Tem histórias empresariais que começam em grandes escritórios, com investidores, planejamentos milionários e estruturas prontas. A de José de Almeida Cordeiro, conhecido em São Bento do Una simplesmente como Zé Almeida, começou muito longe disso.
Foi no meio rural, no Sítio Una dos Cordeiros, em São Bento do Una, no Agreste pernambucano, que nasceu, em março de 1970, a atividade que décadas depois daria origem a uma das maiores operações avícolas do Nordeste. Registros históricos da Assembleia Legislativa de Pernambuco apontam que a Granja Almeida começou como uma pequena criação de galinhas de postura e passou a crescer de maneira mais acelerada a partir da década de 1980.
A dimensão alcançada hoje ajuda a entender o tamanho dessa transformação. Uma publicação especializada do setor relata que a operação, que começou com apenas algumas dezenas de aves, chegou a quase 6 milhões de aves e mais de 4 mil colaboradores diretos e indiretos, espalhados por São Bento do Una e outras regiões do Nordeste.
É uma diferença brutal entre o ponto de partida e o tamanho atual do negócio.
E talvez esteja justamente aí o principal capítulo da história de Zé Almeida: não foi apenas uma granja que cresceu. Foi uma atividade rural que acompanhou a transformação de uma cidade inteira.
UMA CRIAÇÃO PEQUENA QUE VIROU UM NEGÓCIO GIGANTE
O nome Granja Almeida passou a ganhar espaço justamente quando São Bento do Una ainda consolidava sua vocação para a avicultura.
A trajetória empresarial de Zé Almeida aparece associada ao desenvolvimento da produção de ovos no município. Em 2010, a própria Alepe registrou que a empresa havia começado em 1970 com uma pequena criação no Sítio Una dos Cordeiros e que sua expansão ganhou força a partir dos anos 1980. Naquela época, o empreendimento já era citado pela geração de emprego e renda no Agreste.
Há um detalhe importante nos registros empresariais atuais: a Granja Almeida Ltda., matriz hoje ativa em São Bento do Una, tem CNPJ aberto em 2009. Isso não significa que a história da empresa tenha começado naquele ano. Trata-se da estrutura societária atualmente registrada, enquanto a trajetória da atividade empresarial e da marca remonta a 1970. Os registros públicos atuais mostram José de Almeida Cordeiro entre os sócios, ao lado de Daniele, Danilo e Débora de Almeida Cordeiro.
A diferença entre a data histórica da fundação e a constituição da atual pessoa jurídica é, portanto, fundamental para contar a história corretamente.
QUANDO O OVO VIROU UMA INDÚSTRIA
A Granja Almeida deixou de ser apenas uma propriedade produtora de ovos e passou a funcionar dentro de uma cadeia muito mais ampla.
Os registros empresariais mostram que o grupo atua não apenas na produção de ovos, mas também em atividades relacionadas à criação de frangos, fabricação de alimentos para animais, produção de pintos de um dia, comércio atacadista de aves e ovos, varejo de produtos alimentícios e transporte de cargas. Existem ainda unidades registradas em Pernambuco e Alagoas.
Ou seja: por trás de uma bandeja de ovos com a marca Almeida existe uma cadeia muito maior.
Tem criação, alimentação das aves, logística, processamento, classificação, embalagem, transporte, comercialização e toda uma estrutura de apoio que precisa funcionar praticamente como uma engrenagem.
Uma reportagem especializada de 2016 já descrevia o Centro de Processamento de Ovos (CPO) da empresa como uma estrutura de grandes dimensões, organizada para higienização, classificação e embalagem dos ovos. A publicação destacou ainda o rigor das boas práticas e das exigências sanitárias aplicadas ao processamento.
É nesse ponto que a história deixa de ser apenas a de um produtor rural que aumentou o número de galinhas.
Zé Almeida transformou produção rural em operação empresarial.
MILHÕES DE OVOS, UMA LOGÍSTICA QUE NÃO PODE PARAR
Em 2019, reportagem do Jornal do Commercio apontava a Granja Almeida como a maior produtora de ovos de Pernambuco, com aproximadamente 3 milhões de ovos por dia naquele período. A mesma reportagem registrava São Bento do Una produzindo cerca de 5 milhões de ovos diariamente.
