sábado, 7 de novembro de 2026

PREFEITO FAZ FISCALIZAÇÃO SURPRESA, FLAGRA MÉDICOS EM DESCANSO E ROMPE CONTRATO DE GESTÃO DE HOSPITAL EM BARREIROS

Carlinhos da Pedreira diz que encontrou pacientes aguardando atendimento enquanto dois médicos estavam na sala de descanso. Sindicato e Conselho de Medicina questionaram a abordagem e pediram apuração pelos meios institucionais.
Uma fiscalização surpresa realizada pelo prefeito de Barreiros, Carlos Artur Soares de Avelar Júnior, conhecido como Carlinhos da Pedreira (PP), terminou em grande repercussão e abriu uma crise na administração do Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque, no Litoral Sul de Pernambuco.

O episódio aconteceu na noite da quarta-feira (4), depois que o prefeito afirmou ter recebido reclamações da população sobre a demora no atendimento da unidade. Incomodado com as denúncias, o gestor decidiu ir pessoalmente ao hospital para verificar o funcionamento do serviço.

Segundo o relato apresentado pelo próprio prefeito, três médicos estavam escalados para trabalhar naquela noite, mas apenas um estaria realizando atendimentos. Ao chegar à unidade, Carlinhos afirma ter encontrado pacientes aguardando assistência e decidiu procurar os outros dois profissionais.

Durante a fiscalização, o prefeito encontrou os médicos em uma sala destinada ao descanso da equipe. A reação foi registrada em vídeos que rapidamente circularam pelas redes sociais. Visivelmente irritado, o gestor questionou a presença dos profissionais no local enquanto havia pacientes esperando atendimento.

Em uma das gravações, Carlinhos fez acusações de que os médicos estariam dormindo e namorando durante o expediente. “Meu Deus do céu! A emergência está lotada de gente, e vocês aqui dormem e namoram!”, declarou.

O prefeito também anunciou que os profissionais seriam retirados da unidade. A situação, entretanto, ganhou outra dimensão quando as entidades representativas da categoria médica se manifestaram publicamente.

ENTIDADES MÉDICAS REAGEM À EXPOSIÇÃO

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) contestou a maneira como a fiscalização foi conduzida. Segundo a entidade, recebeu informações de que os dois profissionais estavam em período de descanso após 12 horas de intensa atividade assistencial, enquanto um terceiro médico permanecia responsável pelos atendimentos.

O sindicato também questionou as insinuações feitas pelo prefeito, argumentando que as imagens divulgadas não comprovam as acusações de natureza íntima. A entidade criticou ainda a exposição pública dos profissionais antes de qualquer apuração formal.

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) também se posicionou. O órgão defendeu que possíveis irregularidades na escala médica e na prestação dos serviços sejam investigadas pelos canais institucionais, garantindo aos envolvidos o direito de defesa.

CONTRATO DE GESTÃO É ROMPIDO

Como consequência da crise, a Prefeitura de Barreiros anunciou a rescisão do contrato de gestão firmado com a Associação João Paulo II, organização responsável pela administração do hospital municipal.

Com a decisão, o município reassumirá diretamente a gestão administrativa, operacional e assistencial da unidade, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e do Fundo Municipal de Saúde.

De acordo com a prefeitura, a retomada será temporária, até que seja concluído um novo processo licitatório. A administração municipal justificou a medida com base no acompanhamento e na avaliação da execução contratual.

O QUE AINDA PRECISA SER ESCLARECIDO

O episódio deixa questões importantes que precisam de respostas. É necessário esclarecer se os médicos estavam efetivamente descumprindo suas obrigações ou se cumpriam um período regular de descanso previsto na organização dos plantões.

Também será importante conhecer os detalhes da avaliação que levou a prefeitura a romper o contrato com a organização responsável pela gestão hospitalar e quais medidas serão adotadas para garantir a continuidade e a qualidade dos atendimentos.

A fiscalização do serviço público é uma obrigação de qualquer gestor, especialmente quando envolve a saúde da população. Mas a apuração dos fatos precisa respeitar os procedimentos legais, a dignidade dos profissionais e, acima de tudo, o direito dos pacientes a um atendimento digno e eficiente.

Em Barreiros, a polêmica ultrapassou os limites de uma discussão sobre dois médicos e colocou sob os holofotes a gestão do principal equipamento municipal de saúde.

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