O cantor baiano Netinho morreu na manhã desta terça-feira (13), em Salvador, aos 60 anos. Um dos nomes mais conhecidos da história do axé music, o artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que atinge o sistema linfático. Segundo informações divulgadas por sua equipe, a doença evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A notícia encerra a trajetória de um artista que ajudou a transformar o axé em um fenômeno nacional. Com voz marcante, presença de palco e músicas que atravessaram décadas, Netinho conquistou espaço no Carnaval, nas rádios e nas festas populares de diferentes regiões do Brasil.
Seu nome ficou especialmente ligado a “Milla”, canção que se tornou um dos grandes símbolos do gênero e que, até hoje, faz parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.
A despedida será reservada. Conforme comunicado da assessoria, o velório e a cremação ocorrerão em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos, atendendo a um desejo manifestado pelo próprio cantor.
DA BANDA BEIJO AO SUCESSO NACIONAL
Nascido em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido artisticamente como Netinho, descobriu ainda jovem sua ligação com a música. Depois de se mudar com a família para Salvador, aprendeu a tocar violão e se aproximou do ambiente musical que transformaria a capital baiana em uma das grandes referências da música popular brasileira.
A carreira ganhou projeção no fim dos anos 1980, quando ele assumiu os vocais da Banda Beijo. A música “Beijo na Boca” tornou-se um sucesso e ajudou a abrir as portas do mercado nacional para o cantor.
Em 1990, Netinho também participou de um momento marcante para a história do axé: a apresentação de um trio elétrico brasileiro em Turim, na Itália, durante a Copa do Mundo. A iniciativa levou a energia do Carnaval baiano para o público internacional.
Em 1993, o artista iniciou uma nova etapa, agora em carreira solo, com o álbum Um Beijo para Você. A canção “Menina”, incluída na trilha sonora da novela Tropicaliente, ampliou sua presença junto ao público brasileiro.
“MILLA” VIROU MARCA REGISTRADA DE UMA ÉPOCA
Se houve uma música capaz de se confundir com o próprio nome de Netinho, essa música foi “Milla”.
O sucesso explodiu em 1996 e se transformou em um dos grandes hinos do axé music. A canção ultrapassou as fronteiras da Bahia, ganhou projeção nacional e internacional e passou a fazer parte do repertório de festas, micaretas e carnavais.
Mas a trajetória do cantor não se resumiu a um único sucesso. “Prefixo de Verão”, “Capricho dos Deuses”, “Estrela Primeira”, “Menina” e “Beijo na Boca” também ajudaram a construir sua identidade musical e a manter seu nome presente entre os artistas mais lembrados do gênero.
Em uma época na qual o Carnaval de Salvador ampliava sua influência sobre a indústria fonográfica, Netinho se tornou um dos artistas que ajudaram a levar a sonoridade dos trios elétricos para diferentes partes do país.
A LUTA CONTRA O CÂNCER E OS ÚLTIMOS MESES
A partir de 2025, a vida do artista passou a ser marcada também por uma batalha de saúde. Netinho foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin do tipo B, um câncer que afeta o sistema linfático. O tratamento incluiu quimioterapia e períodos de internação, mas o cantor chegou a retomar atividades após uma fase de recuperação.
Em 2026, a doença voltou a se manifestar. No fim de setembro, Netinho anunciou que se afastaria das redes sociais para concentrar suas energias no tratamento. Ele permaneceu internado em Salvador, onde morreu nesta terça-feira.
De acordo com a comunicação divulgada por sua equipe, o linfoma evoluiu para insuficiência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A notícia da morte provocou comoção entre admiradores que acompanharam sua carreira desde os primeiros sucessos da Banda Beijo até os grandes shows da fase solo.
UMA DESPEDIDA MARCADA PELA GRATIDÃO
A mensagem divulgada pela assessoria trouxe um relato sobre a maneira como o cantor encarava a própria trajetória durante o tratamento. Segundo a equipe, ele costumava expressar gratidão pela vida que teve e pelo carinho recebido dos fãs.
“Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei”, dizia Netinho, conforme o comunicado reproduzido pela imprensa.
O artista deixa uma filha, Bruna, e uma história construída diante de plateias que cantaram suas músicas em diferentes gerações. O velório e a cremação serão realizados de maneira reservada, exclusivamente para familiares e amigos próximos, conforme sua vontade. A assessoria pediu respeito à privacidade da família neste momento de luto.
O LEGADO DE NETINHO
A morte de Netinho representa a despedida de uma das vozes que ajudaram a consolidar o axé music como parte importante da música brasileira. Sua carreira atravessou mudanças na indústria fonográfica, diferentes gerações de foliões e a transformação do Carnaval em um espetáculo de alcance nacional.
Para quem viveu os anos de explosão do axé, bastam os primeiros acordes de “Milla” para lembrar de trios elétricos, multidões nas ruas e festas que pareciam não ter hora para acabar.
Netinho deixa os palcos, mas suas canções permanecem. E, na música popular, poucos sinais de permanência são tão fortes quanto uma canção que continua sendo cantada mesmo depois que seu intérprete se despede.
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