segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
EDUARDO DA FONTE APRESENTA PROJETO QUE FIXA PRAZO MÁXIMO DE 60 DIAS PARA EXAMES NO SUS
TRADIÇÃO, FREVO E ELEGÂNCIA MARCAM A ABERTURA OFICIAL DO CARNAVAL DE ARCOVERDE NO BAILE MUNICIPAL
Logo nas primeiras horas da noite, o clima já era de encantamento. Fantasias caprichadas, máscaras cheias de personalidade e trajes elegantes dividiram espaço com sorrisos largos e reencontros animados. O tradicional concurso de fantasias mais uma vez foi um dos pontos altos, resgatando o espírito lúdico dos antigos carnavais de salão e reforçando o caráter cultural do evento, que atravessa gerações sem perder o brilho.
A trilha sonora da festa foi um espetáculo à parte. O Grupo Revelação abriu a programação colocando o público para cantar e sambar em um repertório que misturou sucessos consagrados e a energia contagiante do pagode. Em seguida, a Orquestra Super Oara assumiu o comando da pista, conduzindo os foliões por ritmos variados que mantiveram o salão cheio e a animação em alta. O encerramento ficou por conta de SpokFrevo, maestro reverenciado em Pernambuco, que levou a vibração do frevo a um nível quase hipnótico, fazendo do salão um verdadeiro reduto da cultura carnavalesca do estado.
Presente na celebração, o prefeito Zeca Cavalcanti destacou o valor simbólico do baile para o calendário cultural do município. Em meio à festa, ressaltou que o evento representa não apenas o início do Carnaval, mas também a força das tradições locais e a capacidade de Arcoverde de promover uma festa organizada, culturalmente rica e popular ao mesmo tempo. Para ele, ver o salão lotado e o público animado é a confirmação de que a cidade mantém viva a essência do seu Carnaval.
A secretária de Turismo, Esportes e Eventos, Nerianny Cavalcanti, também celebrou o sucesso da noite, enfatizando o cuidado na organização e a resposta positiva do público. Segundo ela, cada detalhe foi pensado para garantir que a abertura do Carnaval estivesse à altura da expectativa dos foliões, consolidando o Baile Municipal como um dos momentos mais aguardados da prévia carnavalesca.
A festa começou às 21h e atravessou a madrugada em clima de pura celebração. Ao amanhecer, a energia não diminuiu. Pelo contrário: foliões seguiram em cortejo do Esporte Clube até o Coreto do Bandeirante, embalados pela Orquestra Maktub, transformando as ruas em uma extensão natural do salão e levando a vibração do baile para o espaço público. O desfile improvisado, colorido e musical, simbolizou a passagem da festa fechada para o Carnaval que toma conta da cidade.
Com mais uma edição realizada com sucesso, o Baile Municipal reafirma Arcoverde como um dos polos carnavalescos mais autênticos do interior pernambucano. A celebração não apenas abriu oficialmente a temporada de folia, mas também reacendeu o sentimento de pertencimento e identidade cultural, mostrando que, em Arcoverde, o Carnaval é tradição que se renova a cada ano, sempre com elegância, música e muita animação.
HOJE - BOM JARDIM ATINGE O ALGE DA FÉ NA FESTA DE SÃO SEBASTIÃO COM FESTA E DEVOÇÃO
O dia começou ainda antes do nascer do sol, com a alvorada às 6h ecoando pelas ruas e despertando moradores e visitantes para o momento mais aguardado da festividade. Fogos, cânticos e o toque dos sinos reforçaram o clima de espiritualidade que envolve a cidade durante todo o ciclo festivo. Às 9h, a missa solene reuniu fiéis vindos de bairros urbanos, sítios e distritos da zona rural, além de devotos de cidades vizinhas, todos unidos em torno da devoção a São Sebastião, santo tradicionalmente associado à proteção e à resistência da fé cristã.
Ao longo do dia, o comércio local ganhou novo fôlego. Barracas de comidas típicas, vendedores ambulantes, artesãos e pequenos empreendedores aproveitaram o intenso fluxo de pessoas, transformando a fé também em geração de renda. A movimentação confirma o peso econômico da festa, que vai além da religiosidade e se consolida como um dos principais eventos do calendário cultural de Bom Jardim.