Outro levantamento publicado anteriormente pela Volvo apontava uma operação de grande escala, com venda mensal de aproximadamente 6 milhões de ovos, 1,2 milhão de pintos e mais de 1.500 toneladas de frango. O material também registrava uma frota de caminhões utilizada para transportar insumos como milho e farelo de soja para a operação.
Os números mostram uma coisa simples: quando a empresa chegou a esse patamar, o desafio deixou de ser somente produzir.
Era preciso alimentar milhões de aves, controlar a sanidade do plantel, transportar insumos, processar a produção, classificar, embalar, armazenar e fazer o produto chegar ao consumidor.
Tudo isso dentro de uma região do Agreste que convive historicamente com limitações hídricas.
A CAPITAL DO OVO NÃO É APENAS UM APELIDO
São Bento do Una construiu sua reputação nacional em torno da avicultura.
A Assembleia Legislativa já registrava o município como um dos principais polos da atividade em Pernambuco, destacando que o Agreste concentrava parcela expressiva da produção estadual.
Dados mais recentes reunidos pela Adagro reforçam a dimensão do polo: o município aparece como destaque na produção de ovos de Pernambuco e é descrito como a Capital do Ovo do Nordeste, com produção indicada em torno de 7 milhões de ovos por dia no documento de contingência sanitária publicado em 2025. O mesmo documento aponta Pernambuco com produção de aproximadamente 13 milhões de ovos diariamente.
E é impossível contar essa história sem colocar a Granja Almeida dentro desse cenário.
Uma publicação especializada do setor chegou a definir a empresa como a granja de ovos mais produtiva do Norte e Nordeste, destacando que a propriedade de José de Almeida ajudou a inspirar outros empreendedores a investir na atividade.
A expansão da avicultura criou uma espécie de ecossistema econômico.
São fornecedores de milho e soja, fabricantes de ração, empresas de medicamentos e vacinas, equipamentos, embalagens, transportadoras, técnicos, veterinários, zootecnistas, trabalhadores rurais, comerciantes e uma infinidade de atividades que orbitam a produção.
Por isso, quando a avicultura cresce em São Bento do Una, não cresce apenas a granja.
Cresce uma cadeia inteira.
A TECNOLOGIA ENTROU NO GALPÃO
Uma das maiores mudanças ao longo das décadas foi justamente a transformação tecnológica.
A avicultura moderna exige controle muito mais preciso do que simplesmente colocar as aves no galpão e recolher os ovos.
Hoje, a atividade envolve genética, nutrição, controle sanitário, biossegurança, automação, rastreabilidade, classificação e processamento.
A própria Granja Almeida aparece em registros do setor como referência em tecnologia e gestão da produção. Em 2022, por exemplo, uma empresa de tecnologia para o agronegócio citava a Granja Almeida como cliente de referência em postura comercial, então trabalhando com produção na casa dos milhões de ovos por dia.
O Centro de Processamento de Ovos é uma das peças desse modelo. A estrutura foi descrita pela imprensa especializada como ampla, funcional e preparada para trabalhar dentro das exigências de boas práticas e legislação sanitária.
Isso ajuda a explicar como uma atividade iniciada com algumas dezenas de aves conseguiu alcançar escala industrial.
A tecnologia não substituiu o trabalho de Zé Almeida.
Foi justamente o instrumento que permitiu multiplicar aquele trabalho.
UM EMPREENDEDOR QUE VIROU REFERÊNCIA
A história de Zé Almeida também ultrapassou os limites da empresa.
Registros da época em que exerceu funções públicas em São Bento do Una já destacavam sua atuação empresarial e a geração de empregos. Um levantamento biográfico publicado em 2011 registra que ele nasceu em 3 de junho de 1951, no Sítio Una dos Cordeiros, filho de José Diógenes Cordeiro e Maria José de Almeida. O mesmo registro informa que Zé Almeida constituiu família com Josefa Maria Cordeiro e teve três filhos: Débora, Danilo e Daniele.
