quinta-feira, 1 de outubro de 2026

TYRONE, JOÃO CAMPOS E A CONTA QUE CAIU NO COLO DO PSB

A operação da PF bate à porta de Fábio Tyrone e respinga diretamente no comando nacional do PSB

O PSB de João Campos ganhou um problema daqueles que não se resolvem com nota oficial, discurso ensaiado ou silêncio estratégico.

Fábio Tyrone, ex-prefeito de Sousa e candidato a deputado federal pela Paraíba, virou alvo da Operação Lastro, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de financiamento irregular de campanha, despesas não declaradas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

E aqui está o detalhe que torna a história politicamente indigesta: Tyrone recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral do Diretório Nacional do PSB. O dinheiro veio justamente da estrutura partidária comandada por João Campos, presidente nacional da legenda.

Agora, o candidato que recebeu uma das maiores injeções de recursos do partido na Paraíba aparece no radar de uma investigação federal que apura justamente a movimentação de dinheiro relacionada à campanha.

Coincidência? Essa é uma pergunta que a investigação terá de responder — não este texto.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em Sousa e, em uma diligência realizada na véspera, apreendeu aproximadamente R$ 380 mil em espécie, além de prender duas pessoas em flagrante. A origem e a finalidade do dinheiro ainda estão sendo apuradas.

E o roteiro fica ainda mais desconfortável para o PSB porque Tyrone não chegou a esta eleição sem bagagem.

UM PASSADO QUE O PSB JÁ TENTAVA ADMINISTRAR

Fábio Tyrone carrega uma condenação relacionada à agressão contra sua então companheira, a advogada Myriam Gadelha, episódio ocorrido em 2018.

O caso provocou forte reação dentro do próprio PSB e abriu uma crise política para a legenda.

João Campos, que comanda nacionalmente o partido, foi cobrado sobre a permanência de Tyrone na sigla. Em 29 de setembro, afirmou que havia determinado a expulsão do ex-prefeito após a reabertura do processo interno.

Ou seja: João Campos mal havia terminado de explicar por que Tyrone ainda estava no PSB quando a Polícia Federal entrou em cena com uma nova investigação envolvendo o candidato.

É muita turbulência para um partido que tenta vender a imagem de renovação política.

O DINHEIRO É DO FUNDO DO PSB. E AGORA?

É preciso separar as coisas.

A condenação relacionada à violência doméstica é um episódio judicial anterior. A Operação Lastro é outra investigação, ainda em andamento e sob segredo de Justiça. Uma coisa não prova a outra.

Mas existe uma conexão política objetiva: o candidato investigado recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral nacional do PSB, enquanto o partido é presidido por João Campos.

É justamente aí que começam as perguntas que o eleitor paraibano tem o direito de fazer.

Quem decidiu pelo tamanho desse repasse?

Quais critérios foram utilizados?

O PSB tinha conhecimento de alguma circunstância que pudesse representar risco político ou jurídico antes de liberar o dinheiro?

E, principalmente: quem vai explicar aos eleitores por que um candidato que já carregava uma pesada crise de imagem recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral nacional?

Não se trata de afirmar que o dinheiro foi utilizado ilegalmente. Isso seria antecipar uma conclusão que cabe à investigação.

Trata-se de perguntar sobre responsabilidade política, critérios partidários e transparência na utilização de dinheiro público destinado às campanhas.

JOÃO CAMPOS FICOU COM A BATATA QUENTE

João Campos assumiu o comando nacional do PSB e, com ele, também assumiu a responsabilidade política pela condução da legenda.

Tyrone era um problema.

A direção partidária tentou resolver esse problema com a expulsão.

Só que, no dia seguinte, a Operação Lastro acrescentou uma nova camada à crise.

Agora, o PSB precisa explicar não apenas a relação política com Tyrone, mas também o contexto em que R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral nacional foi destinado à campanha de um candidato que se tornou alvo de uma investigação federal.

Tyrone diz que colaborou com a PF e afirma que nada irregular foi encontrado em sua residência.

É uma manifestação legítima e deve ser considerada.

Mas a investigação continua.

E enquanto a PF procura respostas sobre dinheiro, documentos e movimentações financeiras, uma pergunta política permanece pendurada no ar:

quem, dentro do PSB de João Campos, achou que colocar R$ 1,5 milhão nas mãos de Fábio Tyrone era uma boa ideia?

Essa resposta pode não estar nos autos da Operação Lastro.

Mas certamente interessa ao eleitor. É isso!

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