Produzida na fábrica da Nissan em Smyrna, no estado do Tennessee, a Frontier voltou ao mesmo local onde nasceu, 13 anos depois, não para revisão ou reparos, mas para integrar o acervo histórico da marca. O retorno simbólico marcou o encerramento de uma trajetória incomum, construída ao longo de jornadas exaustivas pelas estradas norte-americanas, em um ritmo que poucos veículos suportariam.
Segundo a própria Nissan, Brian Murphy percorria diariamente entre 482 e 643 quilômetros, em uma rotina intensa de entregas que rapidamente elevou a quilometragem da picape. Esse uso constante, longe de comprometer a durabilidade, acabou evidenciando a robustez do projeto. Componentes essenciais resistiram por períodos surpreendentes: a embreagem original funcionou por mais de 1,28 milhão de quilômetros antes de ser substituída; o radiador e o alternador superaram a marca de 724 mil quilômetros; e até o banco do motorista, submetido ao desgaste diário, permaneceu em condições de uso até cerca de 804 mil quilômetros.
A antiga Frontier era equipada com motor quatro cilindros 2.5 e câmbio manual de cinco marchas, um conjunto simples, mas que se mostrou extremamente confiável ao longo dos anos. O desempenho consistente e a manutenção adequada foram fatores determinantes para que o veículo atingisse números tão elevados, tornando-se um exemplo real de resistência mecânica e engenharia voltada para o trabalho pesado.
O feito não passou despercebido pela montadora. Em reconhecimento à lealdade do motorista e à durabilidade excepcional do veículo, a Nissan presenteou Brian Murphy, em 2020, com uma Frontier SV King Cab 4×4 zero quilômetro. O novo modelo trouxe um salto tecnológico considerável, equipado com motor V6 3.8 de injeção direta e transmissão automática de nove marchas, representando uma nova geração da picape, mais potente, confortável e eficiente.
O caso rapidamente ganhou repercussão e passou a ser citado como um dos maiores exemplos de longevidade já registrados pela Nissan. Mais do que um número impressionante no hodômetro, a Frontier de Brian Murphy se transformou em um símbolo da confiabilidade da marca, mostrando que, sob uso extremo e manutenção correta, um veículo pode ir muito além do que se imagina — atravessando estradas, anos e expectativas para entrar definitivamente na história do setor automotivo.