À tarde, a missa de encerramento, marcada para as 16h, prepara o ambiente espiritual para o momento mais emocionante da programação: a tradicional procissão das 17h. A imagem de São Sebastião percorrerá as principais ruas da cidade acompanhada por uma multidão, em um cenário de orações, promessas pagas e demonstrações públicas de gratidão. É o instante em que fé e identidade coletiva se fundem, reforçando laços comunitários que atravessam gerações.
A noite reserva outro tipo de celebração, desta vez no campo cultural e musical. No Pátio de Eventos João Salvino Barbosa, a Prefeitura de Bom Jardim, em parceria com o Governo de Pernambuco, promove a segunda e última noite dos shows principais da festa. Sobem ao palco Seu Desejo, Rey Vaqueiro e Kiko Chicabana, atrações que arrastam multidões e prometem encerrar o centenário em clima de grande espetáculo popular. A estrutura montada inclui reforço na segurança, apoio da saúde e organização do trânsito, evidenciando o planejamento da gestão municipal para garantir tranquilidade ao público.
O prefeito Janjão tem acompanhado de perto a programação e destacado a importância de manter viva a tradição centenária. Para ele, a festa é mais do que um evento religioso ou festivo: é um símbolo da história de Bom Jardim e um motor de desenvolvimento para o município. A gestão municipal aposta na combinação entre fé, cultura e entretenimento como estratégia para fortalecer o turismo regional e valorizar as raízes do povo bonjardinense.
No ano em que completa 100 anos, a Festa de São Sebastião reafirma sua força como patrimônio imaterial da cidade. Entre missas, procissão e shows, Bom Jardim mostra que tradição e modernidade podem caminhar juntas, mantendo viva a devoção e, ao mesmo tempo, projetando o município para além de suas fronteiras.
BRASILEIROS NOS EUA PEDEM AJUDA A LULA PARA VOLTAR AO BRASIL: “ESTAMOS DESESPERADOS”
PERNAMBUCO PAGA O "PIX TÊNIS" PARA TODA REDE ESTADUAL DE ENSINO
De acordo com a governadora Raquel Lyra, a ação reforça o compromisso do Estado com a permanência dos estudantes na escola. “Cuidar da educação é, também, garantir que nenhum jovem se sinta diferente pela falta do básico e deixe de ir à escola. Quando garantimos o uniforme completo, inclusive o tênis, estamos dizendo a cada um dos nossos estudantes que ele importa”, destacou.
Criado em 2025, o Pix Tênis integra o Programa ‘Juntos Pela Educação’ e, em 2026, pode alcançar um investimento de até R$ 77,5 milhões. A política pública busca promover mais igualdade de condições, conforto e dignidade aos estudantes da rede estadual.
Segundo o secretário de Educação, Gilson Monteiro, o repasse antecipado contribui para um início de ano letivo mais estruturado. “Ao entregar mais um item do fardamento antes do início das aulas, o Governo de Pernambuco reafirma seu compromisso com o cuidado, a inclusão e a atenção às necessidades cotidianas de crianças e jovens”, afirmou.
Como funciona o pagamento
O valor é creditado diretamente na conta bancária do estudante maior de 18 anos ou do responsável legal, no caso de menores de idade. O pagamento ocorre em parceria com a Caixa Econômica Federal, responsável pela abertura automática da conta e liberação do crédito, sem necessidade de o beneficiário procurar o banco.
O recurso deve ser utilizado exclusivamente para a compra do tênis escolar, em lojas físicas ou virtuais que comercializem calçados. Após a compra, é obrigatória a prestação de contas, garantindo a correta aplicação dos recursos públicos.
Para ter direito ao benefício, o estudante deve estar regularmente matriculado na rede estadual, ter os dados atualizados no Sistema de Informações da Educação de Pernambuco (Siepe) e possuir CPF regular junto à Receita Federal (do estudante maior de 18 anos ou do responsável legal). O CPF é utilizado como base para a abertura da conta e liberação do crédito pela Caixa.
Os beneficiários que receberam o Pix Tênis em 2025 e ainda não prestaram contas, não receberão o novo repasse até regularizar a situação. O prazo final para a regularização é 7 de fevereiro. O procedimento deve ser feito pelo site www.meutenis.pe.gov.br. Quem tiver dificuldade com o acesso online pode procurar a secretaria da escola, levando a documentação necessária. Em caso de dúvidas, os estudantes ou responsáveis podem entrar em contato pelo telefone: 0800 286 0086, e-mail meutenis@adm.educacao.pe.gov.br ou pelo webchat disponível na plataforma do programa.
