O que deveria estar nas ruas, transportando pacientes e garantindo assistência a quem precisa, aparece nas imagens divulgadas pelo parlamentar em condições que levantam dúvidas sobre a conservação e a destinação do patrimônio público. Entre os veículos apontados está uma ambulância relacionada ao programa estadual Colo de Mãe, que, segundo o vereador, teria passado por descaracterização.
A denúncia não se limita à existência de veículos parados. Ricardo de Gulu também questiona o que estaria acontecendo com serviços e equipamentos disponibilizados pelo Governo de Pernambuco ao município. A cobrança é direta: se existem estruturas e instrumentos destinados a melhorar a assistência à população, por que não estariam cumprindo plenamente sua finalidade?
O assunto já ultrapassou os limites do debate político. O Ministério Público de Pernambuco instaurou inquérito civil para apurar a situação da frota municipal. Os números ajudam a dimensionar a gravidade do problema: dos 24 veículos informados pela Secretaria de Saúde, somente sete estavam em funcionamento. Quinze permaneciam parados para manutenção e outros dois eram considerados inutilizáveis.
Na prática, isso significa uma frota com menos de um terço dos veículos em operação, justamente em um serviço no qual disponibilidade e rapidez podem fazer diferença na vida de quem depende do atendimento público.
A investigação do MPPE busca esclarecer as condições de conservação dos veículos, possíveis prejuízos ao patrimônio público e eventuais responsabilidades administrativas. Até o momento, a abertura do inquérito representa uma apuração, não uma condenação dos gestores.O episódio também precisa ser observado em conjunto com outro problema identificado pelo Tribunal de Contas de Pernambuco. Em auditoria envolvendo contratos de transporte da Prefeitura, referentes a 2023 e 2024, o TCE apontou inconsistências na execução dos serviços, divergências entre os veículos contratados e os efetivamente disponibilizados e falhas no controle dos pagamentos. A decisão da Segunda Câmara foi pela irregularidade dos contratos analisados, com aplicação de multas aos responsáveis e determinação de providências administrativas.
São situações distintas, mas que colocam a estrutura de transporte municipal sob uma mesma pergunta: como a administração está planejando, contratando, fiscalizando e preservando os veículos que deveriam atender à população?
O prefeito Vinícius Labanca (PSB) tem uma responsabilidade política e administrativa de apresentar respostas. É preciso explicar por que tantos veículos ficaram fora de circulação, quais providências foram adotadas para recuperar a frota e qual é a situação real da ambulância vinculada ao programa Colo de Mãe.
Também é necessário esclarecer o destino dos equipamentos estaduais mencionados pelo vereador. Recursos públicos, sejam municipais ou estaduais, não podem terminar transformados em patrimônio sem finalidade prática.
Ricardo de Gulu coloca o dedo em uma questão que merece ser tratada sem disputa partidária: a população não pode pagar a conta da falta de planejamento, de manutenção ou de fiscalização. Quem precisa de uma ambulância não quer saber de justificativa política. Quer atendimento.
São Lourenço da Mata precisa de explicações documentadas, providências concretas e transparência. O Ministério Público investiga, o Tribunal de Contas já apontou problemas em contratos de transporte e agora a denúncia do vereador amplia a pressão sobre a administração municipal.
Uma ambulância parada não é apenas um veículo fora de circulação. É uma estrutura pública que deixa de cumprir sua finalidade. E, quando o assunto é saúde, o tempo perdido pode custar muito caro.
O Blog do Edney mantém aberto o espaço para manifestação da Prefeitura de São Lourenço da Mata, do prefeito Vinícius Labanca, da Secretaria Municipal de Saúde e do Governo de Pernambuco.
Edney Souto | Blog do Edney
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