Prefeito de Saloá, presidente da CODEAM e coordenador regional da campanha de Raquel Lyra, Júnior de Rivaldo viu João Campos terminar à frente justamente no município onde exerce o principal cargo político
A eleição terminou, Raquel Lyra foi reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno, mas em Saloá ficou uma conta política difícil de esconder para o prefeito Júnior de Rivaldo.
Raquel venceu Pernambuco com 2.805.438 votos, 53,27% dos votos válidos, consolidando sua reeleição. Em Saloá, entretanto, o resultado foi diferente: João Campos terminou na frente, com 4.301 votos, contra 4.157 de Raquel Lyra. A diferença foi de 144 votos.
Até aí, seria apenas mais um resultado municipal dentro de uma eleição estadual. O problema político começa quando se observa quem estava por trás da campanha de Raquel na região.
Júnior de Rivaldo não ocupou um papel secundário nessa eleição. O prefeito de Saloá foi apresentado como coordenador da campanha de Raquel no Agreste Meridional, participou da articulação com prefeitos e lideranças e comandou a mobilização regional da candidatura.
E tem mais.
Júnior também preside a CODEAM, entidade que reúne os municípios do Agreste Meridional, posição que lhe deu projeção para além dos limites de Saloá. Ele foi eleito para presidir a instituição no biênio 2025–2026 e posteriormente reconduzido para o período 2027–2028.
Ou seja: se havia um município onde se esperava uma demonstração política mais evidente da força de Júnior de Rivaldo, era justamente Saloá.
E foi justamente ali que João Campos ficou na frente.
O PREFEITO QUE COORDENOU RAQUEL E NÃO ENTREGOU SALOÁ
A situação ganha ainda mais peso porque Júnior passou boa parte da campanha ocupando o espaço de articulador político da governadora no Agreste.
Participou de eventos, mobilizou prefeitos, reuniu lideranças e apareceu publicamente ao lado de Raquel. Em Garanhuns, por exemplo, teve papel destacado na organização de uma grande agenda da governadora, com articulação de caravanas e lideranças de municípios da região.
Mas quando chegou a hora de contar os votos dentro da sua própria casa política, o placar não acompanhou o discurso de força.
João Campos: 4.301.
Raquel Lyra: 4.157.
É uma diferença pequena em números absolutos, mas politicamente incômoda pelo contexto.
Raquel ganhou Pernambuco.
Júnior não conseguiu fazer Raquel ganhar Saloá.
Essa é a fotografia que as urnas deixaram.
A CONTA FICOU MAIS PESADA
Júnior de Rivaldo construiu nos últimos anos uma imagem de liderança que ultrapassa as fronteiras de Saloá. A presidência da CODEAM ampliou sua circulação entre prefeitos. A coordenação regional da campanha de Raquel elevou ainda mais sua exposição política.
Por isso mesmo, o resultado de Saloá não pode ser analisado apenas como uma simples derrota de Raquel no município.
É também um resultado que coloca sob escrutínio a capacidade de mobilização eleitoral do próprio Júnior.
Não significa que o prefeito tenha perdido automaticamente sua liderança, nem que uma eleição estadual possa ser atribuída exclusivamente à atuação de uma liderança municipal.
Mas significa, sim, que existe um número que precisa ser explicado politicamente.
Como o principal articulador regional de uma governadora reeleita com mais de 53% dos votos válidos não conseguiu fazê-la terminar em primeiro lugar na cidade que administra?
Essa pergunta vai circular nos bastidores de Saloá.
E talvez seja justamente aí que esteja o maior incômodo para Júnior de Rivaldo.
O DISCURSO E A RESPOSTA DAS URNAS
Durante a campanha, o prefeito demonstrou publicamente seu envolvimento com o projeto de Raquel. Depois do resultado, também veio a manifestação de decepção com o comportamento do eleitorado de Saloá.
A frase atribuída ao gestor — “Eu vou sair hoje dessa praça muito triste e muito decepcionado com o povo de Saloá” — ganhou repercussão e acabou colocando ainda mais luz sobre o resultado.
O eleitor, entretanto, falou antes de qualquer discurso.
E falou através da urna.
Em Saloá, a maioria dos votos válidos para governador foi para João Campos, enquanto Raquel, mesmo sendo reeleita para comandar Pernambuco, ficou em segundo lugar no município.
A ELEIÇÃO DEIXA UMA MARCA
Júnior de Rivaldo continua prefeito, continua presidente da CODEAM e continua sendo uma liderança com trânsito regional.
Mas a eleição de 2026 acrescentou uma informação nova ao seu currículo político.
Na eleição em que assumiu o papel de coordenador regional da campanha de Raquel Lyra, a governadora venceu o Estado, mas perdeu a cidade que ele administra.
E isso torna o resultado de Saloá particularmente amargo para o prefeito.
Não é apenas uma questão de 144 votos.
É uma questão de contexto, protagonismo e expectativa.
Júnior colocou seu peso político na campanha de Raquel.
As urnas de Saloá responderam com João Campos na frente.
Agora, caberá ao prefeito interpretar esse recado e mostrar, nos próximos movimentos, se sua força política local continua do tamanho que a projeção regional construída nos últimos anos sugere.
Porque eleição não se ganha com cargo, fotografia ou discurso.
No fim, quem dá a palavra final é a urna.
Foto: Blog do Marcelo Jorge
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