segunda-feira, 21 de abril de 2025

PAPA FRANCISCO ESCOLHEU SER ENTERRADO EM CAIXÃO SIMPLES DE MADEIRA E FORA DO VATICANO

A morte do papa Francisco, ocorrida nesta segunda-feira, 21, marca não apenas o fim de um pontificado repleto de simbolismos, mas também o início de uma despedida que rompe com tradições enraizadas há séculos na Igreja Católica. O velório e o sepultamento do pontífice argentino seguem diretrizes estabelecidas por ele próprio ainda em vida, como parte de seu esforço contínuo de simplificar a liturgia e aproximar o papado dos fiéis. Diferente dos predecessores, Francisco recusou os ritos majestosos que sempre acompanharam a morte de um papa e optou por uma cerimônia mais modesta, com elementos que refletem os valores de humildade e sobriedade que marcaram seu governo. O velório, por exemplo, não acontecerá sobre a tradicional plataforma elevada da Basílica de São Pedro, onde multidões costumavam se aglomerar para ver o corpo exposto. Desta vez, os fiéis poderão prestar suas homenagens enquanto Francisco repousa dentro de um caixão de madeira simples com tampa aberta, abandonando o simbolismo do corpo entronizado.

A decisão de Francisco de não ser enterrado na Basílica de São Pedro, que abriga os restos mortais de mais de noventa papas, também quebra um protocolo que perdurava há mais de cem anos. Em vez disso, o pontífice será sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, um templo que sempre teve lugar especial em sua espiritualidade. Foi ali que ele costumava rezar antes e depois de viagens apostólicas, e onde mantinha uma devoção particular à imagem de Maria, Salus Populi Romani. Esse gesto de ser enterrado fora dos muros do Vaticano reforça a imagem de um papa que se via, antes de tudo, como o bispo de Roma. Também vai contra a tradição do triplo caixão — cipreste, chumbo e carvalho — usados em pontificados anteriores. Francisco quis um único caixão de madeira, revestido internamente com zinco, em mais uma demonstração de desapego aos símbolos de poder temporal.

Essas mudanças nos ritos fúnebres não surpreendem os que acompanharam de perto o estilo pastoral de Francisco. Desde o início de seu papado, ele rejeitou pompas, escolheu viver na Casa Santa Marta em vez do Palácio Apostólico, usava sapatos simples, e evitava o uso de tronos. Agora, ao transformar até mesmo a própria morte em um ato de coerência com sua trajetória, Francisco imprime uma última e profunda lição sobre a essência do ministério petrino: serviço, humildade e proximidade com o povo.

NOTA DE PESAR - PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

A humanidade perde hoje uma voz de respeito e acolhimento ao próximo. O Papa Francisco viveu e propagou em seu dia a dia o amor, a tolerância e a solidariedade que são a base dos ensinamentos cristãos. 

Assim como ensinado na oração de São Francisco de Assis, o argentino Jorge Bergoglio buscou de forma incansável levar o amor onde existia o ódio. A união, onde havia a discórdia. E a compreensão de que somos todos iguais, vivendo em uma mesma casa, o nosso planeta, que precisa urgentemente dos nossos cuidados.
 
Com sua simplicidade, coragem e empatia, Francisco trouxe ao Vaticano o tema das mudanças climáticas. Criticou vigorosamente os modelos econômicos que levaram a humanidade a produzir tantas injustiças.
Mostrou que esse mesmo modelo é que gera desigualdade entre países e pessoas. E sempre se colocou ao lado daqueles que mais precisam: os pobres, os refugiados, os jovens, os idosos e as vítimas das guerras e de todas as formas de preconceito.

Nas vezes em que eu e Janja fomos abençoados com a oportunidade de encontrar o Papa Francisco e sermos recebidos por ele com muito carinho, pudemos compartilhar nossos ideais de paz, igualdade e justiça. Ideais de que o mundo sempre precisou. E sempre precisará.
 
Que Deus conforte os que hoje, em todos os lugares do mundo, sofrem a dor dessa enorme perda. Em sua memória e em homenagem à sua obra, decreto luto de sete dias no Brasil.
 
O Santo Padre se vai, mas suas mensagens seguirão gravadas em nossos corações.
 

Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República

NOTA DE PESAR - PRESIDENTE DA ALEPE - ALVARO PORTO

Nota de pesar
Com profundo pesar, o mundo de despede do Papa Francisco, líder religioso que deixa uma história de generosidade e luta pelos mais necessitados. O Papa exerceu sua missão com sabedoria, batalhando contra intolerâncias, preconceitos e injustiças, promovendo esperança e buscando soluções para os conflitos que afligem a humanidade. Usou seu carisma e influência em favor da misericórdia, do entendimento e da paz. Sua partida nos traz tristeza, mas também gratidão pelo grande exemplo de perseverança e amor ao próximo. Que Deus possa nos consolar diante desta grande perda. Que possamos encontrar conforto no legado de amor e justiça deixado pelo Papa Francisco.

Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

"NÃO ESTACIONEM O CORAÇÃO NAS ILUSÕES E NAS TRISTEZAS DESSE MUNDO, TEMOS QUE CORRER CHEIO DE ALEGRIA" DISSE O PAPA FRANCISCO EM SUA ÚLTIMA MENSAGEM ONTEM DIA DA RESSURREIÇÃO, DIA DA PÁSCOA

As últimas mensagens do papa Francisco: 'Não estacionem o coração na tristeza e nas ilusões'
Veja íntegra da homilia da Missa de Páscoa e da bênção Urbis et Orbi, ambas escritas pelo pontífice e lidas por cardeais neste domingo (20).
Por Redação g1
"Não podemos estacionar nosso coração nas ilusões deste mundo nem fechá-lo na tristeza; temos de correr, cheios de alegria."

As palavras deixadas nas últimas mensagens de Francisco para o mundo ecoam na manhã desta segunda-feira (21), após a morte do pontífice aos 88 anos.

Elas fazem parte de dois momentos do Domingo de Páscoa, na Basílica de São Pedro: a missa, celebrada pelo cardeal Angelo Comastri, e a bênção Urbis et Orbi. Leia a íntegra da homilia mais abaixo.

Francisco não celebrou a missa. Ele ainda estava debilitado após ter ficado 38 dias internado com um quadro de pneumonia.

Da sacada, em outro momento, o papa acenou para os fiéis e fez um pronunciamento breve após a leitura da bênção Urbis et Orbi: "Irmãos e irmãs, 

Homilia da Páscoa 

Maria Madalena, ao ver que a pedra do sepulcro tinha sido removida, começou a correr para ir avisar Pedro e João. Também os dois discípulos, tendo recebido aquela surpreendente notícia, saíram e – diz o Evangelho – «corriam os dois juntos» (Jo 20, 4). Os protagonistas dos relatos pascais correm todos! E este “correr” exprime, por um lado, a preocupação de que tivessem levado o corpo do Senhor; mas, por outro lado, a corrida de Maria Madalena, de Pedro e de João fala do desejo, do impulso do coração, da atitude interior de quem se põe à procura de Jesus. Ele, com efeito, ressuscitou dos mortos e, portanto, já não se encontra no túmulo. É preciso procurá-lo noutro lugar.

Este é o anúncio da Páscoa: é preciso procurá-lo noutro lugar. Cristo ressuscitou, está vivo! Não ficou prisioneiro da morte, já não está envolvido pelo sudário e, por isso, não podemos encerrá-lo numa bonita história para contar, não podemos fazer dele um herói do passado ou pensar nele como uma estátua colocada na sala de um museu! Pelo contrário, temos de O procurar, e, por isso, não podemos ficar parados. Temos de nos pôr em movimento, sair para O procurar: procurá-lo na vida, procurá-lo no rosto dos irmãos, procurá-lo no dia a dia, procurá-lo em todo o lado, exceto naquele túmulo.

Procurá-lo sempre. Porque se Ele ressuscitou, então está presente em toda a parte, habita no meio de nós, esconde-se e revela-se ainda hoje nas irmãs e nos irmãos que encontramos pelo caminho, nas situações mais anónimas e imprevisíveis da nossa vida. Ele está vivo e permanece sempre conosco, chorando as lágrimas de quem sofre e multiplicando a beleza da vida nos pequenos gestos de amor de cada um de nós.

Por isso, a fé pascal, que nos abre ao encontro com o Senhor ressuscitado e nos dispõe a acolhê-lo na nossa vida, é tudo menos uma acomodação estática ou um pacífico conformar-se numa segurança religiosa qualquer. Pelo contrário, a Páscoa põe-nos em movimento, impele-nos a correr como Maria de Magdala e como os discípulos; convida-nos a ter olhos capazes de “ver mais além”, para vislumbrar Jesus, o Vivente, como o Deus que se revela e ainda hoje se torna presente, nos fala, nos precede, nos surpreende. Como Maria Madalena, podemos fazer todos os dias a experiência de perder o Senhor, mas todos os dias podemos correr para O reencontrar, sabendo com certeza que Ele se deixa encontrar e nos ilumina com a luz da sua ressurreição.

