terça-feira, 13 de outubro de 2026

PT APERTA O CERCO E COBRA POSIÇÃO DE RAQUEL LYRA SOBRE LULA NO SEGUNDO TURNO

Carlos Veras diz que todas as conversas possíveis já foram feitas e deixa a decisão nas mãos da governadora reeleita. Disputa por apoio em Pernambuco segue aberta.

Com Lula em desvantagem na disputa presidencial após o primeiro turno, o PT intensifica as articulações para tentar virar o jogo até 25 de outubro. Em Pernambuco, uma das principais apostas dos petistas é ampliar a votação no interior, fortalecer a presença nas redes sociais e conquistar o apoio de lideranças políticas de peso. Entre os nomes cobiçados está o da governadora reeleita Raquel Lyra (PSD), que ainda mantém distância de uma declaração pública de apoio a qualquer um dos candidatos.

A pressão sobre Raquel ficou evidente nesta terça-feira (13), durante entrevista do deputado federal Carlos Veras, presidente estadual do PT e coordenador da campanha de Lula em Pernambuco, ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.

Sem esconder que o partido já se movimentou para tentar convencer a governadora, Veras afirmou que as conversas foram realizadas e que agora cabe à chefe do Executivo estadual decidir qual caminho seguirá no segundo turno.

“Todos os movimentos que pudessem ser feitos foram feitos. Agora está na consciência dela, para ela orientar os pernambucanos que ela vai governar por mais quatro anos”, declarou o parlamentar.

RAQUEL VIROU ALVO DA DISPUTA

Nos bastidores, a movimentação não se limita ao presidente estadual do PT. Segundo Carlos Veras, lideranças petistas que mantêm diálogo com Raquel Lyra também entraram em campo para tentar aproximar a governadora do projeto de reeleição de Lula.

Entre os nomes citados estão o senador Humberto Costa, o deputado estadual João Paulo e os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira.

O interesse é compreensível: depois de conquistar mais quatro anos no Governo de Pernambuco, Raquel ganhou ainda mais peso no cenário político estadual e se tornou uma aliada desejada pelas duas campanhas presidenciais.

De um lado, o PT tenta convencer a governadora a caminhar com Lula. Do outro, aliados de Flávio Bolsonaro também procuram abrir espaço para uma aproximação. Por enquanto, Raquel mantém sua posição de neutralidade, deixando os dois grupos na expectativa.

PETISTAS USAM INVESTIMENTOS COMO ARGUMENTO

Na tentativa de sensibilizar a governadora, Carlos Veras associou a escolha presidencial à relação entre Pernambuco e o Governo Federal. O deputado citou investimentos em infraestrutura, abastecimento de água, contenção de encostas, habitação e saúde como argumentos para defender a continuidade da gestão Lula.

O petista também fez críticas ao campo bolsonarista ao comentar uma imagem de uma criança segurando uma arma em cima de um carro, utilizando o episódio para questionar o que, na avaliação dele, Flávio Bolsonaro representa para Pernambuco.

“Você pode ver o que é que eles orientam, o que é que eles aplaudem. Uma criança com uma arma na mão em cima de um carro. Isso é o que tem Flávio Bolsonaro para Pernambuco”, afirmou.

O SILÊNCIO QUE INCOMODA O PT 

A cobrança pública de Carlos Veras mostra que o PT não pretende desistir facilmente de conquistar o apoio de Raquel Lyra. O partido sabe que a governadora tem influência política no estado e que sua posição pode repercutir entre prefeitos, parlamentares e eleitores do interior.

Mas Raquel também tem seus próprios cálculos políticos. Reeleita para mais quatro anos de governo, ela precisa administrar uma ampla frente de alianças e avaliar os efeitos de qualquer declaração de apoio no cenário estadual e nacional.

Por enquanto, a governadora não anunciou adesão a Lula nem a Flávio Bolsonaro. E, enquanto as campanhas disputam cada voto, a neutralidade de Raquel segue no centro das articulações políticas em Pernambuco.

Na política, o silêncio também comunica. E, neste segundo turno, o PT já deixou claro que não quer apenas ouvir Raquel Lyra: quer saber de que lado ela pretende ficar.

Edney Souto | Blog do Edney — A notícia verdade.

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