terça-feira, 6 de outubro de 2026

SALOÁ: DERROTA DE RAQUEL EXPÕE JÚNIOR DE RIVALDO E ABRE QUESTIONAMENTO SOBRE SUA FORÇA POLÍTICA

Prefeito de Saloá, presidente da CODEAM e coordenador regional da campanha de Raquel Lyra, Júnior de Rivaldo viu João Campos terminar à frente justamente no município onde exerce o principal cargo político

A eleição terminou, Raquel Lyra foi reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno, mas em Saloá ficou uma conta política difícil de esconder para o prefeito Júnior de Rivaldo.

Raquel venceu Pernambuco com 2.805.438 votos, 53,27% dos votos válidos, consolidando sua reeleição. Em Saloá, entretanto, o resultado foi diferente: João Campos terminou na frente, com 4.301 votos, contra 4.157 de Raquel Lyra. A diferença foi de 144 votos.

Até aí, seria apenas mais um resultado municipal dentro de uma eleição estadual. O problema político começa quando se observa quem estava por trás da campanha de Raquel na região.

Júnior de Rivaldo não ocupou um papel secundário nessa eleição. O prefeito de Saloá foi apresentado como coordenador da campanha de Raquel no Agreste Meridional, participou da articulação com prefeitos e lideranças e comandou a mobilização regional da candidatura.

E tem mais.

Júnior também preside a CODEAM, entidade que reúne os municípios do Agreste Meridional, posição que lhe deu projeção para além dos limites de Saloá. Ele foi eleito para presidir a instituição no biênio 2025–2026 e posteriormente reconduzido para o período 2027–2028.

Ou seja: se havia um município onde se esperava uma demonstração política mais evidente da força de Júnior de Rivaldo, era justamente Saloá.

E foi justamente ali que João Campos ficou na frente.

O PREFEITO QUE COORDENOU RAQUEL E NÃO ENTREGOU SALOÁ

A situação ganha ainda mais peso porque Júnior passou boa parte da campanha ocupando o espaço de articulador político da governadora no Agreste.

Participou de eventos, mobilizou prefeitos, reuniu lideranças e apareceu publicamente ao lado de Raquel. Em Garanhuns, por exemplo, teve papel destacado na organização de uma grande agenda da governadora, com articulação de caravanas e lideranças de municípios da região.

Mas quando chegou a hora de contar os votos dentro da sua própria casa política, o placar não acompanhou o discurso de força.

João Campos: 4.301.
Raquel Lyra: 4.157.

É uma diferença pequena em números absolutos, mas politicamente incômoda pelo contexto.

Raquel ganhou Pernambuco.

Júnior não conseguiu fazer Raquel ganhar Saloá.

Essa é a fotografia que as urnas deixaram.

A CONTA FICOU MAIS PESADA

Júnior de Rivaldo construiu nos últimos anos uma imagem de liderança que ultrapassa as fronteiras de Saloá. A presidência da CODEAM ampliou sua circulação entre prefeitos. A coordenação regional da campanha de Raquel elevou ainda mais sua exposição política.

Por isso mesmo, o resultado de Saloá não pode ser analisado apenas como uma simples derrota de Raquel no município.

É também um resultado que coloca sob escrutínio a capacidade de mobilização eleitoral do próprio Júnior.

Não significa que o prefeito tenha perdido automaticamente sua liderança, nem que uma eleição estadual possa ser atribuída exclusivamente à atuação de uma liderança municipal.

Mas significa, sim, que existe um número que precisa ser explicado politicamente.

Como o principal articulador regional de uma governadora reeleita com mais de 53% dos votos válidos não conseguiu fazê-la terminar em primeiro lugar na cidade que administra?

Essa pergunta vai circular nos bastidores de Saloá.

E talvez seja justamente aí que esteja o maior incômodo para Júnior de Rivaldo.

O DISCURSO E A RESPOSTA DAS URNAS

Durante a campanha, o prefeito demonstrou publicamente seu envolvimento com o projeto de Raquel. Depois do resultado, também veio a manifestação de decepção com o comportamento do eleitorado de Saloá.

A frase atribuída ao gestor — “Eu vou sair hoje dessa praça muito triste e muito decepcionado com o povo de Saloá” — ganhou repercussão e acabou colocando ainda mais luz sobre o resultado.

O eleitor, entretanto, falou antes de qualquer discurso.

E falou através da urna.

Em Saloá, a maioria dos votos válidos para governador foi para João Campos, enquanto Raquel, mesmo sendo reeleita para comandar Pernambuco, ficou em segundo lugar no município.

A ELEIÇÃO DEIXA UMA MARCA

Júnior de Rivaldo continua prefeito, continua presidente da CODEAM e continua sendo uma liderança com trânsito regional.

Mas a eleição de 2026 acrescentou uma informação nova ao seu currículo político.

Na eleição em que assumiu o papel de coordenador regional da campanha de Raquel Lyra, a governadora venceu o Estado, mas perdeu a cidade que ele administra.

E isso torna o resultado de Saloá particularmente amargo para o prefeito.

Não é apenas uma questão de 144 votos.

É uma questão de contexto, protagonismo e expectativa.

Júnior colocou seu peso político na campanha de Raquel.

As urnas de Saloá responderam com João Campos na frente.

Agora, caberá ao prefeito interpretar esse recado e mostrar, nos próximos movimentos, se sua força política local continua do tamanho que a projeção regional construída nos últimos anos sugere.

Porque eleição não se ganha com cargo, fotografia ou discurso.

No fim, quem dá a palavra final é a urna.


Foto: Blog do Marcelo Jorge 

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