Irmãos e irmãs, aqui está a maior esperança da nossa vida: podemos viver esta existência pobre, frágil e ferida agarrados a Cristo, porque Ele venceu a morte, vence a nossa escuridão e vencerá as trevas do mundo, para nos fazer viver com Ele na alegria, para sempre. Em direção a esta meta, como diz o Apóstolo Paulo, também nós corremos, esquecendo o que fica para trás e vivendo orientados para o que está à nossa frente (cf. Fl 3, 12-14). Apressemo-nos então a ir ao encontro de Cristo, com o passo ligeiro de Maria Madalena, Pedro e João.

O Jubileu convida-nos a renovar em nós mesmos o dom desta esperança, a mergulhar nela os nossos sofrimentos e as nossas inquietações, a contagiar aqueles que encontramos no caminho, a confiar a esta esperança o futuro da nossa vida e o destino da humanidade. Por isso, não podemos estacionar o nosso coração nas ilusões deste mundo, nem fechá-lo na tristeza; temos de correr, cheios de alegria. Corramos ao encontro de Jesus, redescubramos a graça inestimável de ser seus amigos. Deixemos que a sua Palavra de vida e verdade ilumine o nosso caminho. Como dizia o grande teólogo Henri de Lubac, «bastar-nos-á compreender isto: o cristianismo é Cristo. Verdadeiramente, não há nada mais do que isso. Em Cristo temos tudo» (Les responsabilités doctrinales des catholiques dans le monde d’aujourd’hui, Paris 2010, 276).

E este “tudo”, que é Cristo ressuscitado, abre a nossa vida à esperança. Ele está vivo e ainda hoje quer renovar a nossa vida. A Ele, vencedor do pecado e da morte, queremos dizer:

«Senhor, nesta festa, pedimos-vos este dom: que também nós sejamos novos para viver esta perene novidade. Afastai de nós, ó Deus, a poeira triste da rotina, do cansaço e do desencanto; dai-nos a alegria de acordar, a cada manhã, com os olhos maravilhados, para ver as cores inéditas daquele amanhecer, único e diferente de todos os outros. […] Tudo é novo, Senhor, e nada repetido, nada envelhecido» (A. Zarri, Quasi una preghiera).

Irmãs, irmãos, na maravilha da fé pascal, trazendo no coração todas as expetativas de paz e libertação, podemos dizer: Convosco, Senhor, tudo é novo. Convosco, tudo recomeça.

Bênção Urbis et Orbi
Cristo ressuscitou, aleluia!
Irmãos e irmãs, Feliz Páscoa!

Hoje ressoa finalmente na Igreja o Aleluia, que corre de boca em boca, de coração a coração, e o seu cântico faz chorar de alegria, no mundo inteiro, o povo de Deus.

Do sepulcro vazio de Jerusalém chega até nós um anúncio sem precedentes: Jesus, o Crucificado, «não está aqui; ressuscitou!» (Lc 24, 6). Não está no túmulo, está vivo!

O amor venceu o ódio. A luz venceu as trevas. A verdade venceu a mentira. O perdão venceu a vingança. O mal não desapareceu da nossa história e permanecerá até ao fim, mas já não lhe pertence o domínio, não tem qualquer poder sobre quem acolhe a graça deste dia.

Irmãs e irmãos, especialmente vós que passais pela dor e pela angústia, o vosso grito silencioso foi ouvido, as vossas lágrimas foram recolhidas e nem sequer uma só se perdeu! Na paixão e morte de Jesus, Deus tomou sobre si todo o mal do mundo e, com a sua infinita misericórdia, derrotou-o: erradicou o orgulho diabólico que envenena o coração humano e semeia violência e corrupção por toda a parte. O Cordeiro de Deus venceu! Por isso, hoje exclamamos: «Ressuscitou Cristo, minha esperança» (Sequência Pascal).

Sim, a ressurreição de Jesus é o fundamento da esperança: a partir deste acontecimento, ter esperança já não é uma ilusão. Não! Graças a Cristo crucificado e ressuscitado, a esperança não engana! Spes non confundit! (cf. Rm 5, 5). E não se trata duma esperança evasiva, mas comprometida; não é alienante, mas responsabilizadora.

Quem espera em Deus coloca as suas mãos frágeis na mão grande e forte d’Ele, deixa-se levantar e põe-se a caminho: juntamente com Jesus ressuscitado, torna-se peregrino de esperança, testemunha da vitória do Amor e do poder desarmado da Vida.

Cristo ressuscitou! Neste anúncio encerra-se todo o sentido da nossa existência, que não foi feita para a morte, mas para a vida. A Páscoa é a festa da vida! Deus criou-nos para a vida e quer que a humanidade ressurja! Aos seus olhos, todas as vidas são preciosas! Tanto a da criança no ventre da mãe, como a do idoso ou a do doente, considerados como pessoas a descartar num número cada vez maior de países.

Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo! Quanta violência vemos com frequência também nas famílias, dirigida contra as mulheres ou as crianças! Quanto desprezo se sente por vezes em relação aos mais fracos, marginalizados e migrantes!

Neste dia, gostaria que voltássemos a ter esperança e confiança nos outros, mesmo naqueles que não nos são próximos ou que vêm de terras distantes com usos, modos de vida, ideias e costumes diferentes dos que nos são familiares, porque somos todos filhos de Deus!

Gostaria que voltássemos a ter esperança de que a paz é possível! A partir do Santo Sepulcro, Igreja da Ressurreição, onde este ano a Páscoa é celebrada no mesmo dia por católicos e ortodoxos, se irradie sobre toda a Terra Santa e sobre o mundo inteiro a luz da paz. Sinto-me próximo dos cristãos que sofrem na Palestina e em Israel, bem como do povo israelita e palestiniano. É preocupante o crescente clima de antissemitismo que se está a espalhar por todo o mundo. E, ao mesmo tempo, o meu pensamento dirige-se ao povo, em particular, à comunidade cristã de Gaza, onde o terrível conflito continua a gerar morte e destruição e a provocar uma situação humanitária dramática e ignóbil. Apelo às partes beligerantes que cheguem a um cessar-fogo, que se libertem os reféns e se preste assistência à população faminta, desejosa de um futuro de paz!

Rezemos pelas comunidades cristãs do Líbano e da Síria – este último país a atravessar uma fase delicada da sua história –, que anseiam por estabilidade e participação no futuro das respetivas nações. Exorto toda a Igreja a acompanhar com atenção e oração os cristãos do amado Médio Oriente.

Dirijo também um pensamento especial ao povo do Iémen, que está a viver uma das piores crises humanitárias “prolongadas” do mundo devido à guerra, e convido todos a encontrar soluções através de um diálogo construtivo.

Que Cristo ressuscitado derrame o dom pascal da paz sobre a martirizada Ucrânia e encoraje as partes envolvidas a prosseguirem os seus esforços para alcançar uma paz justa e duradoura.

Neste dia de festa, recordemos o Sul do Cáucaso e rezemos pela rápida assinatura e aplicação de um definitivo Acordo de paz entre a Arménia e o Azerbaijão, que leve à tão desejada reconciliação na região.

Que a luz da Páscoa inspire propósitos de concórdia nos Balcãs Ocidentais e apoie os responsáveis políticos a trabalhar para evitar uma escalada de tensões e crises, bem como inspire os parceiros da região a rejeitar comportamentos perigosos e desestabilizadores.

Que Cristo ressuscitado, nossa esperança, conceda paz e conforto aos povos africanos vítimas de violência e conflitos, especialmente na República Democrática do Congo, no Sudão e no Sudão do Sul, e apoie todos quantos sofrem devido às tensões no Sahel, no Corno de África e na Região dos Grandes Lagos, tal como os cristãos que em muitos lugares não podem professar livremente a fé.

Não é possível haver paz onde não há liberdade religiosa ou onde não há liberdade de pensamento nem de expressão, nem respeito pela opinião dos outros.

Não é possível haver paz sem um verdadeiro desarmamento! A necessidade que cada povo sente de garantir a sua própria defesa não pode transformar-se numa corrida generalizada ao armamento. A luz da Páscoa incita-nos a derrubar as barreiras que criam divisões e que acarretam consequências políticas e económicas. Incita-nos a cuidar uns dos outros, a aumentar a solidariedade mútua, a trabalhar em prol do desenvolvimento integral de cada pessoa humana.

Neste momento, não falte a nossa ajuda ao povo do Myanmar que, atormentado por anos de conflito armado, enfrenta com coragem e paciência as consequências do devastador sismo em Sagaing, causador da morte de milhares de pessoas e de sofrimento para muitos sobreviventes, incluindo órfãos e idosos. Rezemos pelas vítimas e pelos seus entes queridos e agradeçamos de todo o coração a generosidade dos voluntários que levam a cabo as operações de socorro. O anúncio do cessar-fogo por parte de vários intervenientes no país é um sinal de esperança para todo o Myanmar.

Apelo a todos os que, no mundo, têm responsabilidades políticas para que não cedam à lógica do medo que fecha, mas usem os recursos disponíveis para ajudar os necessitados, combater a fome e promover iniciativas que favoreçam o desenvolvimento. Estas são as “armas” da paz: aquelas que constroem o futuro, em vez de espalhar morte!

Que o princípio da humanidade nunca deixe de ser o eixo do nosso agir quotidiano. Perante a crueldade dos conflitos que atingem civis indefesos, atacam escolas e hospitais e agentes humanitários, não podemos esquecer que não são atingidos alvos, mas pessoas com alma e dignidade.

E, neste ano jubilar, que a Páscoa seja também uma ocasião propícia para libertar os prisioneiros de guerra e os presos políticos!

Queridos irmãos e irmãs

Na Páscoa do Senhor, a morte e a vida enfrentaram-se num admirável combate, mas agora o Senhor vive para sempre (cf. Sequência Pascal) e infunde em cada um de nós a certeza de que somos igualmente chamados a participar na vida que não tem fim, na qual já não se ouvirá o fragor das armas nem os ecos da morte. Entreguemo-nos a Ele, o único que pode renovar todas as coisas (cf. Ap 21, 5)!

Feliz Páscoa para todos!

O PONTIFICADO DO PAPA FRANCISCO, O PAPA DO FIM DO MUNDO


Morreu aos 88 anos o papa Francisco, anunciou o Vaticano
Morreu o papa Francisco, líder da "simplicidade" que a Igreja Católica foi buscar "quase ao fim do mundo"
O Vaticano anunciou esta segunda-feira o falecimento do papa Francisco, aos 88 anos. Batizado como Jorge Mario Bergoglio, o bispo argentino nunca sonhou ser o líder da Igreja Católica e, como o próprio disse no dia em que se sentou pela primeira vez na Cátedra de São Pedro, o Conclave foi "buscá-lo quase ao fim do mundo" para suceder a Bento XVI. Sumo Pontífice desde março de 2013, Francisco iniciou uma nova era no Vaticano, marcada pela simplicidade, a humildade e um percurso de proximidade ao mundo.

De ascendência italiana mas nascido no bairro de Flores de Buenos Aires, na Argentina, a 17 de dezembro de 1936, Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa do continente americano, o primeiro pontífice do hemisfério sul, o primeiro chefe da Igreja Católica não europeu desde há mais de 1.200 anos e também o primeiro jesuíta a assumir as funções no Vaticano. Entre as estreias em Roma, foi também o primeiro papa com o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis, simbolizando humildade e compromisso com os pobres.

O mandato do papa Francisco foi, aliás, marcado por um estilo pastoral próximo do povo, com foco na justiça social e uma tentativa de abertura ao diálogo interreligioso. Francisco destacou-se dos antecessores, principalmente, pela sua simplicidade: rejeitou muitos símbolos tradicionais do papado, como o uso de apartamentos luxuosos, preferindo habitar na Casa Santa Marta, dentro do Vaticano; e costumava quebrar protocolos para se aproximar dos fiéis, abraçando pessoas doentes, crianças e pessoas marginalizadas.

Como afirmou na úlitma visita oficial a Portugal, Francisco acreditava numa Igreja onde "há espaço para todos".

Bergoglio foi eleito pelo Conclave a 13 de março de 2013, apesar de quase nada indicar que seria o escolhido para suceder Bento XVI.“Não existe nenhuma possibilidade” de ser nomeado Bispo de Roma – foi assim que se despediu o arcebispo Bergoglio quando saiu da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, a 26 de fevereiro de 2013, para apanhar o voo da Alitalia no aeroporto internacional rumo a Roma. Bento XVI tinha anunciado que dentro de dois dias renunciaria ao cargo e os cardeais eleitores da Igreja Católica Apostólica Romana iriam reunir para escolher o sucessor.

Pensou que estaria fora apenas duas semanas, o tempo que duraria o conclave no Vaticano. Voltaria em breve à Argentina para rezar a missa no Domingo de Ramos. Levou, por isso, uma mala apenas com as vestimentas que os cardeais usam no conclave e a sua pasta preta como bagagem de mão. Bergoglio repetiu tantas vezes para si que não havia possibilidade de ser eleito para líder da Igreja Católico que se convenceu. Ser o líder da Igreja Católica, contudo, nunca deixou de ser uma hipótese.
Nunca quis ser Papa. E referiu-o inúmeras vezes a biógrafos e a jornalistas. Não era uma ambição. 
Já em 1992, admitiu sentir-se contrariado quando foi nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires.
Para além de não desejar ser o sucessor de Bento XVI a sentar-se na Cátedra de São Pedro, também não era um nome que soasse na Igreja. Vinha do outro lado do mundo, do outro hemisfério e não era muito conhecido entre os nomes que se pensavam para o lugar Vaticano. Não havia previsões, ou notícias que apontassem o arcebispo argentino como um dos nomes prováveis para a eleição do conclave de 2013.

Na Capela Sistina, na primeira das cinco votações, os votos foram distribuídos por vários nomes. Na seguinte, já só três candidatos se destacavam: o argentino Jorge Mario Bergoglio, o italiano Angelo Scola e o canadense Marc Ousellet. Só na quinta ronda de votações, o até aí desconhecido clérigo argentino conseguiu dois terços dos votos – 77 votos entre os totais 115.

Pelas 19h40 de dia 13 de março de 2013, os milhares de fiéis que aguardavam ansiosamente na Praça de São Pedro viram finalmente o fumo branco da chaminé da Capela Sistina, que anunciava a eleição de um novo Papa.

"Habemus Papam" foi a expressão que mais se ouviu entre os milhares de pessoas que na Praça de S. Pedro aguardavam pelo fumo na chaminé do Vaticano, numa altura em que o sino da Basílica de São Pedro também soava a assinalar a eleição de Bergoglio.“Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais o foram buscar quase ao fim do mundo. Eis-me aqui!”.
O nomeado papa Francisco, nome que o próprio escolheu, dirigiu-se pela primeira vez à varanda da Basílica de São Pedro para saudar a multidão, vestindo apenas a batina papal branca.

No primeiro discurso, Francisco deu início a um novo caminho "de Bispo e povo", "um caminho de fraternidade, de amor, de confiança" e apelou, desde o primeiro dia, à "fraternidade" no mundo.
Papa Francisco em Portugal

Durante o seu pontificado, Francisco visitou Portugal em duas ocasiões: em maio de 2017 para as celebrações do Centenário das Aparições de Fátima - tendo estado no Santuário de Fátima, onde canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto; e na Jornada Mundial da Juventude em 2023, em Lisboa, visitando também novamente Fátima.

Na segunda visita de Francisco a Portugal, que durou cerca de cinco dias, o Papa teve vários encontros com os milhares de jovens peregrinos que vieram a Portugal, assim como com líderes políticos e religiosos, deixando, uma vez mais, uma mensagem central de esperança, união e fraternidade.

"Estou feliz por estar em Lisboa, cidade do encontro que abraça vários povos e culturas e que, nestes dias, se mostra ainda mais universal: torna-se, de certo modo, a capital do mundo", declarou à chegada Francisco, invocando uma canção popularizada por Amália Rodrigues para fazer seu, "com muito gosto, aquilo que os portugueses costumam cantar: 'Lisboa tem cheiro de flores e de mar'".

"Do oceano, Lisboa conserva o abraço e o perfume. [...] Lisboa, cidade do oceano, lembra a importância do conjunto, a importância de conhecer as fronteiras não como limites que separam, mas como zonas de contacto", destacou, na altura, líder da Igreja Católica. "Parece que as injustiças planetárias, as guerras, as crises climáticas e migratórias correm mais rapidamente do que a capacidade e, muitas vezes, a vontade de enfrentar em conjunto tais desafios. [Mas] Lisboa pode sugerir uma mudança de ritmo".

Ainda aproveitando a passagem pela capital portuguesa, com o Atlântico no horizonte, Francisco fez questão de lembrar a situação dos muitos migrantes que tentam chegar a território europeu e ainda a guerra na Ucrânia, apelando ao "grande afeto" que tinha pela Europa, ao "espírito de diálogo que a caracteriza" e questionando "por onde navega" o Ocidente, que rota segue para acabar com os conflitos.

No âmbito da JMJ, em agosto de 2023, Francisco presidiu a celebrações no Parque Eduardo VII e no Parque Tejo, visitou bairros da capital portuguesa e reuniu com vítimas de abusos na Igreja.

Uma das mensagens mais marcantes de Francisco nesta visita, e que mais ia ao encontro do legado que pretendia deixar, foi a de uma Igreja para todos, na qual apelava à igualdade e à fraternidade.

"Na Igreja ninguém está a mais, há espaço para todos (...). E Jesus disse isso claramente quando chamou os discípulos para o banquete de um senhor que o tinha preparado e disse tragam todos: jovens e velhos, doentes e sãos, justos e pecadores. Todos, todos, todos. Na Igreja há lugar para todos".Por altura da visita de Francisco, a Igreja em Portugal estava no rescaldo do escândalo dos abusos sexuais. Num discurso no Mosteiro dos Jerónimos, na altura, o Papa desafiou a Igreja em Portugal a ser "porto seguro, a "acolher e escutar as vítimas" e alertou para o "clericalismo que nos arruína".

O Sumo Pontífice condenou sempre os relatos de abusos sexuais, sobretudo na Igreja, pedindo que os suspeitos fossem responsabilizados e apelando à "tolerância zero".

Papa de causas sociais, da Justiça e pela ecologia
O pontificado de Francisco caracterizou-se, essencialmente, pelas suas mensagens com sentido à misericórdia, à inclusão e à reforma da Igreja e de como o mundo vê a Igreja. Enfrenta desafios internos e externos, especialmente pela resistência de alas mais tradicionais da Igreja, mas deixa um legado marcado pelo esforço em aproximar a Igreja do mundo moderno e dos mais necessitados.

Nos 12 anos como chefe da Igreja Católica, Francisco implementou reformas na Cúria Romana, visando maior transparência financeira e o combate à corrupção dentro do Vaticano. Além de criar o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, reforçando a atuação social da Igreja.

Nunca esquecendo o foco em temas como a Justiça Social e a Ecologia, publicou a encíclica "Laudato Si'", na qual defendia a proteção do meio ambiente, denunciando os efeitos do consumismo global e das alterações climáticas. Francisco sempre enfatizou a necessidade de uma economia mais justa e criticou o capitalismo desenfreado e as desigualdades sociais.

O papa Francisco também ficou conhecido pela tentativa de abertura ao diálogo e à inclusão, tendo promovido uma postura mais aberta sobre temas polémicos na Igreja mais conservadora, como o acolhimento a divorciados, de pessoas LGBTQ+ e pessoas em situação de marginalização.

Além disso, tentou aproximar e fortalecer o diálogo inter-religioso, encontrando-se com líderes islâmicos, judeus e cristãos ortodoxos para promover a paz.

Enquanto chefe de Estado do Vaticano, condenou sempre guerras e conflitos, como a invasão da Ucrânia pela Rússia ou os ataques na Faixa de Gaza, nos combates entre Israel e o Hamas.

Francisco defendia ainda o acolhimento de refugiados e migrantes, deixando apelos aos países desenvolvidos para que fossem mais solidários.

Incentivou ainda uma liturgia mais acessível e menos rígida, sem romper totalmente com a tradição e acabou por enfrentar resistência de setores mais conservadores da Igreja, que o consideraram progressista demais.

Quem foi Bergoglio?
Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, mas era neto de imigrantes italianos, que chegaram à Argentina em 1927, acompanhados dos seis filhos. Mario José Bergoglio, pai do Papa Francisco, era ferroviário e Regina Maria Sivoni, a mãe, era dona de casa.

Criado numa família católica, Jorge cresceu com grande influência da avó paterna que era presença constante na sua infância. E aos 15 anos, identificando-se cada vez mais com a fé católica, foi designado pelo professor de religião a preparar para a cerimónia de primeira comunhão dos colegas que ainda não tinham recebido o sacramento.

Apesar de ter tido uma juventude considerada normal, pertencendo a grupos de amigos e participando em convívios de jovens e em várias festas como qualquer adolescente, aos 17 anos já começava a mostrar vontade de seguir a carreira religiosa. Mas não foi um caminho direto.

Após o Ensino Secundário, entrou no Ensino Superior e, em 1957, formou-se em Química. Assim que concluiu o curso, aos 21 anos, decidiu entrar no seminário da Companhia de Jesus e formou-se na área da Filosofia.

Uns anos mais tarde, deu aulas nos colégios da Companhia de Jesus em Santa Fé e em Buenos Aires, época em que desenvolveu uma doença respiratória e teve de ser submetido a uma cirurgia para retirar parte de um pulmão.
Percurso antes do Vaticano

Apesar dos contratempos devido ao seu estado de saúde, Bergoglio manteve-se sempre ativo e continuando sempre a desenvolver as suas habilitações. A 13 de dezembro de 1969, Jorge Mario Bergoglio foi ordenado sacerdote e, no ano seguinte, graduou-se em Teologia na Faculdade de Filosofia e Teologia de São Miguel, continuando a lecionar em paralelo.

Em plena época ditadura militar na Argentina, nos anos de 1970, foi eleito responsável pela ordem jesuíta no país. Em 1986 foi para a Alemanha, onde finalizou a tese de doutoramento e em 1992, de regresso à Argentina, foi designado bispo auxiliar de Buenos Aires.

Apenas seis anos depois, em 1998, chegou a arcebispo primaz da Argentina, tendo dado início ao seu reconhecido trabalho pastoral dedicado às classes pobres e denunciando as injustiças económicas e sociais do país. As constantes visitas às comunidades pobres de Buenos Aires foram uma das muitas marcas que deixou enquanto esteve à frente da diocese, começando desde logo a demonstrar o seu reconhecido traço de humildade.

É ainda no papado de João Paulo II, a 21 de fevereiro de 2001, que é concedido a Bergoglio o título de cardeal. No conclave de 2005, o argentino foi o segundo mais votado entre os cardeais, atrás apenas do alemão Joseph Ratzinger que assumiu o papado como Bento XVI.

LUTO - MORRE PAPA FRANCISCO

Anúncio do Camerlengo Farrell da Casa Santa Marta: "Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Igreja"
Vatican News

Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras:

Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja.

Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados.

Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino."

Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo.

Em instantes seguimos com mais informações.

 

DOIS JOVENS MORREM AFOGADOS EM BARRAGEM EM CUPIRA

Dois jovens, de 19 e 20 anos, morreram afogados na tarde do sábado (19) em uma barragem localizada no município de Cupira, no Agreste de Pernambuco. De acordo com informações de testemunhas, um dos rapazes entrou na água e começou a se afogar. O outro, ao perceber o que estava acontecendo, tentou ajudar o amigo, mas também acabou se afogando.

O Corpo de Bombeiros foi acionado pouco depois do ocorrido e deu início às buscas ainda durante a tarde. As equipes encontraram os corpos dos dois jovens horas depois, na mesma barragem onde os afogamentos aconteceram. A retirada foi feita pelos bombeiros e registrada por pessoas que estavam no local.

Segundo os bombeiros, os jovens estavam em um ponto sem sinalização e sem estrutura adequada para banho. O local é conhecido na cidade e costuma receber moradores nos fins de semana, apesar de não contar com vigilância ou salva-vidas.

Os corpos foram encaminhados para o Instituto de Medicina Legal (IML). As famílias foram informadas e o caso gerou comoção em Cupira. A tragédia reacendeu preocupações sobre segurança em áreas de lazer sem fiscalização adequada.

BOLSONARO EXIBE CICATRIZ E FALA SOBRE QUADRO DE SAÚDE: " FASE DE RECUPERAÇÃO"

Bolsonaro exibe cicatriz e fala sobre quadro de saúde: "Fase de recuperação"
O ex-presidente Jair Bolsonaro compartilhou uma foto da cicatriz no abdômen após ser submetido a uma nova cirurgia para tratar uma obstrução intestinal. Neste domingo (20), através do X, o ex-mandatário contou que tem se “mantido estável” e com a “pressão controlada”.

“Sigo internado na UTI do Hospital DF Star, ainda em fase de recuperação após mais um procedimento cirúrgico. Tenho me mantido estável, com a pressão controlada e uma resposta clínica considerada positiva pelos médicos”, disse o ex-presidente na publicação. 

Jair Bolsonaro revela ainda que sua alimentação continua sendo por via venosa e que realiza sessões de fisioterapia. O ex-presidente está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital DF Star, em Brasília, e segue sem previsão de alta. 

“Por enquanto, ainda sigo sem alimentação oral, recebendo nutrição por via venosa, e realizando sessões diárias e mais acentuadas de fisioterapia para acelerar minha recuperação. A recomendação médica é de repouso absoluto, sem visitas, e ainda não há uma data definida para alta da UTI”, destacou Bolsonaro. 

“Hoje pela manhã retiraram o curativo na área dos pontos centrais para limpeza e averiguação da situação, além de dreno na lateral esquerda de meu abdômen”, acrescentou.

O ex-mandatário agradeceu as orações e mensagens de apoio que tem recebido. De acordo com ele, a atitude “faz diferença”.