domingo, 9 de novembro de 2025

RAQUEL JOGA NA SURDINA E PSD PREPARA CHAPAS FORTES PARA 2026, DIZ SECRETÁRIO ANDRÉ TEIXEIRA

O vice-presidente do PSD em Pernambuco e atual secretário de Infraestrutura do Estado, André Teixeira, revelou que o partido comandado pela governadora Raquel Lyra está “trabalhando na surdina” para montar chapas competitivas nas eleições de 2026. Segundo ele, o objetivo é claro: conquistar a maior bancada estadual e federal do estado. “Pode escrever: vamos ter a maior bancada na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa”, garantiu o dirigente.

Questionado sobre o sigilo em torno dos nomes que comporão as chapas, André explicou que “a governadora trabalha na surdina, mas está trabalhando”. O comentário reforça o estilo reservado de Raquel, que tem evitado antecipar movimentos políticos, priorizando resultados administrativos e alianças silenciosas.

Mesmo com o mistério, o secretário assegura que a governadora pretende fortalecer toda a base aliada. “Raquel vai ajudar todos os partidos da base, pois precisa de maioria para continuar tocando obras e serviços essenciais para o desenvolvimento do estado”, afirmou.

Nos bastidores, no entanto, há especulações de que legendas como PP e Podemos possam surpreender o PSD nas urnas. O PP conta com o deputado federal Eduardo da Fonte, conhecido por articular grandes bancadas, enquanto o Podemos é liderado por Marcelo Gouveia, presidente da Amupe e ex-prefeito de Paudalho, outro nome habilidoso na formação de chapas.

A expectativa é que Raquel Lyra repita o êxito de 2022, mas agora em um cenário político bem diferente. Naquele pleito, ela venceu com apenas três deputados estaduais e nenhum federal. Desta vez, com a máquina estadual nas mãos, a governadora tem condições de ampliar seu poder político. “Ela está fazendo um excelente governo, mas precisa fazer política. Sem isso, corre risco desnecessário”, alertou uma liderança próxima ao Palácio.

MARCELO GOUVEIA PERDE FÔLEGO NA AMUPE E FOCO NAS PAUTAS MUNICIPALISTAS

Por Greovário Nicolas

A liderança do presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Marcelo Gouveia, parece atravessar um período de desgaste e desarticulação. A recente audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), realizada na última quarta-feira (5), expôs de forma cristalina a perda de força política do gestor à frente da entidade. Convocada para discutir os projetos de isenção do IPVA em tramitação na Casa, a reunião teve uma presença pífia: apenas seis prefeitos atenderam ao chamado.

A audiência tratava de um tema sensível — a possível redução das receitas municipais diante da ampliação das isenções do IPVA para motoristas de aplicativo, motocicletas de até 170 cilindradas, automóveis com mais de 15 anos de uso e veículos híbridos. Marcelo, desde o início, vem soando o alarme sobre os riscos fiscais dessas medidas, cobrando do Estado um plano de compensação para as prefeituras, que dependem fortemente dessa arrecadação. Ainda assim, sua tentativa de reunir os gestores em torno de uma pauta de impacto direto sobre as finanças locais não teve eco.

Prefeitos de apenas seis cidades — Panelas, Altinho, Riacho das Almas, Belém de Maria, Barra de Guabiraba e Aliança — marcaram presença. O esvaziamento do encontro deixou evidente um enfraquecimento da capacidade de mobilização de Gouveia, que, outrora, se destacava pela habilidade de articular os interesses municipais diante do Governo do Estado e do Legislativo. Nos corredores da Alepe, o comentário era inevitável: o presidente da Amupe não conseguiu levar sequer dez prefeitos a uma audiência que tratava do bolso das prefeituras.

