o petista afirmou que considera a postura de Raquel compreensível diante dos acontecimentos do primeiro turno, mas avaliou que a disputa presidencial exige, na sua visão, uma posição mais clara.
“Me incomoda porque não é só Pernambuco. O que está em jogo são elementos cruciais da nossa soberania, dos direitos sociais de um país que pode ser entregue a outra nação, a um país como os Estados Unidos”, afirmou João Paulo.
O deputado, que integra uma ala do PT pernambucano com maior proximidade política da governadora, também reconheceu que Raquel tem motivos para estar contrariada com Lula. Antes do primeiro turno, a governadora havia pedido que o presidente não participasse de atos de campanha em Pernambuco. Lula acabou vindo ao Estado e subiu no palanque de João Campos (PSB), então adversário de Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco.
Para João Paulo, houve uma quebra de expectativa, mas isso não deveria ser suficiente para justificar a neutralidade da governadora na eleição presidencial.
“Entendo também a pressão que o presidente sofreu em relação à importância do PSB, o que o PSB fez. Eu acho que ela tem um motivo para estar chateada, mesmo. Houve o compromisso de não vir, mas acho que isso não é motivo suficiente para não apoiar a reeleição dele. Porque o que está em jogo é o país, a nossa soberania, nossa liberdade”, declarou.
A fala revela uma situação curiosa na política pernambucana. Raquel derrotou João Campos no primeiro turno, consolidou-se como principal força política do Estado e, agora, evita entrar diretamente na briga presidencial. Do outro lado, petistas como João Paulo tentam puxar a governadora para o campo de Lula, mesmo reconhecendo que a relação entre Raquel e o presidente ficou arranhada durante a campanha estadual.
João Paulo também fez uma cobrança à coordenação nacional da campanha de Lula. Na avaliação dele, o presidente e seus aliados deveriam ter procurado Raquel para uma conversa em Brasília, independentemente de ela já ter sinalizado ou não qual seria sua posição no segundo turno.
“Nós estamos agora discutindo o projeto de país, de nação, de soberania. Então, ela, como governadora eleita, era para ter sido chamada para essa reunião. E colocar ela como uma das coordenadoras do processo”, defendeu.
Questionado se um convite desse tipo não poderia gerar constrangimento diante da neutralidade anunciada pela governadora, João Paulo foi direto.
“Desde quando você não faz um convite com medo que as pessoas digam não? É uma decisão política, ao meu ver. Eu costumo dizer que o não a gente já tem”, respondeu.
A declaração coloca mais pressão sobre Raquel Lyra justamente no momento em que a governadora tenta preservar seu espaço de independência na disputa nacional. Depois de vencer João Campos e sair fortalecida das urnas, Raquel sabe que qualquer movimento em direção a Lula ou a Flávio Bolsonaro terá consequências políticas.
Por enquanto, a governadora prefere ficar fora do palanque presidencial. Mas, dentro do PT, já existe quem considere essa neutralidade um problema. E João Paulo, pelo visto, resolveu colocar o incômodo na mesa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário