terça-feira, 19 de agosto de 2025
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CPI DA PUBLICIDADE TEM DIOGO MORAES ELEITO EM VOTAÇÃO POLÊMICA NA ALEPE
Em um clima de tensão e expectativas elevadas, a Assembleia Legislativa de Pernambuco realizou a eleição para a presidência da CPI da publicidade, marcada por polêmicas e questionamentos sobre filiações partidárias. O deputado Diogo Moraes (PSDB) foi eleito presidente da comissão com 5 votos, sendo registrada a ausência de três parlamentares e uma abstenção. Entre os ausentes estavam representantes do Governo do Estado, que optaram por não participar da votação. Durante a sessão, o deputado João Paulo (PT) permaneceu presente e expressou decepção com a condução da instalação da CPI pela deputada Dani Portela (Psol), autora do pedido para a criação do colegiado.
Diogo Moraes concorreu como candidato único, em um acordo firmado entre os integrantes da oposição, mas sua eleição não passou sem questionamentos. Parlamentares governistas argumentaram que, segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral, Moraes ainda constaria como filiado ao PSB, o que gerou debates acalorados no plenário. O deputado rebateu as críticas, assegurando que sua filiação ao PSDB está devidamente respaldada pelo diretório estadual do partido, reforçando sua legitimidade para ocupar a presidência da CPI.
Na mesma votação, Antônio Coelho (UB) foi eleito vice-presidente, também com 5 votos, mantendo-se as três ausências e a mesma abstenção. Coelho não teve concorrente e destacou a importância de conduzir a comissão de forma imparcial, buscando a transparência nos trabalhos que serão realizados nos próximos meses. O cargo de relator ficou com Waldemar Borges (MDB), seguindo o mesmo padrão de votação, e também enfrentou questionamentos sobre a regularização de sua filiação partidária, alegando que a documentação no TSE ainda não refletiria sua entrada no MDB.
A CPI terá duração inicial de 120 dias, podendo ser prorrogada por mais 90, e foi constituída para investigar contratos de publicidade do Governo de Pernambuco, com foco na transparência e legalidade das ações administrativas. Além de Diogo Moraes, Antônio Coelho e Waldemar Borges, compõem a comissão os deputados Dani Portela (Psol) e Rodrigo Farias (PSB), representando a oposição, e João Paulo (PT), Antônio Moraes (PP), Wanderson Florêncio (SD) e Nino de Enoque (PL), compondo a base governista.
O debate sobre filiações partidárias dominou os primeiros momentos da reunião, com governistas insistindo que Moraes e Borges ainda não estariam oficialmente filiados aos novos partidos, enquanto os dois parlamentares reafirmaram respaldo de seus diretórios estaduais. A tensão política foi evidente, refletindo a importância estratégica da CPI na Assembleia e o impacto que seus trabalhos poderão ter sobre a administração estadual. A votação uniu a oposição em torno de um consenso para presidência, enquanto a base do governo optou por ausentar-se, mantendo um silêncio estratégico frente às movimentações internas da comissão.
Os primeiros encontros da CPI deverão definir o calendário de audiências, convocações de servidores e análise de contratos, em um processo que promete intensas discussões políticas, além de um escrutínio detalhado sobre as despesas com publicidade do governo. O clima de instabilidade entre governistas e opositores indica que os próximos dias serão decisivos para consolidar a atuação da comissão, que já se apresenta como uma das mais observadas e polêmicas da atual legislatura da Assembleia Legislativa de Pernambuco.
A eleição de Diogo Moraes e a configuração da comissão evidenciam a articulação política de cada bancada, reforçando a importância estratégica da CPI para a oposição e para o controle dos atos do governo estadual, enquanto os parlamentares se preparam para uma série de debates e possíveis embates ao longo de sua atuação.
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O retorno do deputado estadual Waldemar Borges ao MDB marca um dos capítulos mais simbólicos da atual legislatura em Pernambuco, resgatando a trajetória de um político que já havia passado pela sigla em momentos cruciais da redemocratização brasileira. Militante histórico do PSB e considerado um dos parlamentares mais experientes da Casa Joaquim Nabuco, Borges reencontra o MDB após quase quatro décadas, já que em 1988 concorreu pela primeira vez a uma eleição de vereador sob a bandeira emedebista, quando o partido era visto como herdeiro direto das lutas contra o regime militar e referência de resistência democrática. A movimentação não é apenas uma volta nostálgica, mas carrega consigo forte carga de articulação política em meio ao ambiente de instabilidade que a governadora Raquel Lyra enfrenta na Assembleia Legislativa. A chegada do deputado ao MDB fortalece a legenda dentro do Legislativo e cria uma rede de influência capaz de reposicionar o partido como peça-chave na correlação de forças, em especial no jogo travado contra a base governista. Borges sempre foi um articulador habilidoso, acostumado a atuar tanto nos bastidores quanto em debates públicos de grande repercussão, o que aumenta o peso de sua entrada no partido liderado em Pernambuco por figuras que pretendem ampliar protagonismo nos próximos anos. O gesto também representa um sinal de que setores antes identificados historicamente com o PSB buscam novos espaços e alianças para se contrapor à condução política do Palácio do Campo das Princesas. Ao se somar ao MDB, Borges passa a ser um elo entre a memória da luta democrática e os desafios do presente, carregando sua experiência de legislador, ex-presidente da Alepe e articulador nato de maiorias. Essa movimentação promete aquecer ainda mais os embates parlamentares, sobretudo em votações que envolvem a pauta de interesse do governo estadual, que passa a ter diante de si uma oposição mais fortalecida e diversificada. A filiação é também interpretada como uma reaproximação de antigos companheiros de trajetória, já que o MDB abriga quadros que estiveram ao lado de Borges no início de sua caminhada política. Ao mesmo tempo, sinaliza que o partido busca se reposicionar como um polo de gravidade próprio, distante tanto do PSB quanto do bloco governista, mirando a construção de uma identidade renovada. Esse reencontro entre Waldemar Borges e o MDB, portanto, vai além do gesto individual de filiação, representando a tentativa de reescrever papéis no xadrez político pernambucano e de redefinir forças no coração da Assembleia Legislativa.