Nos bastidores, a leitura é de que Marcelo Gouveia, atualmente filiado ao Podemos, tem dividido seu tempo e sua energia entre as demandas da Amupe e o projeto político que pretende abraçar em 2026. A candidatura a deputado federal, já ventilada entre aliados próximos, parece ter se tornado prioridade. O próprio grupo político do gestor de Paudalho dá sinais de movimentação intensa nos bastidores, em busca de apoios e alianças que sustentem o futuro palanque.

Fontes do meio político revelam que Gouveia já teria garantido o apoio de pelo menos 15 prefeitos para sua caminhada rumo à Câmara dos Deputados. Esse esforço, embora legítimo, tem cobrado um preço alto: o distanciamento das causas coletivas que sempre foram a marca da Amupe. A entidade, que historicamente funcionou como a voz das prefeituras pernambucanas, hoje dá sinais de dispersão, com prefeitos mais preocupados com a sobrevivência política local do que com o associativismo municipalista.

A impressão geral é a de que Marcelo perdeu o timing. Enquanto o debate sobre o IPVA exige articulação técnica e política, ele tenta equilibrar dois pratos — a presidência de uma instituição que requer diálogo constante e uma pré-campanha que demanda visibilidade e tempo. O resultado é um vácuo de liderança que fragiliza a Amupe num momento em que o municipalismo enfrenta grandes desafios.

Em suma, Marcelo Gouveia parece ter trocado a mobilização pela ambição, a pauta coletiva pela pessoal. E, ao que tudo indica, o preço dessa escolha pode ser alto: a perda de prestígio junto aos próprios colegas prefeitos que, outrora, o viam como uma referência de articulação e defesa dos municípios.

PLANO B DO PL: A DISPUTA VELADA ENTRE ANDERSON FERREIRA E GILSON MACHADO EXPÕE RACHADURA NA DIREITA PERNAMBUCANA

A relação entre duas das principais lideranças da direita em Pernambuco vive um dos momentos mais delicados desde as eleições de 2022. O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, e o ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, seguem alimentando o sonho de disputar o Senado em 2026, mas já não mantêm diálogo político há meses. O impasse, que parecia passageiro, transformou-se em um divisor dentro do PL estadual. “Se estivermos unidos, podemos eleger um senador. Mas, separados, isso se torna impossível”, confidenciou a este blog um deputado estadual da legenda, que ainda tenta costurar a reconciliação entre os dois.

Nos bastidores, contudo, cresce a percepção de que tanto Anderson quanto Gilson já trabalham com alternativas caso o acordo não saia do papel. Fontes próximas ao comando do PL afirmam que Gilson Machado, desiludido com o isolamento dentro do partido, considera disputar uma vaga de deputado federal — seja pelo PL ou por outra legenda conservadora. Anderson Ferreira, por sua vez, planeja seguir o mesmo caminho, mas permanecendo na sigla que preside em Pernambuco.

O chamado “Plano B dos Ferreira” incluiria também uma reconfiguração interna da família. O deputado federal André Ferreira migraria para a Assembleia Legislativa, preparando-se estrategicamente para concorrer à Prefeitura do Recife em 2028, num movimento de fortalecimento do clã. Já o vereador do Recife, Fred Ferreira, cunhado de Anderson e André, manteria seu mandato na Câmara Municipal e seria novamente candidato a deputado estadual, ampliando sua base política na capital.

A indefinição sobre o Senado, contudo, gera apreensão entre aliados e militantes do bolsonarismo pernambucano, que veem na desunião uma ameaça à consolidação do campo conservador no Estado. Enquanto Anderson articula discretamente com prefeitos e lideranças do interior, Gilson aposta na visibilidade nacional e na relação direta com o ex-presidente Jair Bolsonaro, tentando se manter como nome viável para 2026.

Nos próximos meses, o comportamento de ambos será decisivo para o futuro do PL em Pernambuco. Se não houver um gesto de aproximação, o partido poderá entrar na eleição dividido, enfraquecendo seu poder de influência e colocando em risco um projeto que, até pouco tempo atrás, parecia sólido e vitorioso.

RAQUEL LYRA ABRE NESTA SEGUNDA A 82ª EXPOSIÇÃO NORDESTINA DE ANIMAIS E PRODUTOS DERIVADOS NO RECIFE

A governadora Raquel Lyra participa nesta segunda-feira (10), às 18h, da abertura oficial da 82ª Exposição Nordestina de Animais e Produtos Derivados, evento que transforma o Parque de Exposições do Cordeiro, na Avenida Caxangá, em um grande centro de celebração do agronegócio regional. Realizada anualmente, a exposição é um marco na agenda rural do Nordeste e deve reunir milhares de visitantes, entre criadores, pesquisadores, estudantes e empreendedores do campo.

Mais do que uma feira, a exposição é uma vitrine viva da força do setor agropecuário nordestino. No espaço, estarão em destaque rebanhos de alto padrão genético, maquinário de última geração, produtos da agroindústria familiar e iniciativas voltadas à sustentabilidade e à inovação. A governadora deve aproveitar o evento para reforçar o compromisso do Estado com políticas que incentivem o crescimento da produção rural e o fortalecimento das cadeias produtivas locais.

Com uma programação que une tradição e modernidade, a 82ª edição da exposição busca aproximar o público urbano da realidade do campo, mostrando a importância da pecuária e da agricultura para a economia pernambucana. A presença de Raquel Lyra simboliza o apoio do governo aos produtores que mantêm viva a cultura rural, geram emprego e impulsionam o desenvolvimento sustentável.

A expectativa é que o evento movimente milhões em negócios e impulsione o turismo e o comércio da capital pernambucana, consolidando o Recife como palco de uma das mais importantes celebrações do agronegócio do Brasil.

SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE DEFINE RUMOS POLÍTICOS: FÁBIO ARAGÃO E CARLINHOS DA COHAB DOMINAM CENÁRIO ELEITORAL EM PESQUISA EXCLUSIVA

Uma pesquisa qualitativa realizada entre os dias 3 e 5 de novembro de 2025 revelou um panorama político detalhado e surpreendente em Santa Cruz do Capibaribe, um dos principais polos eleitorais do Agreste pernambucano. O levantamento, de consumo interno, ouviu 435 eleitores em diferentes bairros da cidade, por meio de entrevistas presenciais domiciliares, com margem de erro de 4,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95,5%.

Os dados mostram não apenas tendências eleitorais, mas também o fortalecimento de lideranças locais que vêm se consolidando como protagonistas na política regional. O ex-prefeito Fábio Aragão e o vereador Carlinhos da Cohab despontam como os nomes mais influentes da nova geração política santa-cruzense, refletindo a força das bases populares e o desejo de renovação dentro do eleitorado.

Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Fábio Aragão aparece em posição privilegiada. No cenário espontâneo, quando o eleitor cita nomes livremente, ele lidera com 29% das menções, seguido por Diogo Moraes, com 11%, e Edson Vieira, com 9%. Já no cenário estimulado, quando são apresentados os nomes dos candidatos, Fábio dispara e chega a 48% das intenções de voto, ampliando sua vantagem sobre Diogo (18%) e Edson (14%). O resultado evidencia não apenas seu recall político, mas também a aprovação de sua gestão passada e a capacidade de mobilizar apoio em diferentes segmentos sociais.

Para deputado federal, o destaque é Carlinhos da Cohab, que se firma como uma das principais revelações do cenário político atual. O vereador lidera com folga tanto na pesquisa espontânea, onde soma 19%, quanto no cenário estimulado, em que atinge 29% das intenções de voto, superando nomes de expressão estadual como Felipe Carreras (21%) e Eduardo da Fonte (12%). A pesquisa aponta que sua força está concentrada nas comunidades periféricas e nas áreas mais populosas da cidade, onde seu trabalho de base é reconhecido e valorizado.

