Para o público de Garanhuns e de toda a região, a história de Netinho não ficou restrita aos discos, às rádios ou aos grandes carnavais da Bahia. Seu nome também faz parte da memória de uma festa que colocou o Agreste pernambucano na rota das grandes atrações do axé music.
A Garanheta começou em 1990, a partir de uma brincadeira entre amigos, e ganhou dimensão de grande micareta nos anos seguintes. O evento chegou a ser considerado um dos principais carnavais fora de época de Pernambuco, reunindo multidões e artistas consagrados da música baiana.
Netinho esteve entre os nomes que passaram pela festa, ao lado de atrações como Chiclete com Banana, Banda Eva, Asa de Águia, Timbalada, Araketu, Olodum e Luiz Caldas. Era uma época em que os trios elétricos, os abadás e os blocos davam o tom de uma celebração que mobilizava a cidade.
O BICHO E A FORÇA DAS MICARETAS
O Bloco O Bicho foi uma das marcas dessa história. A Garanheta reunia diferentes blocos e atrações, e o público acompanhava os trios elétricos em um percurso que chegou a aproximadamente 3,5 quilômetros, com concentração na Avenida Rui Barbosa e encerramento na Esplanada Guadalajara.
A programação de 2006, por exemplo, teve o Bloco O Bicho puxado pelo Chiclete com Banana, de Bell Marques, em duas noites, além de apresentações de outras bandas nos dias seguintes. O registro ajuda a dimensionar a força que os blocos e as atrações baianas tinham naquele período.
A passagem de Netinho pela Garanheta ganha agora um significado especial diante de sua morte. Para quem esteve na avenida, a lembrança é a de um artista ligado a uma fase em que o axé dominava as festas populares e transformava cada apresentação em um encontro de música, energia e multidão.
UMA SAUDADE QUE TAMBÉM É DE GARANHUNS
Netinho morreu em Salvador, vítima de complicações decorrentes de um linfoma não Hodgkin do tipo B. O cantor construiu uma carreira marcada por sucessos como “Milla”, “Menina” e “Beijo na Boca”, tornando-se uma das vozes mais conhecidas do axé music.
Em Garanhuns, sua história se conecta à memória da Garanheta e de uma geração que viveu intensamente os carnavais fora de época. A notícia de sua morte não representa apenas a despedida de um nome nacional da música, mas também desperta recordações de uma festa que marcou a vida cultural da cidade.
A Garanheta deixou de ser realizada após sua edição de 2007, mas permanece viva na lembrança de quem acompanhou os trios, vestiu o abadá e cantou os sucessos que embalaram aquela época.
Netinho se despede dos palcos, mas as músicas continuam. E, para muitos foliões de Garanhuns, elas também carregam um pedaço da história da Garanheta e do Bloco O Bicho.
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