A nova geração também aparece na estrutura societária da empresa.
Hoje, os registros oficiais disponíveis publicamente apontam Daniele de Almeida Cordeiro como sócia-administradora da Granja Almeida Ltda., enquanto Danilo, Débora e o próprio José de Almeida Cordeiro aparecem como sócios.
É o retrato de uma empresa que deixou de ser apenas um empreendimento pessoal e ganhou características de negócio familiar construído ao longo de gerações.
UM IMPACTO QUE VAI ALÉM DA PORTEIRA
A dimensão social da Granja Almeida também aparece nos registros históricos.
Em 2010, a Assembleia Legislativa destacou a geração de emprego e renda proporcionada pela empresa e mencionou sua participação em um sistema de integração que beneficiava pequenos avicultores da região.
Anos depois, o número de pessoas envolvidas com a operação alcançaria outra escala.
Uma reportagem especializada publicada em 2025 registra mais de 4 mil colaboradores diretos e indiretos vinculados à operação em São Bento do Una e outras regiões do Nordeste.
É aí que aparece uma dimensão que muitas vezes passa despercebida quando se olha apenas para os milhões de ovos produzidos.
Cada ovo representa uma cadeia.
E cada cadeia representa gente.
SÃO BENTO DO UNA APRENDEU A VIVER DA AVICULTURA
A força do setor transformou a própria identidade econômica do município.
Em levantamento acadêmico baseado em dados da avicultura pernambucana, São Bento do Una aparece com forte participação da atividade agropecuária e com a produção de ovos como um dos principais motores econômicos locais.
A cidade chegou a receber a Feira de Avicultura do Nordeste, a Aviuna, reunindo produtores, fornecedores, especialistas e empresas de diversos segmentos. Em uma das edições, a organização registrou mais de R$ 50 milhões em negócios fechados durante o evento.
A Granja Almeida esteve entre as empresas que apoiaram a realização da feira, ajudando a colocar São Bento do Una no calendário de eventos da cadeia avícola regional.
Também existem registros de iniciativas sociais envolvendo a empresa. Em 2019, uma ação realizada durante a feira de avicultura resultou na doação de 500 dúzias de ovos para instituições assistenciais do município.
DA PEQUENA CRIAÇÃO AO MAPA DA AVICULTURA NORDESTINA
Mais de cinco décadas depois daquele começo no Sítio Una dos Cordeiros, a trajetória de José de Almeida Cordeiro pode ser lida como uma espécie de fotografia da própria transformação da avicultura pernambucana.
Primeiro vieram as poucas aves.
Depois, a persistência.
Vieram os investimentos, a expansão, a profissionalização, a tecnologia, a logística e a formação de uma cadeia cada vez maior.
Hoje, a Granja Almeida possui matriz em São Bento do Una e diversas unidades registradas, incluindo operações em Pernambuco e Alagoas.
A empresa que nasceu pequena também ajudou a projetar o nome de São Bento do Una para além das fronteiras de Pernambuco.
E talvez seja justamente por isso que a história de Zé Almeida seja maior do que a história de uma granja.
É a história de um homem que saiu da zona rural, enxergou uma oportunidade onde muitos enxergavam apenas uma pequena criação de galinhas e conseguiu transformar aquela atividade em um empreendimento de dimensão regional.
Zé Almeida começou com poucas aves. São Bento do Una terminou conhecida pelos milhões.
No meio desse caminho estão mais de cinco décadas de trabalho, uma família que participou da construção do negócio, milhares de empregos, tecnologia, produção e uma cadeia econômica que ajudou a fazer do Agreste pernambucano uma das referências brasileiras na produção de ovos.
Da simplicidade do Sítio Una dos Cordeiros à escala industrial da Granja Almeida, a trajetória de José de Almeida Cordeiro se confunde, em boa medida, com a própria história da avicultura de São Bento do Una.
E quando se fala hoje em Capital do Ovo, é impossível contar essa história sem lembrar de quem ajudou a colocar o município nesse mapa.
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