No plano estadual, a disputa pelo Governo de Pernambuco segue polarizada entre João Campos e Raquel Lyra. O prefeito do Recife aparece com 26% na espontânea, enquanto a governadora marca 24%. Com os nomes apresentados, João sobe para 42% e Raquel alcança 38%, configurando um cenário de equilíbrio e acirrada competição. O ex-ministro Gilson Machado, com 7%, é o nome que mais cresce entre os eleitores conservadores do interior.

A corrida pelo Senado, por sua vez, mostra-se aberta e sem favorito absoluto. Eduardo da Fonte lidera com 20,8%, seguido de perto por Marília Arraes (18,1%) e Humberto Costa (14,8%). Gilson Machado (12%) e Miguel Coelho (11,2%) completam o grupo dos mais lembrados. Os números evidenciam uma disputa fragmentada, em que alianças regionais e estratégias de comunicação serão determinantes até 2026.

O levantamento confirma que Santa Cruz do Capibaribe se consolida como uma cidade-chave nas articulações políticas do Estado. Fábio Aragão e Carlinhos da Cohab despontam como símbolos de uma nova fase, em que o protagonismo local e o diálogo com as bases podem redefinir o equilíbrio de forças no Agreste e influenciar diretamente as eleições do próximo ano.


Blog do Mário Flavio

ARCOVERDE MOBILIZA POPULAÇÃO NO DIA D DE VACINAÇÃO ANTIRRÁBICA E REFORÇA COMPROMISSO COM A SAÚDE ANIMAL E COLETIVA

A Prefeitura de Arcoverde promoveu, neste fim de semana, o Dia D da Campanha de Vacinação Antirrábica, uma grande mobilização que envolveu profissionais da Secretaria Municipal de Saúde e centenas de tutores de cães e gatos em todos os bairros da cidade. A ação teve como principal objetivo proteger os animais contra a raiva, uma doença grave e fatal que também pode ser transmitida aos seres humanos.

Durante todo o dia, foram montados diversos pontos de vacinação em áreas estratégicas, garantindo o acesso da população e facilitando a imunização dos animais. Equipes de agentes comunitários e técnicos da Vigilância em Saúde percorreram ruas e comunidades rurais, ampliando o alcance da campanha e reforçando a importância da prevenção.

O prefeito Zeca Cavalcanti destacou que a iniciativa é parte de um conjunto de políticas públicas voltadas à promoção da saúde e ao bem-estar da população. “Cuidar dos nossos animais é também cuidar das pessoas. É um ato de responsabilidade e de amor que reflete o compromisso da nossa gestão com uma Arcoverde mais segura e saudável”, afirmou o gestor.

Além da vacinação, a campanha também serviu como momento educativo, com orientações sobre cuidados com os pets, controle de zoonoses e prevenção de doenças transmitidas por animais. A ação recebeu ampla adesão da comunidade, que reconheceu o esforço da Prefeitura em manter um trabalho contínuo de vigilância e proteção.

Com a realização bem-sucedida do Dia D, Arcoverde reafirma seu papel de destaque na execução de políticas de saúde pública, consolidando-se como uma “Cidade Forte Novamente”, onde o cuidado com os animais e com a vida humana caminham lado a lado.

MUNICÍPIOS SOAM O ALERTA: ISENÇÃO DO IPVA NA ALEPE PODE GERAR ROMBO MILIONÁRIO E COMPROMETER SERVIÇOS ESSENCIAIS

A proposta de isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), em análise na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), acendeu um sinal de alerta entre os prefeitos do Estado. De acordo com um levantamento da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), a aprovação das medidas poderá causar uma perda estimada em R$ 500 milhões na receita estadual, reduzindo drasticamente o repasse de recursos para os municípios. Como metade do valor arrecadado com o tributo é transferida às prefeituras, a mudança ameaça diretamente a capacidade de manutenção de serviços básicos, como saúde, educação e infraestrutura.