RAQUEL LYRA E JOÃO CAMPOS FICAM FORA DA ABERTURA DO ANO LEGISLATIVO EM MEIO A TENSÕES POLÍTICAS E PEDIDOS DE IMPEACHMENT
Pelo rito das duas casas legislativas, a primeira sessão do ano é marcada por discursos institucionais e mensagens políticas. Os presidentes da Alepe e da Câmara fazem a abertura formal, passam a palavra ao representante do Executivo e, na sequência, falam os líderes da oposição e do governo. Não há votações, mas o momento serve como termômetro da relação entre os poderes e como palco para recados públicos que costumam ditar o tom dos meses seguintes. A ausência dos chefes do Executivo, portanto, não passa despercebida.
As assessorias de Raquel Lyra e João Campos informaram no domingo que ambos têm outros compromissos considerados prioritários e que, por isso, a presença não estava garantida. No caso do prefeito do Recife, a ausência já era tratada nos bastidores como provável. Em segundo mandato, João Campos não carrega a mesma necessidade de afirmação institucional de um início de gestão. Já no caso da governadora, o gesto chama mais atenção. Desde que assumiu o Palácio do Campo das Princesas, Raquel nunca havia deixado de comparecer às aberturas do ano legislativo, mesmo quando o ambiente foi hostil.
Nos dois anos anteriores, a governadora ouviu críticas duras durante essas solenidades, especialmente do presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto, e do líder da oposição, deputado Diogo Moraes. Ainda assim, manteve a tradição de comparecer e defender, pessoalmente, as prioridades do governo. Desta vez, a ausência ocorre justamente em um momento em que o Executivo estadual enfrenta dificuldades para ver sua pauta avançar na Assembleia.
Raquel Lyra tem pressionado publicamente os deputados para que projetos enviados pelo governo e que não foram votados até dezembro — nem mesmo durante o período extraordinário convocado pela própria governadora — finalmente entrem na pauta. Entre as matérias pendentes estão temas sensíveis e estratégicos para o funcionamento do Estado. Um deles é a Lei Orçamentária Anual, cuja demora na aprovação pode gerar sérios entraves administrativos, já que a execução financeira dos poderes fica comprometida sem a definição do orçamento. Outro ponto delicado é a autorização para contratação de empréstimos junto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal, operação que o governo considera essencial para refinanciar a dívida estadual e reorganizar o fôlego fiscal.
Enquanto isso, no Recife, o cenário legislativo é bem mais confortável para João Campos. O prefeito tem conseguido aprovar, até aqui, todos os projetos que envia à Câmara Municipal, mantendo uma base sólida e articulada. Ainda assim, a abertura do ano legislativo também ocorre sob um novo elemento de pressão: um pedido de impeachment protocolado durante o recesso parlamentar.
Tanto na Câmara do Recife quanto na Alepe, o retorno dos trabalhos será acompanhado da análise inicial de pedidos de afastamento dos chefes do Executivo. No caso do prefeito, o autor é o vereador Eduardo Moura, do Novo. Ele acusa João Campos de ter cometido crime de responsabilidade ao nomear para a Procuradoria do Município um candidato que havia ficado em 63º lugar em um concurso público. Segundo o vereador, dois anos após o certame, o candidato alegou ser autista e acabou assumindo a vaga que, na visão do parlamentar, deveria ter sido destinada a um candidato com deficiência física que aguardava nomeação.
Já na Assembleia, o pedido de impeachment contra Raquel Lyra foi apresentado pelo deputado Romero Albuquerque, do União Brasil. O parlamentar sustenta que a governadora teria sido omissa na fiscalização de uma empresa de transporte coletivo pertencente ao pai dela. A acusação mira possível conflito de interesses e falha na atuação do Estado sobre o serviço prestado à população.
Embora pedidos de impeachment nem sempre avancem e dependam de uma série de etapas formais antes mesmo de serem admitidos, o simples protocolo já adiciona temperatura ao ambiente político. Em um ano de disputas municipais e rearranjos de forças para 2026, cada movimento ganha leitura eleitoral.
A ausência de Raquel Lyra e João Campos nas cerimônias que simbolizam a retomada oficial do debate legislativo acaba, assim, ultrapassando o campo da agenda administrativa. Vira sinal político. Em vez de discursos presenciais tentando estabelecer pontes, o que se verá é um início de ano marcado por distanciamento, recados indiretos e um Legislativo que se prepara para ocupar, ainda mais, o centro das tensões entre governo e oposição.
COLUNA POLÍTICA | O QUE SE TEME TANTO EM UMA INVESTIGAÇÃO? | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO
O QUE HÁ DE MEDO EM JOÃO CAMPOS? UMA DEFESA A TODO CUSTO — OU BLINDAGEM POLÍTICA? UMA DEFESA QUE VIRA ACUSAÇÃO!
LINHA DO TEMPO DOS FATOS QUE MOSTRAM A ESTRATÉGIA
🔹 OUTUBRO DE 2024 – INÍCIO DA APURAÇÃO DO GAECO
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do Gaeco, passa a investigar supostas irregularidades em contratos milionários da Prefeitura do Recife — com indícios de fraude, conluio e movimentações atípicas envolvendo servidores e empresários, num esquema que começou sob a gestão de João Campos e somava mais de R$ 118 milhões.
🔹 AGOSTO DE 2025 – OPERAÇÃO “BARRIGA DE ALUGUEL”
Com o procedimento mais robusto, operadores financeiros e servidores ligados à gestão municipal viram seus sigilos fiscal e bancário requisitados. Isso incluiu secretários e agentes políticos próximos ao prefeito.
🔹 FINAL DE JANEIRO DE 2026 – DECISÃO NO STF
Em uma guinada política, o PSB — partido presidido nacionalmente por João Campos — recorre ao ministro Gilmar Mendes (STF) pedindo o trancamento da investigação. Mendes acolhe o pedido monocraticamente e corta o avanço das apurações estaduais, alegando “desvio de finalidade” e ausência de definição clara dos fatos investigados.
🔹 30 JAN.–1º FEV. 2026 – EPISÓDIO DA ARAPONGAGEM
A decisão de Mendes vai além: ele determina que a Polícia Federal investigue um suposto monitoramento ilegal (espionagem) contra aliados de João Campos, incluindo seu secretário de Articulação Política e Social — acusação prontamente usada pelo prefeito para denunciar “perseguição política”.
O TRANCAMENTO: UM “MILAGRE” NO STF NO MOMENTO CERTO
O trancamento da investigação do Gaeco não veio por acaso num ano eleitoral. A decisão foi tomada Logo depois de a apuração ter sido validada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco, que havia afastado teses de nulidade e determinado a continuidade das diligências. Dois dias depois, Mendes suspende tudo a pedido do PSB.
Esse timing levanta a seguinte pergunta: seria isso uma manobra jurídica desesperada para salvaguardar o prefeito de provas que podem ser devastadoras politicamente? A aparência é essa — e a crítica pública já está acesa. Muitos opositores e grupos de fiscalização veem o recurso ao STF não como defesa técnica legítima, mas como uma técnica de neutralização de riscos eleitorais.
A “NARRATIVA DE PERSEGUIÇÃO” — ARMADILHA POLÍTICA
A gestão de João Campos adotou uma linha de ataque: transformar um procedimento técnico de investigação sobre uso de recursos públicos em uma história de “perseguição política”. A decisão do STF inclui, de fato, a instauração de investigação pela PF sobre suposto monitoramento sem autorização judicial.
Porém, esse movimento político tem um efeito colateral questionável: desviar o foco de uma apuração administrativa séria para um espetáculo midiático de vítimas e perseguidores. Ao invés de responder às suspeitas de irregularidades com transparência, a gestão aposta no enfraquecimento da investigação e na transformação de um possível problema de gestão em um problema de ordem pública e eleitoral.
ESTRATÉGIA DE BLINDAGEM
Não é apenas jurisprudência técnica ou defesa de garantias constitucionais — trata-se de ação política calculada:
Blindagem jurídica em um momento crítico: ao pedir o trancamento, o PSB e João Campos conseguiram frear um procedimento que poderia gerar provas materiais de irregularidade em contratos públicos milionários, exatamente quando a narrativa eleitoral se acirra.
Narrativa de vitimização: ao transformar o debate em algo sobre “espionagem” e “perseguição”, a gestão tenta deslocar o foco para um discurso de injustiça, em vez de enfrentar as questões administrativas levantadas pelo MPPE.
Timing estratégico: operar uma intervenção no STF logo após uma decisão judicial local que reafirmou a investigação cria a sensação de que a tática foi pensada para neutralizar um problema político antes que ele cresça demais.
Essas ações não são neutras ou menores — elas moldam o quadro político em que João Campos tenta se projetar como candidato ao Governo de Pernambuco em 2026.
CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS E IMAGEM PÚBLICA
A crítica mais ácida não é simplesmente sobre “medo de investigação”. É sobre:
👉 Desespero para controlar o processo e as narrativas antes que possam causar estragos eleitorais.
👉 Uso de instâncias judiciais superiores como ferramenta política, não apenas como defesa técnica.
👉 Construção de um discurso de injustiça que pode ganhar tração mais pela emoção do que pelos fatos — enquanto o mérito da investigação original é engavetado.
Nesse sentido, o comportamento de João Campos revela mais do que apenas estratégia jurídica: é uma tentativa de controlar o ambiente político por via judicial, antes que a política — nas urnas — dite o veredito dos eleitores.
MEDO OU CÁLCULO?
A pergunta provocativa — o que há de medo em João Campos? — ganha uma resposta ainda mais crítica:
Não é apenas medo de investigação — é medo do impacto político de uma investigação que poderia expor falhas administrativas, reforçar críticas à gestão de recursos públicos e alimentar narrativas de oposição em um ano eleitoral.
Ao preferir o caminho tortuoso de soluções judiciais a enfrentar diretamente questões administrativas e de transparência, a gestão de João Campos escolhe uteis legalismos para evitar desconfortos políticos. Essa escolha, no entanto, pode custar caro em termos de confiança pública e de imagem diante de uma população que quer respostas, e não manobras.
ORELHA, O CÃO QUE VIROU ETERNIDADE NA AREIA DA PRAIA BRAVA
Frequentadores da praia, moradores da região e turistas que ouviram falar do cão compartilham lembranças semelhantes: Orelha não tinha dono, mas parecia pertencer a todos. Circulava entre cadeiras de praia, quiosques e calçadões com a tranquilidade de quem se sente em casa. Recebia afagos, acompanhava caminhadas, deitava-se próximo às famílias como se também fizesse parte delas. Não pedia muito — um pouco de comida, água fresca e, sobretudo, companhia. Em troca, oferecia uma presença mansa, constante, quase terapêutica para quem enfrentava dias difíceis ou apenas buscava um momento de paz à beira-mar.
Com o tempo, Orelha deixou de ser apenas “o cachorro da praia” e virou referência afetiva. Crianças o procuravam para brincar, idosos sentavam perto dele para fazer companhia, trabalhadores da orla se revezavam para garantir que nunca faltasse cuidado. Em um cenário muitas vezes marcado pela pressa e pelo individualismo, o animal virou ponto de encontro e lembrete diário de gentileza. Sua rotina simples — observar o mar, caminhar devagar pela areia e descansar sob o sol — passou a fazer parte da paisagem tanto quanto os prédios ao redor e o azul do oceano.
A despedida, quando veio, foi sentida como a perda de um velho amigo. A notícia se espalhou rapidamente entre os frequentadores da Praia Brava, provocando uma onda de comoção que mostrou a dimensão do vínculo construído ao longo dos anos. Mensagens nas redes sociais, fotos antigas e relatos emocionados revelaram que Orelha havia marcado histórias pessoais, ajudado a aliviar solidões e criado memórias que agora ganhavam outro significado: o da saudade.
A ideia da estátua nasceu desse sentimento coletivo. Mais do que um monumento, a escultura foi pensada como um gesto de gratidão. Instalada de frente para o mar, na posição em que tantas vezes foi visto observando o movimento das águas, ela parece manter viva a essência do animal que virou símbolo da praia. As flores ao redor, frequentemente renovadas por mãos anônimas, mostram que a homenagem não é estática — ela continua sendo construída por quem passa, lembra e se emociona.
Para muitos, parar diante da estátua de Orelha virou um pequeno ritual. Há quem faça um carinho na escultura, quem tire fotos, quem conte a história para os filhos ou amigos que visitam o local pela primeira vez. O espaço ganhou um significado que vai além da lembrança de um cachorro: tornou-se um ponto de reflexão sobre laços, cuidado coletivo e a capacidade que os animais têm de tocar vidas humanas de maneira profunda e transformadora.
Na imensidão da Praia Brava, onde tudo parece passageiro como as marcas que a maré apaga na areia, Orelha ganhou o que poucos conseguem: permanência. Em bronze, flores e memória, ele segue ali, voltado para o mar, como se ainda estivesse de guarda — não de um território, mas das lembranças de todos que um dia encontraram, naquele olhar tranquilo, um abrigo inesperado.