A política de Bom Conselho parece estar vivendo uma temporada de reencontros, conversões e descobertas de afinidades. Uma matéria publicada recentemente apresenta a aproximação de Léo Guimarães, André Ricardo, Deda, Socorro Marinho, Eudes Torres e outras lideranças ao grupo do prefeito Edézio Ferreira como um movimento de fortalecimento político. Tudo muito bonito no papel. Mas, na política, nem toda aproximação merece ser confundida com convicção.
A pergunta que fica é simples: o que aconteceu para que algumas pessoas, que até pouco tempo tinham outros caminhos, outras posições e talvez outras avaliações sobre a administração municipal, passassem a enxergar tantas qualidades no projeto de Edézio?
Será que o prefeito ficou mais simpático depois do resultado das eleições? Será que a derrota eleitoral mudou o ambiente político? Ou será que as portas da Prefeitura começaram a parecer mais convidativas?
E o sorriso do dentista, será que também ficou mais aberto para receber antigos adversários?
É claro que qualquer liderança tem o direito de rever posições, mudar de grupo e construir novas alianças. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando uma mudança de lado é apresentada como uma grande união de propósitos, sem que ninguém explique quais ideias, compromissos ou projetos justificam essa repentina afinidade.
Afinal, o que essas lideranças passaram a defender em comum? Quais propostas foram construídas? Que compromissos foram assumidos com a população? Ou estamos diante de mais uma daquelas fotografias políticas em que todos aparecem sorrindo, mas ninguém explica exatamente o motivo do encontro?
Também chama atenção a tentativa de apresentar a chegada de nomes conhecidos como uma demonstração automática de fortalecimento. Quantidade de aliados não significa, necessariamente, qualidade de projeto. E juntar pessoas em torno de um prefeito não é a mesma coisa que apresentar um projeto convincente para Bom Conselho.
A população merece mais do que anúncios de adesões e movimentações de bastidores. Merece saber o que está sendo negociado politicamente, quais são os compromissos assumidos e, principalmente, o que muda na vida do município.
Porque, se a política é feita de escolhas, também precisa ser feita de coerência. Mudar de opinião é legítimo. O que não pode é querer que a população esqueça o que se dizia ontem apenas porque hoje o endereço das conversas mudou.
NA LUPA: Em Bom Conselho, parece que algumas afinidades políticas estão florescendo fora de época. Resta saber se são frutos de convicção, de conveniência ou de alguma nova descoberta sobre as maravilhas do poder municipal.
Uma coisa é certa: na política, ninguém precisa justificar uma mudança de lado, mas precisa estar preparado para explicar por que mudou.
Por Edney Souto
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