O pacote de projetos em tramitação prevê isenção do IPVA para motoristas de aplicativo, motocicletas de até 170 cilindradas, veículos híbridos e automóveis com mais de 15 anos de fabricação. A secretária-executiva de Gestão Estratégica da Secretaria da Fazenda, Cindy Barbosa, explicou, em audiência pública na Alepe, que o Estado já enfrenta uma queda expressiva na arrecadação desde 2023, após a redução da alíquota do imposto para 2,4%, o menor índice do Nordeste.

Para o vice-presidente da Amupe e prefeito de Aliança, Pedro Freitas, a medida, embora bem-intencionada, pode causar sérios desequilíbrios financeiros. “Municípios pequenos, que têm pouca capacidade de gerar receita própria, dependem fortemente do IPVA para custear serviços essenciais. Sem esses repasses, há risco real de colapso em áreas vitais”, alertou. Segundo o levantamento, Aliança pode perder cerca de R$ 1,3 milhão entre 2025 e 2026, caindo de R$ 2,2 milhões para pouco mais de R$ 940 mil.

Em Vitória de Santo Antão, a projeção é ainda mais drástica: o município deixaria de receber R$ 11 milhões em repasses no próximo ano, caso os projetos sejam aprovados sem ajustes. O prefeito Paulo Roberto Arruda (MDB) defende a necessidade de diálogo e planejamento: “Não somos contra a redução de impostos, mas toda renúncia fiscal precisa vir acompanhada de medidas de compensação. É fundamental que a Alepe e os municípios criem um grupo de trabalho para discutir soluções conjuntas”.

A preocupação também é jurídica. O advogado municipalista Marcus Alencar, que assessora a Amupe, destacou que os projetos de isenção não apresentaram estudo de impacto financeiro nem previsão de medidas compensatórias — exigências legais da Lei de Responsabilidade Fiscal e do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Ele adverte que, sem essas salvaguardas, as propostas podem ser contestadas judicialmente. “A legislação é clara: qualquer renúncia de receita precisa vir acompanhada de uma estimativa detalhada e de uma forma concreta de compensação. Ignorar isso coloca em risco a segurança fiscal do Estado e das cidades”, pontuou.

Enquanto o debate avança no plenário da Alepe, prefeitos e gestores municipais reforçam o apelo por responsabilidade e equilíbrio. Para eles, o desafio é encontrar um ponto de convergência entre o alívio tributário desejado pela população e a sustentabilidade financeira dos cofres públicos locais.

USINA SOLAR GARANTIRÁ DESCARBONIZAÇÃO DA ENERGIA EM NORONHA ATÉ 2027


Da Agência Brasil
O projeto da Usina Solar Noronha Verde, que tem o objetivo de descarbonizar a geração de energia elétrica no arquipélago de Fernando de Noronha até 2027, foi lançado ontem (8) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e o grupo Neoenergia. A estrutura prevê o abastecimento completo da ilha de energia elétrica por fonte solar. A parceria tem também a participação do governo de Pernambuco.

Com investimento de R$ 350 milhões da Neoenergia, o empreendimento prevê a instalação de mais de 30 mil painéis solares fotovoltaicos integrados a sistemas de armazenamento por baterias. Os painéis serão instalados em 24,63 hectares, o que equivale a 1,5% da área de Fernando de Noronha. Essas áreas foram cedidas pela Aeronáutica e pela administração da ilha, que é feita pelo governo pernambucano.

A implantação será realizada em duas fases, sendo a primeira prevista para entrar em operação até maio de 2026 e a segunda, no primeiro semestre de 2027. Com isso, Noronha será a primeira ilha oceânica habitada da América Latina a alcançar esse patamar de descarbonização. O anúncio do projeto ocorreu às vésperas da COP30, que ocorre, este ano, no Brasil.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que, com o Noronha Verde, o país dá exemplo, no âmbito da COP30, em relação à transição de matriz energética.

