Governadora evita declarar apoio a Lula e manda recado direto ao PT, ao PSB e aos aliados: o presidente já tem palanque em Pernambuco
A governadora Raquel Lyra (PSD) parece ter encontrado uma forma elegante — e politicamente bastante clara — de encerrar a pressão que vem sofrendo desde o resultado das urnas para declarar apoio a um dos candidatos à Presidência da República no segundo turno.
Em entrevista à GloboNews, ontem, Raquel foi direta ao afirmar que “o presidente Lula já tem palanque em Pernambuco”. A frase, embora diplomática, carrega um recado político evidente: a governadora não está disposta, neste momento, a subir no palanque petista.
E quem comanda esse palanque já tem nome, sobrenome e uma derrota recente no currículo: João Campos (PSB), derrotado por Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco.
A governadora voltou a reconhecer a importância das parcerias com o presidente Lula e afirmou ser grata ao governo federal pela relação institucional construída durante sua gestão. Mas fez questão de colocar outra prioridade na mesa: cuidar do governo, organizar a casa e se preparar para o segundo mandato.
A declaração acontece justamente quando setores do PT e do PSB começaram a movimentar suas peças para tentar aproximar Raquel de Lula.
A senadora eleita Marília Arraes (PDT), que durante a campanha não poupou críticas à governadora e chegou a associá-la ao bolsonarismo, agora defende a união de forças para garantir a reeleição de Lula e coloca Raquel dentro desse campo de articulação.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também entrou no jogo. Filiado ao PSD, mesmo partido de Raquel, o ministro afirmou que pretende tentar convencer a governadora a participar do palanque de Lula.
O problema é que, dentro do grupo político de Raquel, existe uma história recente que não foi esquecida.
Aliados da governadora afirmam que ela teria pedido para que Lula não viesse a Pernambuco durante o primeiro turno. O presidente acabou vindo às vésperas da eleição, justamente para reforçar a candidatura de João Campos e da Frente Popular.
A visita não foi suficiente para impedir a vitória de Raquel. E, agora, a lembrança daquela movimentação retorna ao debate político.
Raquel venceu João Campos, derrotou uma ampla estrutura política e saiu das urnas ainda mais fortalecida para o segundo turno nacional. Nesse cenário, declarar apoio imediato a Lula significaria, para parte de seus aliados, dividir o protagonismo de uma vitória que ela construiu praticamente com as próprias pernas.
Por isso, a frase sobre Lula já ter palanque em Pernambuco pode ser lida como uma espécie de “cada um no seu quadrado”.
Lula tem João Campos.
Raquel tem o próprio governo, sua base política e um segundo mandato pela frente.
E é justamente aí que começa a conta que o PT terá de fazer.
Sem Raquel no palanque, Lula terá de confiar na estrutura montada pelo PT, pelo PSB, por Marília Arraes e pelos demais aliados para tentar repetir ou ampliar sua votação em Pernambuco. A governadora, por sua vez, poderá manter uma postura institucional, sem transformar sua relação com o presidente em uma adesão política ao projeto petista.
Raquel não rompeu com Lula. Também não atacou o presidente. Pelo contrário: fez questão de reconhecer as parcerias entre os governos.
Mas, politicamente, deixou uma coisa bastante clara.
Não será fácil colocá-la em cima de um palanque que acabou de ser derrotado nas urnas.
O segundo turno presidencial começa, em Pernambuco, com uma situação curiosa: Lula precisa de Raquel, mas Raquel aparentemente não precisa de Lula para continuar ocupando o centro do jogo político estadual.
E talvez seja justamente essa a maior força da governadora neste momento.
A eleição estadual acabou. Raquel venceu. E agora ela parece disposta a escolher com muito cuidado quais serão os próximos palanques que vai subir.
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