“Nós avançamos nessa nova economia, que é a economia verde. [A mudança da matriz energética], que começou sob o pilar da sustentabilidade, hoje gera emprego e renda. Não há solução fora dessa nova economia. Fernando de Noronha dá exemplo para o mundo. O Brasil dá exemplo dentro da COP, da sua mudança da matriz energética”, disse Silveira.

Para Ignacio Galán, presidente da Iberdola, que é a controladora da Neoenergia, o projeto celebrado hoje é um exemplo de como a cooperação e uma visão compartilhada podem transformar realidades, além de deixar um legado para as gerações futuras.

“Nada disso seria possível sem uma política energética clara, a visão promovida pelo presidente Lula e pelo ministro Silveira e a estabilidade regulatória do país tornaram o Brasil uma referência mundial no setor elétrico”, disse Galán.

A nova planta solar fotovoltaica, integrada ao sistema de baterias, terá capacidade de geração de 22 MWp, com 49 MWh de sistema BESS, o equivalente ao consumo de 9 mil residências no continente, informou a empresa.

“Reforço ainda que os benefícios do projeto vão além da energia limpa e sustentável, o projeto também contribuirá para o sistema elétrico brasileiro ao reduzir em até 10% o custo da geração da ilha. Portanto, energia mais limpa, sustentável e mais barata”, disse o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui.

Ele explicou que, durante o dia, a usina solar fornecerá a energia necessária para o consumo instantâneo da ilha e para carregar as baterias, enquanto durante a noite as baterias, previamente carregadas, fornecerão a energia para o consumo noturno. “Tudo isso com segurança no fornecimento e emissões zero.”

A professora Edileuza Maria dos Santos, moradora de Fernando de Noronha, participou do evento e falou em nome da comunidade. “Queríamos ver nossa ilha crescer sem perder a essência da natureza que tanto amamos. E agora, com essa usina solar, isso será possível. Nos orgulhamos em saber que teremos energia limpa e um futuro feliz para nossos filhos, nossos netos e nossa comunidade”, disse.

Em seu discurso, a governadora de Pernambuco Raquel Lyra saudou a professora Edileuza. “Muito bom ouvir sua fala porque, na verdade, tudo isso importa se fizer sentido pra vocês. Se não fosse pra trazer repercussão de verdade, para modificar a vida de quem vive aqui, pra gente não faria sentido algum, então obrigada pela confiança”, disse. Ela acrescentou que “um lugar só é bom para visitar quando ele é bom pra viver”.

Segundo Lyra, por muito tempo a ilha não recebeu investimentos. “A gente hoje lança uma pedra fundamental. Tirar o diesel daqui significa um novo começo para Fernando de Noronha. Tirar combustível fóssil da ilha, [significa] permitir que a gente possa começar uma nova janela de oportunidade, de investimentos em turismo e desenvolvimento sustentável”.

Energia gerada por diesel

Atualmente, a energia consumida em Fernando de Noronha é gerada pela Usina Tubarão, à base de diesel — um combustível fóssil —, que atende 95% da demanda. Os outros 5% são atendidos por três pequenas usinas solares que operam na ilha. Após a transição completa, Tubarão ficará disponível apenas como backup, em caso de alguma necessidade.

Considerando a logística desse combustível, em média 200 mil litros de diesel chegam por meio de navios oriundos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. São utilizados na usina cerca de 30 mil litros de combustível por dia para o abastecimento energético na ilha. Segundo a empresa, em 2024, a operação da Usina Tubarão resultou na emissão de 21 toneladas de CO².

A Neoenergia informou que o projeto da usina solar foi licenciado pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), com anuência do ICMBio, gestor das Unidades de Conservação Federal. “Será um legado para o país em um momento em que recebemos o mais importante evento com foco na agenda climática global, a COP”, disse Capelastegui